Editorial: vida urbana

A cidade que se descortina no vão livre de um edifício revela o quanto a contribuição da arquitetura para qualificar os espaços urbanos pode ir além do perímetro do projeto. Tal inspiração serviu de mote ao Edifício 1232, residencial do escritório curitibano Arquea e que ilustra a capa desta edição. Com o térreo pontuado apenas por uma escada de acesso aos pavimentos superiores, o olhar de quem passa pela calçada atravessa todo o lote, criando um interessante diálogo com a cidade.

A obra confirma o quanto o trabalho do arquiteto se norteia pela ideia de que a vida acontece no tempo e no espaço e de que, se o tempo corre alheio a nós, o mesmo não ocorre com os espaços. Cabe a esses profissionais a função primordial de planejar o que ocorre entre uma construção e outra – mais precisamente, nos lugares onde parte significativa da vida se dá, por onde as pessoas andam, passeiam, chegam ao trabalho, buscam os filhos na escola, compram pão. A partir deste pensamento integrado, que coloca as questões urbanas no cerne da atividade arquitetônica, diluem-se os limites entre espaço público e privado, entre cidade e prédio, proporcionando uma combinação que enriquece a experiência do convívio e o fascínio que a paisagem pode exercer.

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