Com experiência de quatro décadas na readequação da arquitetura colonial, Renato Tavolaro mostra como intervir — por meio de releitura do patrimônio histórico ou inserção de elementos contemporâneos — de forma coerente

Com experiência de quatro décadas na readequação da arquitetura colonial, Renato Tavolaro mostra como intervir — por meio de releitura do patrimônio histórico ou inserção de elementos contemporâneos — de forma coerente

Formado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie no fim a década de 1970, desde menino Renato Tavolaro se encantou pela estética sui generis do colonial português no Brasil. “Lembro-me, ainda menino, como me espantava com a grandiosidade da arquitetura durante visitas à fazenda com o meu pai”, conta. A carreira iniciada como desenhista, ainda durante a graduação, encontrou caminho na trajetória entre São Paulo e Paraty, celeiro de grande parte da produção de Tavolaro.

Reconhecido pelo estilo e traçado próprios, o arquiteto tem como marca a intervenção consciente, que com maestria vence os desafios da linha tênue da adaptação do colonial aos tempos modernos. O diálogo entre o velho e o novo, para Tavolaro, é primordial. Para isso, avalia com critério o limite da intervenção. A linguagem, a escolha dos materiais e o restauro fiel às origens são alguns dos elementos essenciais à sua arquitetura. Trabalha com a oposição – inserindo elementos completamente “estranhos” à estética original – e a recuperação fiel da planta original. “Assim, deixo claro ao observador o que é intervenção e o que é original”, explica.

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Quando o dramaturgo catalão Toni Casares deparou com o antigo edifício da cooperativa de trabalho Paz y Justicia, em Barcelona, na Espanha, sabia que aquela construção seria ideal para acolher a nova sede da Beckett, sala teatral fundada em 1989, e dirigida por ele desde 1997. As dimensões generosas do prédio, situado no bairro de El Poblenou, fascinaram Casares, que não se intimidou com o estado de abandono em que se encontrava a edificação, em desuso desde 1980, quando a cooperativa parou de funcionar. O diretor queria, dentre outras coisas, que a memória do edifício fosse preservada pelo projeto de arquitetura feito pelo escritório Flores y Prats.

Vencedores de um concurso público promovido pela prefeitura de Barcelona para o projeto da Sala Beckett – Obrador Internacional de Dramatúrgia, em 2010, os arquitetos Ricardo Flores e Eva Prats, sócios do Flores y Prats, mantiveram as características espaciais da construção original, erguida em 1924, restaurando elementos como vitrais, cornijas e rosáceas. “As cicatrizes que o tempo havia deixado nas paredes, nos tetos e nos pisos deveriam se somar às ações feitas por nós, numa superposição de elementos de diferentes épocas, sem que houvesse uma distinção nítida entre o que é velho e o que é novo”, afirma a dupla.

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“Todo escritor começa barroco e busca não a simplicidade, que é desimportante, mas sim uma contida e modesta complexidade.” Com essa frase de Graciliano Ramos, pode-se explicar muito da procura arquitetônica que Gustavo Penna vem refinando nos 40 anos de atuação de seu escritório. Com linhas contidas, reverência ao passado e ideais contemporâneos, Gustavo Penna propõe um museu em Congonhas, Minas Gerais, para reverenciar outro museu, a céu aberto, idealizado por Aleijadinho: o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos. O conjunto com seis capelas, um adro com esculturas em pedra sabão e a igreja no topo do morro Maranhão foi construído em meados do século 17 e hoje é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Mundial. Leia mais