Com experiência de quatro décadas na readequação da arquitetura colonial, Renato Tavolaro mostra como intervir — por meio de releitura do patrimônio histórico ou inserção de elementos contemporâneos — de forma coerente

Com experiência de quatro décadas na readequação da arquitetura colonial, Renato Tavolaro mostra como intervir — por meio de releitura do patrimônio histórico ou inserção de elementos contemporâneos — de forma coerente

Formado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie no fim a década de 1970, desde menino Renato Tavolaro se encantou pela estética sui generis do colonial português no Brasil. “Lembro-me, ainda menino, como me espantava com a grandiosidade da arquitetura durante visitas à fazenda com o meu pai”, conta. A carreira iniciada como desenhista, ainda durante a graduação, encontrou caminho na trajetória entre São Paulo e Paraty, celeiro de grande parte da produção de Tavolaro.

Reconhecido pelo estilo e traçado próprios, o arquiteto tem como marca a intervenção consciente, que com maestria vence os desafios da linha tênue da adaptação do colonial aos tempos modernos. O diálogo entre o velho e o novo, para Tavolaro, é primordial. Para isso, avalia com critério o limite da intervenção. A linguagem, a escolha dos materiais e o restauro fiel às origens são alguns dos elementos essenciais à sua arquitetura. Trabalha com a oposição – inserindo elementos completamente “estranhos” à estética original – e a recuperação fiel da planta original. “Assim, deixo claro ao observador o que é intervenção e o que é original”, explica.

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Gustavo Curcio

Trabalhar arquitetonicamente a memória tem sido o desafio de muitos arquitetos no Brasil e no exterior. Embora filhos de um país jovem – que tem dificuldade de lidar com um patrimônio “recente” -, temos visto experiências interessantes de intervenções em edifícios históricos. O trabalho do retrofit em escala monumental parece mais óbvio, como é o caso do Auditório Araújo Vianna, que permanece uma obra aberta em solo gaúcho e ilustra as páginas de uma reportagem desta edição.

“Por muito tempo, perdura entre os homens a postura de lidar livremente com os artefatos arquitetônicos do passado, no sentido de adaptá-los às exigências do presente, sem impor qualquer limitação às alterações ou mesmo às demolições.” (Eneida de Almeida*)

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