Olimpíada 2016: Arena da Juventude e Centro de Hóquei, por Vigliecca & Associados

Olimpíada 2016: Arena da Juventude e Centro de Hóquei, por Vigliecca & Associados

Meio templo, meio hangar. Assim, a Arena da Juventude remete, concomitantemente, ao classicismo e à indústria. Externamente, a configuração assemelha-se à de um templo grego: uma sequência de delgadas colunas metálicas circunda a área fechada do ginásio, conformando um peristilo contemporâneo. Entretanto, no seu comedimento de elementos, é possível associar o novo equipamento olímpico a um grande galpão, constituído por elementos industriais pré-fabricados, alguns deles encontráveis em catálogos de materiais de construção, e que, por fim, resultaram em uma obra de rápida montagem e execução.

Distante do epicentro do megaevento global de agosto próximo (o Parque Olímpico da Barra da Tijuca) e sem alarde na cobertura da imprensa acerca da preparação dos Jogos, há algo de surpreendente ao avistar a Arena da Juventude às margens da avenida Brasil carioca. Para quem passa de carro, o elegante e austero edifício é um prenúncio de transformações da pouco cuidada zona Oeste do Rio. Com projeto do escritório Vigliecca & Associados, a Arena está na parte central do Parque Olímpico de Deodoro, que também conta com o Parque Radical e com os Centros Olímpicos de Hipismo e de Tiro Esportivo. Leia mais

Editorial: os jogos e a cidade

A sede de golfe abre suas visuais à vegetação do campo e aos edifícios do entorno no espaço que será público após o fim dos Jogos; a Arena do Futuro com seus elementos pré-fabricados irá, literalmente, sumir na paisagem para se transformar em quatro escolas públicas a partir de 2017. Começamos nossa cobertura dos Jogos Olímpicos com esses dois projetos que mostram um pouco a cara que o Rio de Janeiro deu ao seu legado, o primeiro assinado pela dupla Pedro Rivera e Pedro Évora, do Rua Arquitetos, vencedor de concurso; o segundo com o consórcio RioProjetos 2016, que reúne os escritórios Oficina de Arquitetos, Lopes Santos & Ferreira Gomes Arquitetos e Paulo Casé Planejamento. Para analisar o que está acontecendo no Rio – e isso inclui a Olimpíada e também as mudanças na área do porto, como reportamos da edição passada com os projetos do Museu do Amanhã e da praça Mauá -, conversamos com Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade e curador do pavilhão brasileiro na próxima Bienal de Veneza.

“Se cada dia cai, dentro de cada noite, há um poço onde a claridade está presa.

Há que sentar-se na beira do poço da sombra e pescar luz caída com paciência.”

Pablo Neruda, em Últimos Poemas

Com grande foco nas mudanças do centro carioca, Fajardo desafia os arquitetos a se unirem para recuperar imóveis antigos na região. “É preciso que os arquitetos tenham interesse pelo papel e pela incumbência de cuidar da cidade que existe. O mercado imobiliário não sabe recuperar edifícios, isso não desperta interesse”, nos diz em entrevista. Fajardo também nos conta suas ideias sobre a mostra na bienal, com projetos em que ativistas e membros de comunidade são o estopim para mudanças na arquitetura e no espaço urbano. São esses projetos que terão os holofotes no pavilhão brasileiro, na busca por trazer exemplos para responder à provocação do diretor da bienal, Alejandro Aravena: apresentar casos que, apesar das dificuldades e resignações, proponham e façam algo; arquiteturas que, apesar da escassez de meios, intensificam o que está disponível em vez de reclamarem do que está faltando.

E como falar de Aravena sem citar o surpreendente Pritzker deste ano. Anunciado dia 13 de janeiro – dois meses antes do que costumam fazer -, o prêmio foi para um arquiteto relativamente jovem, com 48 anos, e que foca seu trabalho em provocações. Seja na construção de uma habitação social não comum entre os projetos do tipo, em que o morador deve completar sua construção, seja em seus discursos que chamam o arquiteto para atuar e se aproximar do que a sociedade precisa. Como a resgatar um laço há muito perdido e um papel que o arquiteto pode e deve fazer muito bem nesses tempos de mudanças: pensar e fazer a cidade mais igualitária.
BIANCA ANTUNES

Arena do futuro, no Rio de Janeiro, de Rioprojetos 2016

Arena do futuro, no Rio de Janeiro, de Rioprojetos 2016

IMPLANTAÇÃO

A Arena do Futuro está localizada na zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca, área peninsular triangular na Lagoa de Jacarepaguá de aproximadamente 120 hectares (1,18 milhão m²). A Arena do Futuro fica no próprio parque com área total construída de 24.214 m², cerca de 2% da área do Parque da Barra. Leia mais

Washington Fajardo fala sobre a presença brasileira na Bienal de Veneza, a necessidade de renovar os centros urbanos e as mudanças no Rio de Janeiro

Washington Fajardo fala sobre a presença brasileira na Bienal de Veneza, a necessidade de renovar os centros urbanos e as mudanças no Rio de Janeiro

A exposição brasileira na Bienal de Veneza está nas mãos de Washington Fajardo, escolhido curador do pavilhão do Brasil para este ano de 2016. Para mostrar uma produção brasileira que responda à proposta feita por Alejandro Aravena, diretor desta bienal, Fajardo quer falar da construção coletiva, em que uma comunidade ou um ativista busca soluções por meio da arquitetura – e aí entra o arquiteto. “O incômodo maior é mostrar que existe um esforço da sociedade em projetar e construir a esfera pública”, nos conta na entrevista, comparando esse esforço com a falta de relevância que o poder público tem colocado na disciplina. “Nesse sentido é uma mostra política, com projetos feitos com muito esforço e tempo, e todos acreditam na arquitetura.” Leia mais

Arena do Futuro receberá jogos de handebol na Olimpíada e se transformará em quatro escolas públicas após os jogos, com projeto de Lopes Santos & Ferreira Gomes Arquitetos, Oficina de Arquitetos e Paulo Casé Planejamento

Arena do Futuro receberá jogos de handebol na Olimpíada e se transformará em quatro escolas públicas após os jogos, com projeto de Lopes Santos & Ferreira Gomes Arquitetos, Oficina de Arquitetos e Paulo Casé Planejamento

A Olimpíada dura cerca de 15 dias. Holofotes do mundo inteiro são lançados na cidade sede. Um mês depois, há certa sobrevida dessa animação com a Paraolimpíada. E logo acaba a festa. O palco desse mise-en-scène global precisa ser absorvido pelo cotidiano.

Se a cidade não incorporá-los, os equipamentos olímpicos se tornarão ruínas (vide Atenas). Quando a edificação perde a sua vitalidade, inevitavelmente geram-se resíduos: a obsolescência ou será da arquitetura como um todo, ou virá da desarticulação das partes convertidas em restos jogados ao relento, em um vagaroso processo de decomposição em algum canto do mundo. A segunda alternativa ao fracasso da arquitetura olímpica é fazê-la desaparecer; o que, a princípio, depende do nada pacífico (nem isento de custos) ato de demolir. Como dotar uma estrutura olímpica de uma razão de existência após a cerimônia de encerramento? Leia mais

Rua Arquitetos projeta Sede do Campo Olímpico de Golfe no Rio de Janeiro

Rua Arquitetos projeta Sede do Campo Olímpico de Golfe no Rio de Janeiro

À sombra da polêmica ambiental que envolveu a escolha do sítio, jornais e revistas não perceberam a notável arquitetura que ali surgia. Comparada à imensidão da planície que a envolve, é comedida a dimensão da sede do campo de golfe das Olimpíadas do Rio de Janeiro. É a escala correta para uma edificação que se permite ser atravessada pela paisagem exuberante: não somente o vento a corta livremente, mas o olhar permanece desimpedido para admirar o gramado entremeado por pequenas dunas e circundado pelo manguezal que o separa da lagoa de Marapendi. O que vemos é uma espécie de miragem da Barra da Tijuca idealizada por Lucio Costa: a planície natural a perder de vista – é verdade que em um estado menos selvagem do que o imaginado pelo mestre – e um aglomerado de edifícios altos brotando ao longe nessa baixada. Leia mais