Workshop sobre design paramétrico terá arquitetos do Zaha Hadid Architects no Rio de Janeiro

Workshop sobre design paramétrico terá arquitetos do Zaha Hadid Architects no Rio de Janeiro

Durante os dias 1º e 9 de setembro, o Laboratório de Atividades do Amanhã (LAA) do Museu do Amanhã irá receber o primeiro workshop da Architectural Association School of Architecture (Londres), lecionado pela AA Visiting School Rio de Janeiro, por professores do departamento de computação do CO|DE da Zaha Architects e com parceria da escola de arquitetura, design e engenharia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

Os participantes vão aprender durante os nove dias habilidades computacionais, como ferramentas de modelagem digital avançada, programação e habilidades paramétricas em Rhino/Grasshopper, além de fabricação como programação e preparação de arquivos que serão cortados, usinados e moldados pela fresadora CNC, máquina de corte a laser e impressora 3D.

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Herdeiro artístico de Burle Marx, Haruyoshi Ono manteve a tradição de mosaicos na composição de jardins. Entre seus trabalhos mais recentes, destacam-se os museus do Amanhã, da Imagem e do Som e de Arte Moderna, no Rio de Janeiro

Herdeiro artístico de Burle Marx, Haruyoshi Ono manteve a tradição de mosaicos na composição de jardins. Entre seus trabalhos mais recentes, destacam-se os museus do Amanhã, da Imagem e do Som e de Arte Moderna, no Rio de Janeiro

A arquiteta e doutora Klara Kaiser Mori1, professora livre-docente da FAU- SP, não esconde a emoção ao falar sobre o falecimento do arquiteto e diretor-geral do Burle Marx Escritório de Paisagismo, Haruyoshi Ono, aos 73 anos, no dia 21 de janeiro de 2017. “Ainda está difícil de acreditar, de aceitar. Além do relacionamento profissional, tínhamos uma amizade de mais de 40 anos. Ele era uma pessoa muito querida”, lamenta a arquiteta.

Recém-formados em arquitetura, Klara e o marido foram colaboradores do escritório de paisagismo de Roberto Burle Marx, no Rio de Janeiro, por cinco anos, no começo da década de 70. Na sequência, Klara foi integrante, por indicação de Marx, do conselho consultivo do Sítio Burle Marx, após sua doação ao Iphan. Nesse período, as famílias Mori e Ono estreitaram os laços de amizade e discutiam em um ambiente de liberdade e interação os rumos da arquitetura e do paisagismo no país. “Em 2016, por ideia de Haruyoshi, visitamos o maravilhoso jardim da residência Edmundo Cavanelas, em Petrópolis. Foi uma viagem inesquecível”, conta. Segundo Klara, Ono costumava promover reencontros anuais entre os remanescentes das equipes que trabalharam no escritório nos anos 1970 e 1980.

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Editorial: construir o futuro

Não há tempos mais propícios para pensar o futuro do que o início de ano. Nesta edição de janeiro, pensamos o futuro de maneiras diversas. A mais proeminente traz a discussão literalmente em seu nome: o Museu do Amanhã. Aguardamos a finalização do projeto do espanhol Santiago Calatrava no Centro do Rio de Janeiro para publicar em detalhes o projeto de arquitetura, trazendo de cortes do auditório a especificações da cobertura e das aletas que se movem de acordo com a luz solar. A museografia já instalada nos revela a relação do conteúdo da mostra com as curvas internas do edifício, e como o prédio se coloca como receptáculo de um conteúdo que pretende instigar os visitantes a pensar sobre sua pegada na Terra – e a responsabilidade que têm sobre o futuro do planeta em uma época de aquecimento global e catástrofes naturais. O Museu do Amanhã, aliás, inicia uma fase de inaugurações no Rio de Janeiro – 2016 é ano de Olimpíada e de transformações urbanas na cidade.

“A estrada é uma espada. A sua lâmina rasga o corpo da terra. Não tarda que a nossa nação seja um emaranhado de cicatrizes, um mapa feito de tantos golpes que nos orgulharemos mais das feridas que do intacto corpo que ainda conseguimos salvar”
Mia Couto
, em Mulheres de cinza

A praça Mauá, em frente ao Museu e parte do projeto Porto Maravilha, é um dos exemplos positivos de mudança urbana, com o incentivo do uso do espaço público e de ocupação de áreas centrais. Nesta edição trazemos também uma entrevista com Saskia Sassen, socióloga e professora da Universidade de Columbia que discute a relação entre cidade e economia desde 1991 quando lançou seu livro A cidade global, em que analisa os papéis de Tóquio, Nova York e Londres. Nesta conversa, Saskia retoma suas análises da década de 1990 e fala sobre as cidades atuais e a privatização dos espaços públicos. Temas importantes para pensarmos as urbes do futuro.

BIANCA ANTUNES

Museu do Amanhã, de Santiago Calatrava, no Rio de Janeiro

Museu do Amanhã, de Santiago Calatrava, no Rio de Janeiro

IMPLANTAÇÃO
Ao observar as formas propostas e a implantação da obra do Museu do Amanhã, extraem-se razões morfológicas e de partidos: um local em área portuária degradada e sob a demanda não só de revitalizar, mas de mudar o curso histórico com nova inserção urbana; as exigências de ser uma obra que proporcione integração e interação com o entorno que passa por obras de requalificação.

Além disso, o local de implantação destaca-se pela vista ampla da planície praiana, da Baía de Guanabara, com as extensões de serra ao fundo, do Morro da Conceição, e com as construções justapostas na praça Mauá, à frente do píer do assente do museu. Leia mais

Para otimizar a captação de energia, mais de cinco mil painéis fotovoltaicos foram acopladas às aletas móveis da cobertura metálica, que se movem conforme a orientação do sol no Museu do Amanhã, com projeto de Santiago Calatrava

Para otimizar a captação de energia, mais de cinco mil painéis fotovoltaicos foram acopladas às aletas móveis da cobertura metálica, que se movem conforme a orientação do sol no Museu do Amanhã, com projeto de Santiago Calatrava

Um dos marcos da requalificação do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã se encontra em local privilegiado: na recém-revitalizada praça Mauá, sobre um píer que avança na baía. Com a demolição do elevado da Perimetral, em 2014, abriu-se uma visibilidade na região essencial para a ressignificação da área, pois permitiu a contemplação da própria praça, do Museu de Arte do Rio (MAR), de Bernardes Jacobsen Arquitetura (AU 229), inaugurado em 2013, e também da igreja e mosteiro de São Bento, fundados em 1590 e declarados como patrimônio da humanidade pela Unesco.

“Se há algo em que o Rio de Janeiro se destaca das outras cidades é pela sua relação cidade-paisagem. A eliminação do elevado permitiu abrir o espaço urbano ao mar, à natureza e ao contexto histórico e cultural. Para mim, era essencial que o projeto se integrasse a esse conceito”, diz o arquiteto espanhol Santiago Calatrava, responsável pela concepção do projeto, desenvolvido e gerenciado pelo escritório brasileiro Ruy Rezende Arquitetura. Leia mais