Inspirado no modernismo brasileiro, projeto de residência em Melbourne, na Austrália, tem volumetria longitudinal, de blocos sobrepostos, que expõe, em balanço, a bela aparência do concreto

Inspirado no modernismo brasileiro, projeto de residência em Melbourne, na Austrália, tem volumetria longitudinal, de blocos sobrepostos, que expõe, em balanço, a bela aparência do concreto

Melbourne está na mesma faixa de latitude do extremo sul do Brasil, com clima temperado oceânico de temperaturas médias ao longo do ano que ultrapassam os 20° C – e bastante umidade. Tudo muito familiar para nós, brasileiros. Informações relevantes para quem vai projetar uma residência.

O número de dias ensolarados por ali é maior do que os cinzas e nublados, e a cidade fica localizada na grande baía natural de Port Phillip, voltada para o Pacífico Sul. É sol, é mar; é tudo que um bom projeto modernista precisa.

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A Grande cobertura da ESAF (Escola de Administração Fazendária)

A Grande cobertura da ESAF (Escola de Administração Fazendária)

Pedro Paulo de Melo Saraiva . Brasília, DF . 1973/1974

SOMBRA NA GRANDE COBERTURA
Dentre tantos monumentos construídos em Brasília, é imprescindível reconheceremos aqueles que, além de inaugurar um novo lugar, também foram capazes de concretizar novas fronteiras na arquitetura. Junto a isso, se compreendemos que as relações entre arquitetura e construção são capazes de originar sínteses admiráveis como as que encontramos na Catedral de Oscar Niemeyer ou no Hospital Sarah Lago Norte de João Filgueiras Lima (Lelé), ambas em Brasília, a Escola de Administração Fazendária (Esaf) de Pedro Paulo de Melo Saraiva, na mesma cidade, é mais um exemplo da integridade que uma estrutura arquitetônica – e entendamos aqui o termo no seu sentido mais amplo – pode construir.

Formado na FAU Mackenzie em 1955, onde desde 1992 também é professor, o arquiteto relata com entusiasmo o curto período de 14 meses em que a Esaf foi concebida e construída entre os anos de 1973 e 1974. Considerando a sua escala e o compromisso de tê-la finalizada em um prazo tão exíguo, visitá-la mais de 40 anos depois evidencia a inteligência e a maestria com as quais o projeto foi concebido, permitindo construí-lo com uma agilidade e uma solidez que somente uma ideia dotada de um conhecimento construtivo rigoroso sobre sua materialidade tornaria possível.

A Escola se localiza fora do plano-piloto, no setor de Mansões Urbanas Dom Bosco, sudeste do Eixo Monumental. Criada para aprofundar e aperfeiçoar os conhecimentos teóricos e práticos dos funcionários do Ministério da Fazenda, buscou-se um espaço que acolhesse seu extenso programa respondendo à busca por um trabalho colaborativo entre alunos, professores e funcionários.

É no modo como se insere no sutil declive original do terreno que encontramos o primeiro fundamento dessa estrutura arquitetônica. A construção parece se fundir ao território. Não encontramos nela uma base ou qualquer outro elemento insinuador de um edifício, parecendo se levantar do solo pela ampla escala e leveza de seu desenho.

Temos aqui uma das mais importantes grandes coberturas construídas nesse período. Com 300 m de comprimento e 65 m de largura, a Esaf se revela imponente em sua grandeza. A extensão ao longo da qual contemplamos a sucessão de seus expressivos pórticos nos revela sua escala arquitetônica: uma construção monumental paralela ao solo que se eleva a 6 m de seu plano primário. Aqui vemos reafirmada a mesma poesia estrutural que tanto nos faz encantar a arquitetura de Oscar Niemeyer em Brasília: a leveza do encontro entre arquitetura e paisagem pelos pontos de apoio de suas estruturas.

A sua estrutura principal é composta de um sistema de pilares, vigas e nervuras de concreto armado, suficientemente dimensionado para abrigar todos os espaços previstos. Suas nervuras, espaçadas a cada 1,25 m, vencem vãos de 15 m e 5 m de balanço, alternando entre situações abertas e fechadas, dependendo a que atividade se destina seu interior.

Seus arcos horizontais configuram os elementos de maior expressividade estrutural e plástica. São estes nove arcos de concreto armado, em seu estado bruto e com 30 m de vão que, sombreando o interior da construção, incitam-nos a adentrar e a descobrir a instituição ali debaixo abrigada. Cruzando seus pórticos, descobrimos que é uma dimensão interna que prevalece em seu edifício, reforçada pela luz que invade suas bordas e suas pérgolas, responsáveis pelas sombras tão vitais àquelas condições climáticas.

As calçadas resguardadas da Esaf, com 10 m de largura, são pautadas pelo ritmo de seus pórticos, que alternam seu contato com o solo natural e o grande espelho d’água na plataforma de chegada. Estes passeios permeados por jardins se tornam galerias de transição entre exterior e interior que, por mais imersos que estejamos em seu espaço, sempre nos permite a apreensão da planície na qual estamos inseridos.

DANIEL CORSI. arquiteto pela FAUMackenzie em 2003 e professor dessa mesma instituição desde 2010. Mestre pela FAUUSP em 2012. Sócio-fundador do escritório Corsi Hirano Arquitetos

POR: DANIEL CORSI