Com pedra sabão e muxarabi metálico, Gustavo Penna inaugura Museu de Congonhas em Minas Gerais

Com pedra sabão e muxarabi metálico, Gustavo Penna inaugura Museu de Congonhas em Minas Gerais

“Todo escritor começa barroco e busca não a simplicidade, que é desimportante, mas sim uma contida e modesta complexidade.” Com essa frase de Graciliano Ramos, pode-se explicar muito da procura arquitetônica que Gustavo Penna vem refinando nos 40 anos de atuação de seu escritório. Com linhas contidas, reverência ao passado e ideais contemporâneos, Gustavo Penna propõe um museu em Congonhas, Minas Gerais, para reverenciar outro museu, a céu aberto, idealizado por Aleijadinho: o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos. O conjunto com seis capelas, um adro com esculturas em pedra sabão e a igreja no topo do morro Maranhão foi construído em meados do século 17 e hoje é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Mundial. Leia mais

Carlos Teixeira projeta casa com piscina suspensa em Moeda, MG

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Um dos meus ensaios favoritos de teoria da arquitetura foi escrito em 1921 pelo poeta francês Paul Valéry. Eupalinos ou o arquiteto tem uma deliciosa tradução em português, de 1999, com prefácio do saudoso Joaquim Guedes. No texto de Valéry, Sócrates e Fedro se encontram após a morte, e o aristocrata Fedro pergunta ao mestre Sócrates o que ele gostaria de ter sido se não fosse filósofo. Sócrates responde que a única outra profissão a que teria se dedicado seria a de arquiteto, e começa a enaltecer as obras de Eupalinos de Megara, construtor que viveu no século 6 a.C.. Enquanto celebra Eupalinos, Sócrates explica que o arquiteto tem uma rara oportunidade de equilibrar o pensamento e a ação. Enquanto um filósofo é treinado a pensar, desconstruindo o conhecimento, o construtor é treinado a fazer. Aquele que apenas faz nunca tem tempo para pensar. E aquele que apenas pensa nunca tem tempo para fazer algo. O arquiteto é aquele que consegue alternar doses igualmente intensas do fazer e do pensar, o que segundo o Sócrates de Paul Valéry seria a mais nobre das profissões. Leia mais

Arquitetos Associados projetam a galeria de fotos de Claudia Andujar em Inhotim

Arquitetos Associados projetam a galeria de fotos de Claudia Andujar em Inhotim

Aquele que talvez seja o texto de arquitetura mais citado das últimas décadas, o ensaio sobre o regionalismo crítico, de Kenneth Frampton, começa com uma citação de Paul Ricouer onde denuncia o desaparecimento de culturas tradicionais ameaçadas pela globalização ocidental.

Seria fácil aplicar a citação de Ricouer ao caso dos ianomamis, uma civilização ameaçada por todos os lados. Mas a realidade é bem mais complexa, assim como a própria definição etnocêntrica de regional. Como ideologia e sotaque, é sempre mais fácil ver regionalismo nos outros. Eu diria que a colisão entre a cultura ianomami e a cultura hegemônica brasileira é como um choque entre uma carreta e um fusca. Aos poucos, vamos percebendo a importante contribuição dos indígenas para os desafios brasileiros contemporâneos, ainda que aparentemente sejam visíveis apenas como arranhões no para-choque da carreta. Leia mais