Eleições definem o destino da profissão. Veja entrevista com Haroldo Pinheiro, presidente do CAU/BR

Eleições definem o destino da profissão. Veja entrevista com Haroldo Pinheiro, presidente do CAU/BR

No dia 31 de outubro, cerca de 150 mil arquitetos e urbanistas vão escolher os novos profissionais para compor o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal (CAU/UF), para o mandato 2018-2020. Na entrevista a seguir, o arquiteto e urbanista Haroldo Pinheiro, que cumpre o segundo mandato na presidência do CAU/BR, fala das expectativas para essas eleições, dos desafios dos próximos gestores e do legado que ele deixará.

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Editorial: reconhecimento e valorização

GUSTAVO CURCIO

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo das Unidades da Federação (CAU/UF) foram criados pela Lei 12.378, de 31 de dezembro de 2010. Apenas um ano depois, em 15 de dezembro de 2011, nasceu o corpo que regula o exercício de nossa profissão no país. Consolidado, o CAU/BR desempenha papel fundamental para a valorização de arquitetos e urbanistas. Dentre os pleitos junto ao Congresso Nacional está a recém-apresentada proposta de criação de lei específica para contratação de projetos e obras públicas – apresentada no dia 5 de julho em conjunto com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). A ideia é tratar de forma diferenciada a compra de produtos como materiais de expediente, serviços intelectuais e serviços de arquitetura. “Estamos propondo um passo mais largo, para além da revisão da Lei de Licitações. É preciso uma lei própria para projetos”, afirmou o presidente do CAU/BR, Haroldo Pinheiro, durante o I Fórum de Desenvolvimento Urbano, realizado em uma parceria do CAU/BR e da Câmara dos Deputados.

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Como trabalhar com projeto de baixa renda

Como trabalhar com projeto de baixa renda

No Brasil, principalmente entre famílias da classe baixa, é comum que os moradores acabem reformando ou construindo suas próprias casas apenas com a ajuda de mestres de obra ou de pedreiros, segundo pesquisa divulgada pelo CAU/ BR em 2015 (AU 259). Para grande parte dos brasileiros, contratar um arquiteto custa caro. Além disso, para Caio Santo Amaro, arquiteto da Peabiru e professor da FAUUSP, a profissão e toda a formação do arquiteto são baseadas em um trabalho mais voltado para a elite, o que acaba afastando os profissionais da população mais carente. “No próprio curso de graduação ainda há a imagem de que um arquiteto bem-sucedido é aquele que pode manter um escritório, que desenvolve projetos autorais. Isso, além de ser uma ideia falsa, afasta a profissão das reais demandas e necessidades da sociedade”, afirma o arquiteto. Leia mais

Em seu segundo mandato, Haroldo Pinheiro, presidente do CAU/BR, enfrenta temas polêmicos, como a reserva técnica, e político-culturais, como a lei de licitações

Em seu segundo mandato, Haroldo Pinheiro, presidente do CAU/BR, enfrenta temas polêmicos, como a reserva técnica, e político-culturais, como a lei de licitações

Recém-empossado para o seu segundo mandato na presidência do CAU/BR – e o segundo, também, desde a implantação do CAU, em 2011 -, o arquiteto Haroldo Pinheiro deve marcar este segundo momento com embates mais polêmicos, como o enfrentamento à chamada reserva técnica e propostas para mudar o atual regime de contratação de obras públicas.

Nos dois casos, uma palavra é recorrente para descrever parte das consequências dessas práticas: corrupção. No caso da reserva técnica, seria uma corrupção entre particulares. Já na contratação de obras públicas, o atual regime de contratação integrada (no qual a empreiteira é responsável tanto pelo projeto completo da obra quanto por sua realização) é também uma das causas dos atuais escândalos envolvendo grandes construtoras. Haroldo Pinheiro formou-se arquiteto em 1980 pela UNB e desde os tempos de estudante já militava por causas políticas e relacionadas à valorização da profissão. “Naquela época era mais difícil militar por qualquer assunto”, lembra. Chegou a sofrer represálias da ditadura, o que o levou a atrasar a conclusão do curso, iniciado na primeira metade da década de 1970. Uma vez formado, trabalhou com João Filgueiras Lima, o Lelé, que está sempre presente no seu discurso como uma de suas principais referências profissionais e pessoais. Leia mais