Editorial: vida urbana

A cidade que se descortina no vão livre de um edifício revela o quanto a contribuição da arquitetura para qualificar os espaços urbanos pode ir além do perímetro do projeto. Tal inspiração serviu de mote ao Edifício 1232, residencial do escritório curitibano Arquea e que ilustra a capa desta edição. Com o térreo pontuado apenas por uma escada de acesso aos pavimentos superiores, o olhar de quem passa pela calçada atravessa todo o lote, criando um interessante diálogo com a cidade.

A obra confirma o quanto o trabalho do arquiteto se norteia pela ideia de que a vida acontece no tempo e no espaço e de que, se o tempo corre alheio a nós, o mesmo não ocorre com os espaços. Cabe a esses profissionais a função primordial de planejar o que ocorre entre uma construção e outra – mais precisamente, nos lugares onde parte significativa da vida se dá, por onde as pessoas andam, passeiam, chegam ao trabalho, buscam os filhos na escola, compram pão. A partir deste pensamento integrado, que coloca as questões urbanas no cerne da atividade arquitetônica, diluem-se os limites entre espaço público e privado, entre cidade e prédio, proporcionando uma combinação que enriquece a experiência do convívio e o fascínio que a paisagem pode exercer.

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Juan O Gorman: duas faces da modernidade

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Um dos pioneiros da arquitetura moderna na América Latina, Juan O’Gorman produziu obras arquitetônicas e artísticas que expressam conflitos centrais do século XX. Esse artista multidisciplinar – muralista, revolucionário, mosaísta e arquiteto – conduziu em sua carreira um diálogo firme com a conjuntura política e social do México. Percorre um complexo arco que começa em suas primeiras casas, acentuadamente funcionalistas, e termina em suas pinturas e murais, focados em firmar as singularidades da cultura mexicana, na qual são exploradas técnicas vernaculares.

HABITAR CASAS DE VIDRO
“De minha parte, continuarei a habitar minha casa de vidro, de onde se pode ver a todo instante quem vem me visitar, onde tudo o que está pendurado no teto ou nas paredes se sustém como que por encanto, onde repouso à noite, sobre um leito de vidro com lençóis de vidro, onde quem eu sou me aparecerá cedo ou tarde, gravado a diamante.” André Breton, Nadja.

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