Residência imaginada para a zona rural é adaptada para ser construída em um condomínio urbano, mantendo espírito despojado e abertura à vegetação

Residência imaginada para a zona rural é adaptada para ser construída em um condomínio urbano, mantendo espírito despojado e abertura à vegetação

O projeto original desta residência em Campinas, no interior de São Paulo, foi pensado para a zona rural, em uma chácara de dois alqueires, em meio a um cafezal. Porém, depois de ver o desenho pronto, o casal de publicitários ao qual se destinava a casa desistiu do terreno mais distante e optou por outro, localizado em um condomínio urbano. A Casa no Cafezal, porém, deveria manter aqueles primeiros traços.

Para transpor o projeto da chácara para um lote retangular de 6.500 m² era preciso adaptar suas dimensões. Os arquitetos do escritório Forte, Gimenes & Marcondes Ferraz (FGMF) demoliram uma construção preexistente para assentar a proposta ortogonal. Esta é marcada por linhas retas e muito limpas e uma cobertura única que abriga blocos prismáticos, ora opacos, ora totalmente transparentes e permeáveis à vegetação.

Leia mais

Artesão japonês aplica papel washi em painéis para projeto de Kengo Kuma em São Paulo

Artesão japonês aplica papel washi em painéis para projeto de Kengo Kuma em São Paulo

De aparente delicadeza e fragilidade, o papel washi japonês é uma matéria-prima cheia de potencialidades, capaz de se transformar em resistentes revestimentos e notáveis elementos arquitetônicos. Sua aplicação à arquitetura é uma das principais linhas de trabalho do artesão japonês Yasuo Kobayashi, que há 40 anos se dedica a explorar os limites desse material produzido com as fibras da casca de um tipo de amoreira oriental, o arbusto kozo. Entre julho e agosto, Kobayashi esteve no Brasil para ensinar como produzir painéis baseados no uso desse papel.

Participaram da oficina os trabalhadores envolvidos na construção da Japan House São Paulo, centro de cultura, tecnologia e negócios que será inaugurado na Avenida Paulista, em março do ano que vem. A Construtora Toda do Brasil é a responsável por reformar e adaptar o prédio já existente ao projeto arquitetônico de Kengo Kuma, um dos mais premiados arquitetos japoneses, com coautoria do escritório paulistano FGMF. Ao lado de Kobayashi, os arquitetos visitaram a obra e conversaram com técnicos e jornalistas para explicar os detalhes da parceria.

Leia mais

Os profissionais que assinaram os projetos publicados na edição

Os profissionais que assinaram os projetos publicados na edição

União arquitetônica
Fábio Valentim, Cristiane Muniz, Fernanda Barbara e Fernando Viégas (da esquerda para a direita) 1 se conheceram na FAUUSP, quando fizeram parte do grupo fundador da Revista Caramelo. Os amigos começaram então a trabalhar juntos e em 1996 fundaram o UNA Arquitetos, onde sempre optaram por um modo de trabalho sem divisão interna de atividades e sem escolher escala ou programa. Os quatro sócios, mestres pela mesma faculdade onde se formaram, voltaram para a academia como professores da Escola da Cidade, o que colabora para uma espécie de retroalimentação com relação ao trabalho no escritório. “O bonito é entender o projeto como a cada vez começar do zero, mas sempre com uma coisa que é comum: a construção do coletivo, da cidade e do espaço que é público.” Leia mais

FGMF projeta residência urbana em lote íngreme de São Paulo, e garante visuais da cidade

FGMF projeta residência urbana em lote íngreme de São Paulo, e garante visuais da cidade

Uma semana depois de receber o convite para desenhar o que viria a ser a Casa Marquise, no bairro Sumaré , em São Paulo, a equipe do FGMF foi escalada, por coincidência, para desenhar outra casa em um terreno colado ao primeiro. “Conseguimos os dois projetos, apresentamos os clientes, convidamos uma só construtora e fizemos uma só obra”, resume Fernando Forte, sócio do escritório paulistano.

Apesar da irmandade no canteiro de obras, as casas receberam abordagens arquitetônicas completamente distintas. Enquanto a Casa Marquise, nas palavras dos autores, “ocupa os limites do terreno e configura um vazio central, para onde os espaços construídos convergem”, a Casa Mattos se organiza ao longo de um eixo principal, sobre um conjunto de três platôs claramente definidos, gerando uma volumetria mais compacta.

Leia mais