Projetos incentivam a participação infantil no planejamento e na concepção de lugares, contribuindo para o ensino de noções de arquitetura e urbanismo desde cedo

Projetos incentivam a participação infantil no planejamento e na concepção de lugares, contribuindo para o ensino de noções de arquitetura e urbanismo desde cedo

“Existem três tipos de professores para as crianças: os adultos, as outras crianças e o espaço. O espaço é o terceiro professor.”
Loris Malaguzzi, criador do programa educativo de Reggio Emilia

Cada vez mais iniciativas promovem cursos e oficinas que aproximam as crianças da arquitetura e da compreensão das cidades. No mundo todo, ações partem do princípio de que os pequenos precisam ser educados para o espaço físico e iniciados no que se convencionou chamar de “aprendizagem espacial”.

Equipes multidisciplinares de pedagogos, designers, jornalistas, educadores e artistas, muitas vezes lideradas por arquitetos, formam grupos de profissionais focados em desenvolver metodologias para que os jovens explorem os espaços brincando e, assim, aprendam a partir do uso de materiais e de ferramentas apropriadas.

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Escola Municipal de Astrofísica, em São Paulo: o restauro por Edson Elito em 2004

Escola Municipal de Astrofísica, em São Paulo: o restauro por Edson Elito em 2004

O RENASCIMENTO DA ESCOLA MUNICIPAL DE ASTROFÍSICA

O projeto de arquitetura começa por uma pergunta: que partido adotar. Isto é, dadas as condicionantes (programa, sítio, recursos), quais seriam as respostas mais adequadas à solução do problema? Na Escola Municipal de Astrofísica, o arquiteto e professor da FAUUSP Roberto José Goulart Tibau delimitou um território mediante vigas perpendiculares a dois pilares-parede associados a uma planta livre com quatro apoios, enfatizando a transparência e o prolongamento visual determinados tanto pelos vãos estruturais sem laje quanto pela caixilharia das áreas cobertas. Balanços de laje no eixo transversal atenderam ao sombreamento das vedações de vidro. O edifício é um exemplar da arquitetura brutalista paulista, e harmoniza a força dos grandes elementos estruturais à leveza que delimitam.

A ideia de uma Escola de Astrofísica foi do professor Aristóteles Orsini, membro da Associação de Amadores de Astronomia de São Paulo, em 1949. Inaugurado em 1961, o edifício de astrofísica exigiu cuidados com o passar dos anos. Em 1992, foi tombado pelo Condephaat e pelo Conpresp.

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A Grande cobertura da ESAF (Escola de Administração Fazendária)

A Grande cobertura da ESAF (Escola de Administração Fazendária)

Pedro Paulo de Melo Saraiva . Brasília, DF . 1973/1974

SOMBRA NA GRANDE COBERTURA
Dentre tantos monumentos construídos em Brasília, é imprescindível reconheceremos aqueles que, além de inaugurar um novo lugar, também foram capazes de concretizar novas fronteiras na arquitetura. Junto a isso, se compreendemos que as relações entre arquitetura e construção são capazes de originar sínteses admiráveis como as que encontramos na Catedral de Oscar Niemeyer ou no Hospital Sarah Lago Norte de João Filgueiras Lima (Lelé), ambas em Brasília, a Escola de Administração Fazendária (Esaf) de Pedro Paulo de Melo Saraiva, na mesma cidade, é mais um exemplo da integridade que uma estrutura arquitetônica – e entendamos aqui o termo no seu sentido mais amplo – pode construir.

Formado na FAU Mackenzie em 1955, onde desde 1992 também é professor, o arquiteto relata com entusiasmo o curto período de 14 meses em que a Esaf foi concebida e construída entre os anos de 1973 e 1974. Considerando a sua escala e o compromisso de tê-la finalizada em um prazo tão exíguo, visitá-la mais de 40 anos depois evidencia a inteligência e a maestria com as quais o projeto foi concebido, permitindo construí-lo com uma agilidade e uma solidez que somente uma ideia dotada de um conhecimento construtivo rigoroso sobre sua materialidade tornaria possível.

A Escola se localiza fora do plano-piloto, no setor de Mansões Urbanas Dom Bosco, sudeste do Eixo Monumental. Criada para aprofundar e aperfeiçoar os conhecimentos teóricos e práticos dos funcionários do Ministério da Fazenda, buscou-se um espaço que acolhesse seu extenso programa respondendo à busca por um trabalho colaborativo entre alunos, professores e funcionários.

É no modo como se insere no sutil declive original do terreno que encontramos o primeiro fundamento dessa estrutura arquitetônica. A construção parece se fundir ao território. Não encontramos nela uma base ou qualquer outro elemento insinuador de um edifício, parecendo se levantar do solo pela ampla escala e leveza de seu desenho.

Temos aqui uma das mais importantes grandes coberturas construídas nesse período. Com 300 m de comprimento e 65 m de largura, a Esaf se revela imponente em sua grandeza. A extensão ao longo da qual contemplamos a sucessão de seus expressivos pórticos nos revela sua escala arquitetônica: uma construção monumental paralela ao solo que se eleva a 6 m de seu plano primário. Aqui vemos reafirmada a mesma poesia estrutural que tanto nos faz encantar a arquitetura de Oscar Niemeyer em Brasília: a leveza do encontro entre arquitetura e paisagem pelos pontos de apoio de suas estruturas.

A sua estrutura principal é composta de um sistema de pilares, vigas e nervuras de concreto armado, suficientemente dimensionado para abrigar todos os espaços previstos. Suas nervuras, espaçadas a cada 1,25 m, vencem vãos de 15 m e 5 m de balanço, alternando entre situações abertas e fechadas, dependendo a que atividade se destina seu interior.

Seus arcos horizontais configuram os elementos de maior expressividade estrutural e plástica. São estes nove arcos de concreto armado, em seu estado bruto e com 30 m de vão que, sombreando o interior da construção, incitam-nos a adentrar e a descobrir a instituição ali debaixo abrigada. Cruzando seus pórticos, descobrimos que é uma dimensão interna que prevalece em seu edifício, reforçada pela luz que invade suas bordas e suas pérgolas, responsáveis pelas sombras tão vitais àquelas condições climáticas.

As calçadas resguardadas da Esaf, com 10 m de largura, são pautadas pelo ritmo de seus pórticos, que alternam seu contato com o solo natural e o grande espelho d’água na plataforma de chegada. Estes passeios permeados por jardins se tornam galerias de transição entre exterior e interior que, por mais imersos que estejamos em seu espaço, sempre nos permite a apreensão da planície na qual estamos inseridos.

DANIEL CORSI. arquiteto pela FAUMackenzie em 2003 e professor dessa mesma instituição desde 2010. Mestre pela FAUUSP em 2012. Sócio-fundador do escritório Corsi Hirano Arquitetos

POR: DANIEL CORSI

Giancarlo Mazzanti projeta escola suspensa com estrutura metálica e fachada em malha de alumínio, na Colômbia

Giancarlo Mazzanti projeta escola suspensa com estrutura metálica e fachada em malha de alumínio, na Colômbia

O terreno em declive debruça-se sobre o leito de um rio que cruza a cidade de Marinilla. Na área mais próxima da várzea, as quadras de esporte do Unidad Deportiva Ramòn Emilio Arcila ocupam uma área terraplenada, enquanto os ginásios e as salas do Coliseo Municipal – principal estádio da cidade – posicionam-se no topo do lote. É na borda do talude que separa esses dois níveis e equipamentos que está o Parque Educativo de Marinilla.

Uma ponte conecta áreas de circulação externas e públicas do parque circundante ao novo edifício, que ora está em balanço ora entre colunas e pilotis. Por ali também se pode acessar o parque em sua área voltada ao platô das quadras esportivas. A entrada do edifício, porém, organiza-se no nível da área edificada do Coliseo, e possui uma planta que se abre como um W, em zigue-zague – a partir desse acesso surge a circulação quase simétrica que conduz os usuários às salas de aula e demais ambientes da escola, como áreas administrativas. “A estrutura é um ponto fundamental do partido formal. Foi concebida como um esqueleto aparente que busca marcar presença, mas sem ser invasiva – não apenas pela uniformidade cromática, mas pela harmonia entre a pele do edifício e sua armação”, salienta o arquiteto Giancarlo Mazzanti, titular do escritório responsável pelo projeto. Leia mais

Arquitetos do Metroquadrado projetam edifício de faculdade de arquitetura em Joinville, SC

Arquitetos do Metroquadrado projetam edifício de faculdade de arquitetura em Joinville, SC

O campus da Universidade Sociedade Educacional de Santa Catarina ocupa uma área de 63 mil m² na cidade de Joinville. Coube aos arquitetos do escritório catarinense Metroquadrado desenvolver o plano diretor urbano e viário da grande área, bem como o projeto da faculdade de arquitetura. Para desenvolver a construção de 3,7 mil m², os arquitetos se basearam no caráter industrial da cidade, e o resultado é urbano e contemporâneo. Apesar da ludicidade das cores vermelha e azul presentes na fachada, o projeto recorre a engenharias aparentes de lajes e instalações para compor um cenário didático a um edifício que se propõe a abrigar o ensino de arquitetura.

O volume possui planta em “L”: o centro articula auditório e circulação vertical, fincados no chão, enquanto as pernas formam dois blocos de três pavimentos suspensos por pilotis, de maneira a liberar uma grande área térrea revestida de granito e cimento queimado. As fachadas alternam composições com telhas metálicas tipo sanduíche, formando empenas cegas, e outras fachadas resolvidas com vidro laminado e alvenarias pintadas das cores da instituição de ensino. Leia mais