IAB lança manifesto pela preservação do Teatro Oficina e seu entorno

IAB lança manifesto pela preservação do Teatro Oficina e seu entorno

O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) aprovou em outubro a construção de duas torres de edifícios residenciais com 28 andares no terreno de propriedade do Grupo Silvio Santos ao lado do Teatro Oficina, na região do Bixiga, em São Paulo. A medida foi vista com “preocupação” pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), o Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos Brasil), a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo (Anparq), a seção brasileira do Comitê Internacional para Documentação e Conservação de Edifícios, Sítios e Bairros do Movimento Moderno (Docomomo Brasil) e o Instituto Lina Bo e P.M. Bardi.

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Teatro Oficina marca dissolução de limites entre ruína e transformação, entre atores e público e entre rua e palco

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A COBERTURA RETRÁTIL DO TEATRO OFICINA

Pensar no Teatro Oficina é confrontar-se com seu duplo significado histórico, de permanência e transformação. É o ensinamento de que o passado avança no tempo na forma de ruínas e vestígios. Roma é um exemplo universal desta teoria. E o que vale para a Cidade Eterna, enquanto macroescala, vale para o Teatro Oficina, enquanto microescala. Das sucessivas construções, demolições e até incêndio, as paredes-limite de tijolos de barro à vista, da década de 1920 e lastreadas de arcos romanos, marcam a permanência sobre a qual se apoia o projeto, democraticamente conduzido por Lina Bo Bardi e Edson Elito durante reuniões ocorridas entre a rua Jaceguay e a Casa de Vidro.

O conceito de rua que fosse palco partiu de um vislumbre do diretor José Celso Martinez Corrêa. Já Edson Elito optou pela demolição de toda a construção remanescente intramuros. Coube à Lina Bo Bardi fazer o croqui da plateia elevada, com balcões sobrepostos, piso de madeira, estrutura e guarda-corpo de tubos de aço desmontáveis.

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Escola Municipal de Astrofísica, em São Paulo: o restauro por Edson Elito em 2004

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O RENASCIMENTO DA ESCOLA MUNICIPAL DE ASTROFÍSICA

O projeto de arquitetura começa por uma pergunta: que partido adotar. Isto é, dadas as condicionantes (programa, sítio, recursos), quais seriam as respostas mais adequadas à solução do problema? Na Escola Municipal de Astrofísica, o arquiteto e professor da FAUUSP Roberto José Goulart Tibau delimitou um território mediante vigas perpendiculares a dois pilares-parede associados a uma planta livre com quatro apoios, enfatizando a transparência e o prolongamento visual determinados tanto pelos vãos estruturais sem laje quanto pela caixilharia das áreas cobertas. Balanços de laje no eixo transversal atenderam ao sombreamento das vedações de vidro. O edifício é um exemplar da arquitetura brutalista paulista, e harmoniza a força dos grandes elementos estruturais à leveza que delimitam.

A ideia de uma Escola de Astrofísica foi do professor Aristóteles Orsini, membro da Associação de Amadores de Astronomia de São Paulo, em 1949. Inaugurado em 1961, o edifício de astrofísica exigiu cuidados com o passar dos anos. Em 1992, foi tombado pelo Condephaat e pelo Conpresp.

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