Editorial: zonas de fronteira

GUSTAVO CURCIO

A clareza com que Jane Jacobs expôs as ideias antimodernas em Morte e Vida das Grandes Cidades – ainda na década de 1960 – parece perfeita meio século depois. “O uso misto é o caminho para garantir a pujança da cidade”, defendeu à época. Jacobs definiu conceitos-chave atemporais para o planejamento urbano, que nasceram da observação das regiões degradas de grandes cidades. Assim, chamou de zonas desertas de fronteira as áreas em torno de linhas que interrompem a conexão da cidade, como trilhos de trem e grandes avenidas.

Basta percorrer a região da Ceagesp, no bairro da Vila Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo, para entender o fenômeno urbano: à beira da Marginal Pinheiros, no perímetro do terreno de 700 mil m2 que abriga o entreposto paulistano, está o “deserto”. A chave para requalificar pontos da cidade como esse é, sem dúvida, a discussão.

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