Em detalhes: Edifício 1232, de Arquea Arquitetos em Curitiba

Em detalhes: Edifício 1232, de Arquea Arquitetos em Curitiba

CONDICIONANTES E LIMITES FORMAIS

Os objetivos projetuais de um pequeno empreendimento que fosse aconchegante, instigante e que pudesse se destacar pela proporcionalidade da forma e simplicidade arquitetônica foram adotados para a obra do Edifício 1232 do escritório Arquea Arquitetos. A diretriz de se construir de maneira mais gentil, aproximando a vida do prédio e a da cidade por meio da arquitetura também se fez presente.

O edifício resulta dos limites formais de um terreno que está em uma área bem valorizada da cidade, sob zoneamento ZR4. No local, são permitidos apenas empreendimentos residenciais, com coeficiente de aproveitamento máximo de 2 e taxa de ocupação com limite de 50%. Varandas de até 6 m² por unidade não entram no cálculo da taxa de ocupação nem no coeficiente de aproveitamento. Há ainda a exigência de recuo frontal de 5 m e altura menor ou igual a 10 m.

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Editorial: vida urbana

A cidade que se descortina no vão livre de um edifício revela o quanto a contribuição da arquitetura para qualificar os espaços urbanos pode ir além do perímetro do projeto. Tal inspiração serviu de mote ao Edifício 1232, residencial do escritório curitibano Arquea e que ilustra a capa desta edição. Com o térreo pontuado apenas por uma escada de acesso aos pavimentos superiores, o olhar de quem passa pela calçada atravessa todo o lote, criando um interessante diálogo com a cidade.

A obra confirma o quanto o trabalho do arquiteto se norteia pela ideia de que a vida acontece no tempo e no espaço e de que, se o tempo corre alheio a nós, o mesmo não ocorre com os espaços. Cabe a esses profissionais a função primordial de planejar o que ocorre entre uma construção e outra – mais precisamente, nos lugares onde parte significativa da vida se dá, por onde as pessoas andam, passeiam, chegam ao trabalho, buscam os filhos na escola, compram pão. A partir deste pensamento integrado, que coloca as questões urbanas no cerne da atividade arquitetônica, diluem-se os limites entre espaço público e privado, entre cidade e prédio, proporcionando uma combinação que enriquece a experiência do convívio e o fascínio que a paisagem pode exercer.

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