Ivo Giroto detalha a obra de Fabio Penteado e a preocupação do arquiteto em contribuir para a transformação social

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Dono de uma obra singular entre a produção canônica dos mestres da arquitetura moderna paulista, o arquiteto Fábio Moura Penteado desenvolveu uma produção formalmente variada, mas extremamente coerente no discurso, que trata a arquitetura como agente ativo de transformação social, em um país diverso e exuberante, porém injusto e desigual. Seus projetos sempre partiam do pressuposto de que o artefato construído pode contribuir no processo evolutivo da sociedade e da cidade, e a eloquência formal que transparece em suas propostas, das mais simples às mais complexas, está sempre condicionada a esse princípio.

Falecido há cinco anos, após mais de cinco décadas de uma carreira excepcional e plena de referências, sua arquitetura reflete uma rica trajetória vital e da abertura de seu caráter. A forte dimensão pública de seu trabalho é o elemento unificador de suas obras. Nelas, convivem a beleza rigorosa apreciada pelo grupo paulista e a sensualidade escultórica da arquitetura moderna carioca, além de abarcar a diversidade propositiva e formal presente no cenário internacional da época.

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Em detalhes: Edifício 1232, de Arquea Arquitetos em Curitiba

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CONDICIONANTES E LIMITES FORMAIS

Os objetivos projetuais de um pequeno empreendimento que fosse aconchegante, instigante e que pudesse se destacar pela proporcionalidade da forma e simplicidade arquitetônica foram adotados para a obra do Edifício 1232 do escritório Arquea Arquitetos. A diretriz de se construir de maneira mais gentil, aproximando a vida do prédio e a da cidade por meio da arquitetura também se fez presente.

O edifício resulta dos limites formais de um terreno que está em uma área bem valorizada da cidade, sob zoneamento ZR4. No local, são permitidos apenas empreendimentos residenciais, com coeficiente de aproveitamento máximo de 2 e taxa de ocupação com limite de 50%. Varandas de até 6 m² por unidade não entram no cálculo da taxa de ocupação nem no coeficiente de aproveitamento. Há ainda a exigência de recuo frontal de 5 m e altura menor ou igual a 10 m.

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Edifício de quatro andares projetado pelo Arquea em lote estreito de Curitiba combina vidro, elementos vazados e térreo livre

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Em um lote irregular de 7,5 m de frente que afunila até chegar a 4 m, o escritório Arquea, em Curitiba, conseguiu inserir um edifício de dois pavimentos e térreo livre em um total de 370 m2 de área construída. Para fugir da pequena largura, o arquiteto Fernando Caldeira de Lacerda, do Arquea, implantou a construção junto à rua, respeitando 5 m de recuo frontal, e liberou os fundos para criação de área verde e estacionamento. O potencial construtivo do terreno somado ao seu tamanho propiciou a criação de quatro apartamentos de um dormitório, sendo dois deles voltados para a rua e dois para o jardim, divididos em blocos unidos por passarelas de circulação. A construção foi resolvida com o uso de um sistema pré-fabricado de lajes painel, mais esbeltas. Elas funcionam de modo similar ao de uma laje maciça e permitem a ausência de vigas nas bordas frontal e posterior, o que torna a fachada visualmente mais leve. A estrutura resultou em um térreo livre e contínuo: o olhar de quem passa pela rua alcança o fundo do lote, criando uma relação de continuidade entre espaço público e privado.

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