Editorial: uma questão de tempo

É fato que o caos político e institucional no Brasil continua. Mas o tal “descolamento” entre economia e política parece dar sinais claros de que o país, independentemente do cenário dantesco de Brasília, tem de continuar a crescer. O setor da construção civil talvez tenha sido o mais judiado entre tantos que sofreram os impactos do torvelinho que assolou o país. É alento andar pelas ruas de São Paulo e enxergar os saudosos tapumes de aço cercando glebas para, enfim, erguer-se novos empreendimentos.

Já falei em edições passadas da oportunidade que nós, arquitetos, perdemos na época áurea do crescimento econômico, já há uns bons dez anos. Tivéssemos aproveitado a injecão sem precedentes de recursos no setor, teríamos revolucionado o mundo com novos modelos de arquitetura inteligente, sustentável, social. O bonde passou,perdemos a chance. Fizemos mais do mesmo.

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Museu da Casa Brasileira divulga vencedores do 31º Prêmio Design MCB

Museu da Casa Brasileira divulga vencedores do 31º Prêmio Design MCB

O Museu da Casa Brasileira (MCB), sob direção da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, anunciou os 54 selecionados do 31º Prêmio Design MCB, entre vencedores e menções honrosas. Nesta edição, 587 trabalhos se inscreveram na premiação.

Na categoria Construção, o objetivo era reconhecer os produtos necessários para o cotidiano de uma obra, mas que se destacassem de forma estética. O primeiro lugar ficou com a Torneira UP&Down, da CEA Design, por Marcio Kogan, Mariana Ruzante e Diana Radomysler. O segundo lugar foi para a Ducha Higiênica Despressurizada, da Deca – Duratex S.A., por Pedro Martins, Regis Carvalho Romera e Caio del Giorno Vasone. Já o terceiro lugar foi para a Coleção Escamas, da Santa Luzia, por Gabriel Freitas de Andrade, Paulo Biacchi, Marcelo Rosenbaum, Carolina Armelli e Adriana Benguela.

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Siegbert Zanettini, pioneiro na aplicação do aço, fala sobre atividade acadêmica e sua produção como projetista

Siegbert Zanettini, pioneiro na aplicação do aço, fala sobre atividade acadêmica e sua produção como projetista

O sorriso e a simpatia são os mesmos da época em que ele deixou a FAU-USP, após longa e profícua carreira acadêmica, em 2004. Treze anos depois, Siegbert Zanettini continua a todo vapor em seu escritório, no bairro da Vila Olímpia, em São Paulo. Para a comunidade do setor, ele é o projetista da reconhecida Escola Panamericana de Artes, na Avenida Angélica, também na capital paulista. Egresso da mesma instituição onde lecionou durante décadas, Zanettini é filho da escola modernista que consagrou a FAU-USP, mas nunca deixou de criticar o movimento que o formou. Ele quebrou paradigmas e foi pioneiro e inovador ao trabalhar a tecnologia da construção metálica no Brasil.

“Arquitetos não trabalham sozinhos. Se não sabe, pergunte. Se não conhece, busque quem conhece.” Defensor do conhecimento interdisciplinar entre arquitetura e engenharia civil, Zanettini propõe o resgate da formação híbrida e foi ferrenho defensor do curso de dupla formação, com a parceria FAU-USP e Escola Politécnica da USP, num movimento que resgata as origens do curso original. O arquiteto já construía de forma sustentável quando nem se pensava nesse conceito por aqui. Desenvolveu técnicas próprias, chamadas por ele mesmo de “corte e costura do aço”, para produzir, de maneira precursora, perfis metálicos. Hoje, com a construção metálica mais difusa pelo país, ele continua inovando, e quebra paradigmas ao erguer complexos hospitalares 100% de aço em curtíssimo espaço de tempo.

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Estão abertas as inscrições para o novo Prêmio PINI, que neste ano reconhecerá inovações tecnológicas, melhores obras e cases da indústria da construção

Estão abertas as inscrições para o novo Prêmio PINI, que neste ano reconhecerá inovações tecnológicas, melhores obras e cases da indústria da construção

Criado em 1996 para destacar os melhores fornecedores da construção, o Prêmio PINI reconheceu ao longo de mais de duas décadas os principais fabricantes de mais de 30 segmentos da indústria. A pesquisa realizada anualmente junto aos assinantes a pagamento das revistas da PINI dá lugar este ano a um novo formato. Em vez de uma avaliação do tipo share of mind, o novo Prêmio PINI passa a reconhecer as inovações tecnológicas e os melhores cases da indústria. As categorias Melhores Obras e Iniciativa Setorial de Destaque, incluídas em algumas edições, voltam a figurar neste ano. A escolha dos vencedores será feita por uma banca de premiação composta de líderes das principais entidades setoriais da construção.

“O novo regulamento permitirá identificar as empresas que investem em inovação e no atendimento ao cliente”, explica Mário Sérgio Pini, relações-institucionais da PINI. “Vamos conhecer os cases e as iniciativas que estão contribuindo para a melhoria da qualidade, da produtividade e do fomento tecnológico da construção”, completa. O diretor lembra também a expectativa de premiar grandes obras nos segmentos residencial, corporativo, institucional e de infraestrutura.

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Editorial: perdemos o timing

Assistimos ao maior fenômeno de empoderamento financeiro – mesmo que momentâneo e baseado em alicerces duvidosos – e desperdiçamos a oportunidade, como arquitetos, de criar algo novo, de fato, para a habitação de interesse social no Brasil

O professor e escritor indiano C. K. Prahalad, antes de lançar o livro A Riqueza na Base da Pirâmide, em 2003, concedeu entrevista à revista Exame. O pesquisador da Universidade de Michigan estudou 12 casos de empresas que obtiveram êxito nos negócios com o público que ele chamou de base da pirâmide. Dentre os objetos de análise, escolheu uma grande rede varejista de móveis e eletrodomésticos brasileira. Sobre a empresa, disse: “O fundador da companhia começou com a ideia de servir aos pobres. Estava à frente dos outros. Hoje, são mais de 300 lojas, que atendem a mais de 10 milhões de consumidores. A rede ajuda o consumidor a poupar e comprar. Também tem um sistema tecnológico sofisticado para apoiar o negócio”. Em seu livro, o pesquisador evidencia o papel importante, na economia brasileira, desse tipo de comércio e a relevância nas cifras totais do varejo do país. “Maior prova de que o consumidor de baixa renda valoriza marca é o caso dessa varejista, maior vendedora de produtos Sony no Brasil.” Com apelo aspiracional, a empresa tornou-se a maior do setor no país.

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Polêmico e independente, o arquiteto Mike Reynolds, criador do conceito Earthship, é conhecido pelos métodos construtivos nada convencionais que reutilizam materiais de descarte

Polêmico e independente, o arquiteto Mike Reynolds, criador do conceito Earthship, é conhecido pelos métodos construtivos nada convencionais que reutilizam materiais de descarte

O polêmico e independente arquiteto americano Mike Reynolds, criador do conceito Earthship de arquitetura sustentável, com o uso responsável dos recursos naturais e o desenvolvimento de relações humanas sustentáveis, esteve no Brasil nos dias 23 e 24 de março. Reynolds ministrou palestras em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, cidade onde desenvolverá a primeira Vila Sustentável Earthship. A vila engloba três planejamentos diferentes, que incluem um local de moradia para 54 pessoas da luta antimanicomial, uma escola de ensino fundamental para atender as 400 famílias do Assentamento Mário Lago e pelo menos outros quatro projetos da iniciativa privada.

As estruturas arquitetônicas desenvolvidas por Reynolds levam itens que normalmente são descartados, como latas de alumínio, garrafas plásticas e pneus usados. Além das edificações serem construídas de maneira radicalmente “verdes”, os projetos preveem que a energia elétrica e o fornecimento de água se mantenham em funcionamento independentemente do fornecimento externo. As casas aproveitam a energia solar e eólica, captam a água da chuva e da neve derretida. Há sistemas que utilizam uma horta com células botânicas para filtrar a água de uso cotidiano, além de produzir alimentos. Leia mais