Residência de descanso em Itatiba, interior de São Paulo, aproveita topografia do lote em proposta geométrica de implantação e projeto que privilegia a entrada da iluminação natural

Residência de descanso em Itatiba, interior de São Paulo, aproveita topografia do lote em proposta geométrica de implantação e projeto que privilegia a entrada da iluminação natural

A cobertura de madeira sobre o volume que integra estar e uma ampla cozinha americana parece flutuar sobre as paredes brancas. As tesouras de madeira, no perímetro da construção fechadas com vidro, tocam a superfície dos planos verticais em pontos específicos e são as responsáveis pela leveza da estrutura. A caixilharia branca de perfis esguios se abre para o verde do lote em desnível, localizado no interior de São Paulo, em Itatiba, no chamado Circuito das Frutas.

A residência foi construída para um casal na faixa de 60 anos, com filhos grandes. Na maior parte das vezes, é utilizada somente nos finais de semana, apenas pelo casal. “Os clientes queriam uma casa térrea, onde os quartos fossem integrados com a área externa, mas que tivesse certo respiro em relação à área social da casa”, conta Felipe Rassini, autor do projeto.

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Pesquisa de preços: teto-verde instalado em casa em Florianópolis, Santa Catarina

Pesquisa de preços: teto-verde instalado em casa em Florianópolis, Santa Catarina

Instalado sobre a laje impermeabilizada com manta asfáltica, o teto-verde é composto de espécies variadas. Destaque do projeto do escritório Pimont Arquitetura, em Florianópolis (SC), da edição 276 de aU, tem drenagem garantida por geocomposto e irrigação automática. Leia mais

Pesquisa de preços: estrutura metálica de aço carbono para o Rodoterminal Santa Bárbara D’Oeste (SP)

Pesquisa de preços: estrutura metálica de aço carbono para o Rodoterminal Santa Bárbara D’Oeste (SP)

A estrutura arqueada foi o ponto de partida do projeto conduzido pela Egis para o Rodoterminal Santa Bárbara D’Oeste, publicado na edição 274. Referência às antigas estações ferroviárias, os arcos (cinco, ao todo) foram possíveis graças ao material escolhido.

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Criar uma agradável atmosfera de praça foi a premissa de projeto de terminal de ônibus em Santa Bárbara D’Oeste, em São Paulo

Criar uma agradável atmosfera de praça foi a premissa de projeto de terminal de ônibus em Santa Bárbara D’Oeste, em São Paulo

O Rodoterminal Santa Bárbara D’Oeste é parte do Corredor Metropolitano Noroeste Vereador Biléo Soares, realização da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU), que liga Campinas a seis municípios próximos: Monte Mor, Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa, Americana e Santa Bárbara d’Oeste. Com 32,7 quilômetros de extensão e 7 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus, o corredor conta com paradas, estações de transferência e terminais que integram linhas metropolitanas e municipais.

Como em Santa Bárbara não havia rodoviária – apenas um ponto de ônibus improvisado para esse fim -, uma parceria com a prefeitura fez com que o terminal agregasse essa função, recebendo também as linhas intermunicipais. Convocados a criar o cenário que seria palco de tantas partidas e chegadas, encontros e despedidas, os arquitetos da Egis, empresa de engenharia vencedora da licitação para a realização do trecho do corredor que engloba Nova Odessa, Americana e Santa Bárbara d’Oeste, conceberam o projeto em razão do fluxo dos veículos e outras particularidades funcionais, mas também levaram em consideração um viés humanizado, com o intuito de oferecer a melhor experiência possível ao usuário. Outra condicionante importante foi o fato de se tratar de uma obra pública, o que exigiu a adoção de soluções econômicas, que se encaixassem no orçamento disponível, e o atendimento de um prazo justo: cerca de um ano e meio para a conclusão da obra.

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Cobertura retrátil criada por Gustavo Correia Utrabo e Pedro Lass Duschenes para o vão central preserva a arquitetura original do Mercado Público de Florianópolis

Cobertura retrátil criada por Gustavo Correia Utrabo e Pedro Lass Duschenes para o vão central preserva a arquitetura original do Mercado Público de Florianópolis

A nova cobertura do vão central do Mercado Público de Florianópolis, SC, foi projetada pelos arquitetos Gustavo Correia Utrabo e Pedro Lass Duschenes para interferir minimamente no conjunto arquitetônico original, tombado como patrimônio cultural municipal em 1984. Sustentada por apenas duas colunas metálicas, a cobertura de duplo balanço, elevada nas extremidades, protege os usuários da chuva e do sol intenso sem bloquear a vista das fachadas internas do mercado. Em vez de telhas, foram empregadas membranas opacas brancas de poliéster, que se retraem em momentos oportunos, como em noites estreladas ou quando o clima está agradável.

O projeto de Utrabo e Duschenes foi o grande vencedor do concurso nacional do vão central do Mercado Público de Florianópolis, promovido em 2013 pelo Instituto de Planejamento Urbano (Ipuf), em parceria com o Instituto dos Arquitetos do Brasil de Santa Catarina (IAB-SC). A pouca interferência do elemento no mercado foi um dos aspectos enaltecidos pelo júri, que também elogiou o sistema de retração das membranas, que garante diversos graus de luminosidade e conforto térmico.

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A Grande cobertura da ESAF (Escola de Administração Fazendária)

A Grande cobertura da ESAF (Escola de Administração Fazendária)

Pedro Paulo de Melo Saraiva . Brasília, DF . 1973/1974

SOMBRA NA GRANDE COBERTURA
Dentre tantos monumentos construídos em Brasília, é imprescindível reconheceremos aqueles que, além de inaugurar um novo lugar, também foram capazes de concretizar novas fronteiras na arquitetura. Junto a isso, se compreendemos que as relações entre arquitetura e construção são capazes de originar sínteses admiráveis como as que encontramos na Catedral de Oscar Niemeyer ou no Hospital Sarah Lago Norte de João Filgueiras Lima (Lelé), ambas em Brasília, a Escola de Administração Fazendária (Esaf) de Pedro Paulo de Melo Saraiva, na mesma cidade, é mais um exemplo da integridade que uma estrutura arquitetônica – e entendamos aqui o termo no seu sentido mais amplo – pode construir.

Formado na FAU Mackenzie em 1955, onde desde 1992 também é professor, o arquiteto relata com entusiasmo o curto período de 14 meses em que a Esaf foi concebida e construída entre os anos de 1973 e 1974. Considerando a sua escala e o compromisso de tê-la finalizada em um prazo tão exíguo, visitá-la mais de 40 anos depois evidencia a inteligência e a maestria com as quais o projeto foi concebido, permitindo construí-lo com uma agilidade e uma solidez que somente uma ideia dotada de um conhecimento construtivo rigoroso sobre sua materialidade tornaria possível.

A Escola se localiza fora do plano-piloto, no setor de Mansões Urbanas Dom Bosco, sudeste do Eixo Monumental. Criada para aprofundar e aperfeiçoar os conhecimentos teóricos e práticos dos funcionários do Ministério da Fazenda, buscou-se um espaço que acolhesse seu extenso programa respondendo à busca por um trabalho colaborativo entre alunos, professores e funcionários.

É no modo como se insere no sutil declive original do terreno que encontramos o primeiro fundamento dessa estrutura arquitetônica. A construção parece se fundir ao território. Não encontramos nela uma base ou qualquer outro elemento insinuador de um edifício, parecendo se levantar do solo pela ampla escala e leveza de seu desenho.

Temos aqui uma das mais importantes grandes coberturas construídas nesse período. Com 300 m de comprimento e 65 m de largura, a Esaf se revela imponente em sua grandeza. A extensão ao longo da qual contemplamos a sucessão de seus expressivos pórticos nos revela sua escala arquitetônica: uma construção monumental paralela ao solo que se eleva a 6 m de seu plano primário. Aqui vemos reafirmada a mesma poesia estrutural que tanto nos faz encantar a arquitetura de Oscar Niemeyer em Brasília: a leveza do encontro entre arquitetura e paisagem pelos pontos de apoio de suas estruturas.

A sua estrutura principal é composta de um sistema de pilares, vigas e nervuras de concreto armado, suficientemente dimensionado para abrigar todos os espaços previstos. Suas nervuras, espaçadas a cada 1,25 m, vencem vãos de 15 m e 5 m de balanço, alternando entre situações abertas e fechadas, dependendo a que atividade se destina seu interior.

Seus arcos horizontais configuram os elementos de maior expressividade estrutural e plástica. São estes nove arcos de concreto armado, em seu estado bruto e com 30 m de vão que, sombreando o interior da construção, incitam-nos a adentrar e a descobrir a instituição ali debaixo abrigada. Cruzando seus pórticos, descobrimos que é uma dimensão interna que prevalece em seu edifício, reforçada pela luz que invade suas bordas e suas pérgolas, responsáveis pelas sombras tão vitais àquelas condições climáticas.

As calçadas resguardadas da Esaf, com 10 m de largura, são pautadas pelo ritmo de seus pórticos, que alternam seu contato com o solo natural e o grande espelho d’água na plataforma de chegada. Estes passeios permeados por jardins se tornam galerias de transição entre exterior e interior que, por mais imersos que estejamos em seu espaço, sempre nos permite a apreensão da planície na qual estamos inseridos.

DANIEL CORSI. arquiteto pela FAUMackenzie em 2003 e professor dessa mesma instituição desde 2010. Mestre pela FAUUSP em 2012. Sócio-fundador do escritório Corsi Hirano Arquitetos

POR: DANIEL CORSI