Técnicas e tecnologias para implementar paredes verdes externas em edifícios residenciais e comerciais na cidade de São Paulo

Técnicas e tecnologias para implementar paredes verdes externas em edifícios residenciais e comerciais na cidade de São Paulo

A inclusão de paredes verdes na edificação é uma forma de trazer a natureza às grandes cidades que atualmente concentram muitos edifícios e poucas áreas verdes. Este artigo visa incentivar a utilização de jardins verticais externos e fachadas verdes em grandes centros urbanos como forma de melhorar a qualidade de vida da população e tem base em uma pesquisa, realizada em 2016, que analisou as diversas soluções de inclusão do verde em edificações residenciais e comerciais de oito projetos internacionais, oito projetos em São Paulo (SP) e um projeto de retrofit verde no Rio de Janeiro (RJ). O levantamento considerou todas as tipologias em paredes cegas e próximas às aberturas das edificações, fez a comparação entre as principais tipologias de paredes verdes e suas características foram avaliadas quanto ao desempenho. O trabalho também incluiu sete entrevistas junto a profissionais da área que atuam na capital paulista.

INTRODUÇÃO

As paredes verdes (green walls) dividem-se em Jardins Verticais ou Paredes Vivas (living walls) e Fachadas Verdes (green facades). (MANSO; CASTRO-GOMES, 2015).

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Prêmio internacional reconhece projetos brasileiros que melhoram a cidade para a primeira infância

Prêmio internacional reconhece projetos brasileiros que melhoram a cidade para a primeira infância

O Urban95 Challenge divulgou nesta terça-feira (1º) os 26 projetos vencedores do concurso que reconheceu ideias que melhoram as cidades para a primeira infância. Promovido pela Fundação Bernard van Leer (FBvL), os projetos selecionados, todos em pequena escala, receberão 460 mil euros para a realização. Estão entre os vencedores, três projetos brasileiros executados em Santos (SP), Uberaba (MG) e São Paulo.

Ao todo, foram recebidas inscrições de 151 projetos, de 18 países entre os cinco continentes. O painel de seleção contou com 22 membros do FBvL na primeira etapa e três consultores externos na segunda etapa, além do júri externo formado pelo fundador do KaBOOM!, Darell Hammond, o líder da unidade para juventude e modos de vida na UN-Habitat, Douglas Ragan, e o professor de planejamento urbano e regional na Universidade de Nairobi, Dr. Margaret Ngayu.

“Procuramos por ideias e conceitos que não tivessem sido muito testados antes, e que pudessem ter potencial para serem replicados em outros lugares. Não estávamos buscando, necessariamente, por implementações high-tech, mas por soluções tangíveis para problemas e necessidades cotidianos”, comentou o analista de pesquisa na área de Conhecimento para Política da Fundação Bernard van Leer, Ardan Kockelkoren.

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O que algumas cidades estão fazendo para alcançar a mobilidade urbana sustentável

O que algumas cidades estão fazendo para alcançar a mobilidade urbana sustentável

MARCOS VINÍCIUS BIGOLIN
do curso de engenharia civil do Centro Universitário Univates, em Lajeado (RS)

LUÃ CARNEIRO
do curso de engenharia civil do Centro Universitário Univates, em Lajeado (RS)


INTRODUÇÃO

A implantação de medidas e procedimentos que contribuam para a sustentabilidade em áreas urbanas tem reforçado a preocupação com o desenvolvimento sustentável em diferentes setores. A mobilidade urbana sustentável tem relação com os transportes e se dá por meio de uma busca pelo melhor conceito de desenvolvimento sustentável, visando a estratégias dentro de uma visão conjunta das questões econômicas, sociais e ambientais. O presente artigo científico tem como objetivo principal fazer uma revisão sobre o tema, buscando todas as informações necessárias para que seja possível fazer uma avaliação sobre a questão da mobilidade urbana sustentável.

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Hashim Sarkis, diretor de arquitetura do MIT, fala em entrevista para a AU

Hashim Sarkis, diretor de arquitetura do MIT, fala em entrevista para a AU

Hashim Sarkis é um arquiteto de fala calma, medida, pausada. O tom de voz, baixo, contrasta com a veemência de suas afirmações. Trata-se de pensatas e conclusões de quem lida com a prática – ele lidera um escritório com representação nos Estados Unidos e no Líbano, sua terra natal – ao mesmo tempo em que se dedica à pesquisa, ao ensino e à investigação. Diretor da escola de arquitetura e planejamento do Massachusetts Institute of Technology (MIT) desde 2105, depois de uma passagem por Harvard, onde se pós-graduou e obteve seu PH.D., Sarkis esteve em São Paulo no final de setembro, viajou a convite do Arq.Futuro, plataforma de discussão sobre cidades que articulou uma parceria entre a instituição americana e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. A pesquisa em conjunto será voltada à habitação e prevê uma série de desdobramentos ainda em análise. Em encontro com alunos brasileiros, ele se disse emocionado ao visitar o prédio desenhado por Vilanova Artigas (“Eu deveria me ajoelhar, essa é uma verdadeira Meca”) e, citando Shakespeare, frisou a importância de cada projeto buscar o infinito, ainda que se atenha a um espaço físico limitado. Profundo estudioso das cidades e das dinâmicas que regem sua organização espontânea, Sarkis se interessa por geografia, disciplina na qual enxerga uma complementaridade natural à arquitetura. Nesta entrevista, ele compartilha sua visão sobre cidades e espaços públicos, batendo na tecla de que não adianta mais insistir numa suposta oposição entre centro e periferia para abordar os problemas urbanos atuais. Sem fugir ao costume de observar tudo o que for possível nas metrópoles que visita, ele faz alguns contrapontos a questões tão paulistanas, a exemplo da abertura da avenida Paulista para pedestres aos domingos. “Não demonizo o carro. A chave está na convivência”, afirma.

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Editorial: ode à cidade

Dois edifícios residenciais na capital paulista mostram que há novas maneiras de construir na cidade seguindo as exigências do mercado imobiliário, mas com bons projetos de arquitetura. No meio de centenas de novos edifícios que repetem fórmulas e padrões, os arquitetos do UNA lograram erguer uma torre de concreto, mesclando robustez e delicadeza; estrutura e função. O Huma Klabin é uma ode à cidade, e faz com que os moradores nunca se esqueçam disso. A vista da urbe em várias camadas entra pelas aberturas do edifício inclusive no corredor de acesso aos apartamentos. Também em São Paulo, Lucas Bittar e Felipe Hsu projetaram o Amoreira, um edifício de linhas singelas, mas funcionais, revelando a verdade dos materiais e gentil com o entorno. Dois projetos publicados em detalhe nesta edição.

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Afuá: Uma cidade amazônica inteiramente construída sobre as águas, onde só a bicicleta tem vez

Afuá: Uma cidade amazônica inteiramente construída sobre as águas, onde só a bicicleta tem vez

1. Praça principal da cidade, à beira do rio Afuá. Em pelo menos três pontos da cidade foram construídas praças que servem de encontro e de palco para eventos maiores, com bares, lanchonetes, cafés, playgrounds e jardins

Em um cenário de muito calor, rios, marés e Floresta Amazônica, surge Afuá. A chamada “Veneza Marajoara” ou “Amsterdã dos Trópicos” nada tem de europeia. Um olhar mais atento revela uma realidade exótica, instigante e que pode nos ensinar lições e lançar desafios que a Europa nunca teria sido capaz.

Marajó fica no Estado do Pará e é a maior ilha flúvio-marítima do mundo, na Foz do Amazonas. A noroeste da ilha, em uma área próxima ao Amapá, localiza-se Afuá. A maneira mais comum de chegar à cidade é por barco, a partir de Macapá – trecho que numa voadeira leva aproximadamente duas horas. Entrecortada por rios, é uma área alagada, com vegetação exuberante e forte influência de marés devido ao volume dos rios amazônicos e ao encontro com o Atlântico.

Afuá é inteiramente construída sobre o rio, entre braços de água labirínticos onde o Amazonas leva outros nomes. Afuá acontece como se as casas ribeirinhas amazônicas – que são de madeira sobre palafitas, vistas em qualquer parte da região – não quisessem mais ficar isoladas e se agrupassem para formar um tipo novo de cidade.

A CIDADE E A ÁGUA
Na área mais antiga de Afuá, onde estão o porto, a igreja e o hospital, há poucas ruas de concreto. Ali ficam construções de alvenaria, como o prédio mais alto da cidade, um hotel de três andares. O restante é de madeira, elevado do solo que é puro lodo – com mato e plantas que não param de crescer no clima ultrafértil amazônico. A cidade, inclusive, abraça a farta vegetação, incluindo árvores típicas da Amazônia.

A conexão com a água é crucial: Afuá pousa em cima de estruturas a aproximadamente 1,5 m do terreno, permitindo o alagamento do seu subsolo. Ruas e espaços públicos acompanham este desnível. Isso permite que a cidade lide não só com as mudanças nas marés, que acontecem diariamente, mas também com as estações de chuvas e cheias. Áreas mais internas, onde há pequenos córregos ou igarapés, são contornadas pelas estruturas de madeira, mostrando que apesar da ocupação pouco ordenada, há regras que são mantidas, sendo a principal delas a convivência com a água.

2. Ruas típicas de Afuá, com piso de madeira. A natureza faz parte da cidade e da vida dos moradores, e automóveis são proibidos. Algumas casas de Afuá possuem pontes que ligam cada unidade às vias de circulação públicas. Numa época de seca, cada casa parece ter seu próprio jardim

Outra regra de Afuá é a proibição de carros e de motos, por lei municipal. Como o nível térreo é construído e apoiado em estruturas de madeira sobre a várzea, somente a circulação de bicicletas é viável. Afuá tem uma escala própria. A ausência de automóveis confere outros sons e odores à cidade, fazendo dela uma experiência sensorial nova, que casa de um jeito especial com o calor e a umidade amazônicos. Com aproximadamente 40 mil habitantes e 15 mil bikes, a cidade é, de fato, uma gigante ciclovia de madeira, sem separações entre ciclistas e pedestres.

A onipresença da bicicleta fez com que os moradores passassem também a adequar este objeto às necessidades urbanas. Há muita customização criativa, com bikes transformadas em veículos que só existem ali: vendedores e carregadores possuem uma base acoplada na frente da bicicleta, numa espécie de triciclo com lugar para expor os produtos ou transportar mercadorias; os bicitáxis são duas bikes unidas com mais dois lugares para passageiros, e cobertura para o sol. Várias bicicletas acoplam sistema de som e ora estão anunciando, ora levando pessoas para a agitação de sábado à noite. Ambulâncias e bombeiros assemelham-se aos táxis, mas com detalhes diferentes.

ESPAÇOS PÚBLICOS E SEMIPÚBLICOS
No inverno amazônico, época das chuvas, a cidade fica alagada e muitas soluções vistas na época da seca irão fazer sentido. Como as casas estão geralmente a uma pequena distância da rua de madeira, e como não há calçadas, há uma espécie de “ponte” ligando a rua com cada casa, que podem conter portões (pouco úteis na seca, mas que dão uma graça pitoresca).

O espaço público de Afuá é a rua: tudo acontece nas vias de madeira que se interligam para formar a cidade, circundando árvores e riachos. Elas são estreitas, têm sempre movimento, gente passando a pé ou de bicicleta, vendedores ou crianças brincando. Em pelo menos três pontos de Afuá foram construídas praças que servem de encontro e de palco para eventos maiores. Nestas praças há bares, lanchonetes, cafés, playgrounds e jardins. Em uma delas há uma quadra de esportes coberta, pública, e um palco – também há sessão de cinema ao ar livre.

Há, ainda, outra tipologia de espaço público: pequenas estruturas com pérgolas, vegetação e bancos, que parecem uma espécie de mirante ou terraço, e servem como pequenas praças. As próprias casas complementam o espaço público – quase todas têm varandas, o que faz delas extensão das ruas, espaços de transição que ajudam a fortalecer a vida da cidade. A pista de pouso do aeroporto de Afuá, pouco usada para este fim, é tomada por crianças no final da tarde, hora em que o sol abranda e é possível empinar pipas ou jogar bola na pista cercada por terrenos baldios.

3. Estruturas com pergolados formam mini-praças existentes por toda a cidade

CIDADE SUSTENTÁVEL OU FAVELA?
Afuá parece ser um cenário idílico numa época em que se reflete sobre soluções sustentáveis e o futuro do planeta. No entanto, a cidade não foi planejada levando em conta ideais sustentáveis. A solução vernacular, embora impecável em muitos aspectos, não oferece respostas a muitos problemas atuais.

Um deles é a produção de lixo. Teoricamente, estando isolada, menos recursos industrializados chegariam a Afuá. Mas há barcos diários partindo dali para Macapá e não é visível a falta de nada, nem de nenhuma tecnologia. A partir do nível térreo, circulável, é visível o acúmulo de resíduos na parte alagável.

Há uma questão mais grave: a proximidade da água facilita contaminações e isso torna necessária a atenção com o lixo eletrônico, hospitalar e outros tóxicos. O tratamento adequado não é simples neste contexto. Em Afuá, crianças jogam bola ao lado do lixão a céu aberto, numa área ainda dentro da cidade e bem próxima à margem de um braço de rio maior. Lixo é um desafio.

Preocupações também graves são as relacionadas ao saneamento básico e à água para consumo. A rede de esgoto é ainda inexistente e sua estrutura física não possibilita a construção de fossas. Esses resíduos, portanto, são lançados diretamente na várzea, que é invadida pelos rios. Existe um tratamento para a água distribuída, o qual nem sempre parece ser suficiente. As pessoas mais carentes não fazem parte da rede de distribuição, acabando por consumir água diretamente dos rios, um risco grande.

Outra questão é a forma como se dá o crescimento da cidade. Mais urgente do que a discussão sobre um plano de expansão para Afuá em terras de mata intocada, é o planejamento e a fiscalização sobre a extração das madeiras que constroem a cidade.

4. A proximidade coma água faz parte do cotidiano dos moradores de Afuá. O que é uma vantagem traz, também, alguns problemas: a falta de um plano de gerenciamento do lixo acaba contaminando o rio

FUTUROS POSSÍVEIS
Dependendo das políticas locais, em um futuro não muito distante Afuá pode ser símbolo de um fracasso. Como outras cidades amazônicas, se não houver mais atividades rentáveis, se esgotarem-se seus recursos (açaí, camarões, madeiras e palmitos) ou se as mudanças climáticas afetarem demais seu território, Afuá pode se tornar uma cidade fantasma. Aconteceu, por exemplo, com Velho Airão, cidade no rio Negro próxima a Manaus, que faliu junto com a economia do látex.

Algumas medidas urgentes, somadas à educação e ao impulso de um turismo sustentável, poderiam tornar a cidade um exemplo a ser seguido na Amazônia, já que os desafios que enfrenta são comuns num território que é imenso. Afuá poderia ser a tentativa brasileira que deu certo de cidade adaptada à natureza local – uma natureza bastante singular, amazônica, dominante e que dita outras regras. Ensinaria assim, de um jeito simples e inesperado, como construir um planeta mais sustentável. Mas talvez antes disso Afuá desapareça na foz do Amazonas e, na pior das hipóteses, não sobre nada para contar esta história.

POR: ANDREA BANDONI FOTOS: ANDREA BANDONI E FRANCISCO VELOSO