Escola de artes criativas traça intercâmbio entre design e arquitetura a fim de aprimorar os projetos arquitetônicos a partir da valorização artística do desenho

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O processo de projeto é basicamente o acelerador de melhoramentos da construção. Na Escola Britânica de Artes Criativas (Ebac), instituição de nome britânico com sede em Moscou – e que abriu filial em São Paulo recentemente – o arquiteto Bruno Simões coordena um curso de especialização em desenho arquitetônico que pretende revolucionar a maneira como encaramos os processos de representação, e, consequentemente, os resultados espaciais deste processo.

Como funciona a especialização da Ebac?
BRUNO SIMÕES O curso surgiu para aproximar a linguagem do desenho arquitetônico à linguagem do design gráfico e das artes plásticas. A Ebac é basicamente uma escola de design: industrial, gráfico, ilustração, animação e cinema digital. Em Moscou é muito centrada nos processos digitais em si, mas aqui estamos num momento anterior ao domínio tecnológico, queremos antes entender essas novas áreas e posicioná-las corretamente no mercado. O curso de visualização arquitetônica foi montado para suprir esta lacuna.

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O artista norte-americano Richard Artschwager (1923-2013) disse certa vez: “Se você se senta nela, então é uma cadeira. Mas se você anda ao redor e olha para ela, então é uma escultura”. A afirmação também se aplica ao trabalho do artista norueguês baseado na Dinamarca Magnus Pettersen. Ele esteve no Brasil entre janeiro e março deste ano a convite do re.de.sign, um programa de residência artística idealizado pelo arquiteto Bruno Simões para atrair jovens designers internacionais ao País. Apropriando-se da linguagem arquitetônica, Pettersen explora as qualidades do concreto como matéria-prima e segue uma fórmula de repetições geométricas para criar esculturas cujo aparente rigor minimalista só é interrompido por intervenções coloridas dispostas sobre a superfície de cimento. São justamente essas misturas cromáticas de resultado imprevisível que tornam cada peça única. Deste processo criativo surgem mesas, cadeiras, mancebos e esculturas.

É nesse ponto que a experiência em São Paulo causou uma profunda transformação em sua obra – à brutalidade do concreto se associaram cores ainda mais fortes e desgovernadas enquanto formas orgânicas em aço surgiram de orifícios na estrutura. Nosso tropicalismo e joie de vivre causaram um evidente impacto na mentalidade nórdica do rapaz. As novas peças são reflexo direto da experiência numa cidade caótica e de contrastes onde, sob o horizonte de concreto, pessoas de todos os tipos circulam por calçadas irregulares que mudam a todo instante de cor e textura enquanto árvores rompem ruas e muros numa espécie de batalha por espaço.

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