Projeto da nova sede de sala teatral catalã mantém características espaciais da construção original e busca unidade visual entre o antigo e o novo

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Quando o dramaturgo catalão Toni Casares deparou com o antigo edifício da cooperativa de trabalho Paz y Justicia, em Barcelona, na Espanha, sabia que aquela construção seria ideal para acolher a nova sede da Beckett, sala teatral fundada em 1989, e dirigida por ele desde 1997. As dimensões generosas do prédio, situado no bairro de El Poblenou, fascinaram Casares, que não se intimidou com o estado de abandono em que se encontrava a edificação, em desuso desde 1980, quando a cooperativa parou de funcionar. O diretor queria, dentre outras coisas, que a memória do edifício fosse preservada pelo projeto de arquitetura feito pelo escritório Flores y Prats.

Vencedores de um concurso público promovido pela prefeitura de Barcelona para o projeto da Sala Beckett – Obrador Internacional de Dramatúrgia, em 2010, os arquitetos Ricardo Flores e Eva Prats, sócios do Flores y Prats, mantiveram as características espaciais da construção original, erguida em 1924, restaurando elementos como vitrais, cornijas e rosáceas. “As cicatrizes que o tempo havia deixado nas paredes, nos tetos e nos pisos deveriam se somar às ações feitas por nós, numa superposição de elementos de diferentes épocas, sem que houvesse uma distinção nítida entre o que é velho e o que é novo”, afirma a dupla.

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Editorial: um retrofit da profissão

Gustavo Curcio

Trabalhar arquitetonicamente a memória tem sido o desafio de muitos arquitetos no Brasil e no exterior. Embora filhos de um país jovem – que tem dificuldade de lidar com um patrimônio “recente” -, temos visto experiências interessantes de intervenções em edifícios históricos. O trabalho do retrofit em escala monumental parece mais óbvio, como é o caso do Auditório Araújo Vianna, que permanece uma obra aberta em solo gaúcho e ilustra as páginas de uma reportagem desta edição.

“Por muito tempo, perdura entre os homens a postura de lidar livremente com os artefatos arquitetônicos do passado, no sentido de adaptá-los às exigências do presente, sem impor qualquer limitação às alterações ou mesmo às demolições.” (Eneida de Almeida*)

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Assim como a Nova York retratada por Woody Allen em Manhattan (1979), Barcelona é a colagem de muitas imagens – românica, pulsante, turística, metrópole-metáfora das transformações da cultura contemporânea. E um pouco mais. A cidade berço da vanguarda na Espanha continua com visões muito próprias do que é viver a contemporaneidade. É capaz de misturar, sem qualquer problema, seu passado romano com o até hoje contemporâneo plano Cerdà – que, a partir de 1855, derrubou muralhas e expandiu a área urbana de olho no futuro.

A cidade que no século 19 era conhecida como a Manchester do sul europeu, em virtude de seu portentoso parque industrial têxtil, passou, nas décadas antes da virada do milênio, a ter bairros industriais esvaziados e a ver sua economia migrando da produção de bens primários para os de serviços. Leia mais