Editorial: um retrofit da profissão

Gustavo Curcio

Trabalhar arquitetonicamente a memória tem sido o desafio de muitos arquitetos no Brasil e no exterior. Embora filhos de um país jovem – que tem dificuldade de lidar com um patrimônio “recente” -, temos visto experiências interessantes de intervenções em edifícios históricos. O trabalho do retrofit em escala monumental parece mais óbvio, como é o caso do Auditório Araújo Vianna, que permanece uma obra aberta em solo gaúcho e ilustra as páginas de uma reportagem desta edição.

“Por muito tempo, perdura entre os homens a postura de lidar livremente com os artefatos arquitetônicos do passado, no sentido de adaptá-los às exigências do presente, sem impor qualquer limitação às alterações ou mesmo às demolições.” (Eneida de Almeida*)

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Ícone do Parque Farroupilha e da arquitetura moderna brasileira, Auditório Araújo Vianna tem retrofit do MooMAA implementado parcialmente

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De anfiteatro ao ar livre a uma das mais modernas salas de espetáculos da capital gaúcha, o Auditório Araújo Vianna, no Parque Farroupilha, é dono de uma respeitável trajetória de mais de meio século, entrelaçada com a memória da própria cidade.

Concebido durante o movimento de vanguarda da arquitetura moderna brasileira, na década de 1950, o projeto nasceu das pranchetas dos arquitetos Carlos Maximiliano Fayet e Moacyr Moojen Marques, então funcionários da Divisão de Urbanismo da Secretaria de Obras da prefeitura de Porto Alegre. Decretada a desativação da primeira versão do auditório, que ficava na Praça da Matriz (veja a linha do tempo), a dupla teve como missão colaborar com a escolha de um local para a sua implantação, desenvolver o projeto arquitetônico e administrar a obra.

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