Editorial: ode à cidade

Dois edifícios residenciais na capital paulista mostram que há novas maneiras de construir na cidade seguindo as exigências do mercado imobiliário, mas com bons projetos de arquitetura. No meio de centenas de novos edifícios que repetem fórmulas e padrões, os arquitetos do UNA lograram erguer uma torre de concreto, mesclando robustez e delicadeza; estrutura e função. O Huma Klabin é uma ode à cidade, e faz com que os moradores nunca se esqueçam disso. A vista da urbe em várias camadas entra pelas aberturas do edifício inclusive no corredor de acesso aos apartamentos. Também em São Paulo, Lucas Bittar e Felipe Hsu projetaram o Amoreira, um edifício de linhas singelas, mas funcionais, revelando a verdade dos materiais e gentil com o entorno. Dois projetos publicados em detalhe nesta edição.

Leia mais

Felipe Hsu e Lucas Bittar projetam o edifício residencial Amoreira, em São Paulo

Felipe Hsu e Lucas Bittar projetam o edifício residencial Amoreira, em São Paulo

Para descrever o que faz o edifício Amoreira se destacar dos demais empreendimentos residenciais da cidade, é necessário falar sobre os limites da arquitetura, onde termina a contribuição dos arquitetos no desenho das cidades e onde predomina o discurso do mercado imobiliário. São pouquíssimos os exemplos que se alinham com a postura adotada no Amoreira: a de entender o discurso do mercado, aprender essa língua estrangeira para os arquitetos e, em vez de reiterar a arquitetura de arquitetos como exceção na cidade, saber propor algo novo dentro de sua própria linguagem.

Ao se aproximar da metrópole de São Paulo por avião, percebemos uma paisagem pouco atraente, repleta de edifícios altos, quase todos na cor bege pálida, da qual os arquitetos e críticos de arquitetura da cidade não se orgulham. Quando não são cópias industrializadas e grosseiras de motivos do passado, construções artificiais de uma suposta tradição neoclássica de um povo indígena, são inúmeras torres quase idênticas, numa geometria desconstruída, porém de uma mesmice sufocante. Seus materiais de revestimento normalmente são imitações baratas de outros: azulejos que imitam pedras; pastilhas que imitam tijolos; tintas e massas plásticas que imitam concreto armado aparente.

Leia mais