Estrutura mista: aço e concreto garantem a forma ousada do prisma proposto pelo escritório Dávila Arquitetura para a maior torre metálica do país

Estrutura mista: aço e concreto garantem a forma ousada do prisma proposto pelo escritório Dávila Arquitetura para a maior torre metálica do país

Detalhado em reportagem de capa da edição de março da revista Téchne (da Pini, que também publica aU), o ousado projeto estrutural que pôs de pé o recém-inaugurado Concordia Corporate Tower conseguiu viabilizar o movimento da planta em forma de estrela que se rotaciona no sentido do comprimento do edifício. “A opção por uma planta em formato de ‘estrela’, que se modifica gradualmente a cada andar e define a volumetria, não foi empírica. Cada uma das quatro fachadas de cortina de vidro apresenta um rasgo, que se movimenta verticalmente com uma suave inclinação. Durante a noite, esse efeito pode ser visto a longa distância graças ao sistema de iluminação em LED”, descreve a reportagem.

O embasamento do Concordia tem como elemento-chave a estrutura localizada entre o oitavo subsolo e o térreo, de concreto armado e protendido. O sistema de concreto armado tem trechos de vigas e lajes protendidas moldadas in loco. A partir do pavimento térreo, optou-se por estrutura mista de aço e concreto, incluindo um core (núcleo) rígido de concreto. “Essa solução permitiu concentrar a fundação do núcleo em área pouco maior do que a da sua projeção, como se fosse um prolongamento do próprio núcleo solo adentro”, explica o engenheiro Paulo Bedê, da Bedê Engenharia de Estruturas, responsável pelo projeto estrutural do Concordia.

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Cobertura translúcida sobre estrutura de aço revela as mudanças de cor do céu durante o dia e o projeto de luminotécnica à noite

Cobertura translúcida sobre estrutura de aço revela as mudanças de cor do céu durante o dia e o projeto de luminotécnica à noite

Típico terraço de cobertura de edifício residencial em São Paulo, o espaço que recebeu área gourmet e repaginação da piscina fica no bairro de Moema. Sem muitas possibilidades de uso, a área de 80 metros quadrados não tinha cobertura. O desafio colocado aos profissionais da Macro Arquitetos era o de transformar aquele grande vazio num espaço de permanência agradável, com área de churrasqueira. “O espaço inicial era um terraço vazio com piscina, exatamente como a construtora havia entregue, sem muitas possibilidades de uso, pois não havia cobertura e nem área de churrasqueira. A solicitação do cliente foi ter um espaço para receber amigos à noite e aos finais de semana, com uma pegada descontraída e contemporânea que tivesse elementos rústicos e aconchegantes. As exigências eram ter um espaço coberto para proteger da chuva e vento, mas que mantivesse a iluminação e a vista privilegiada da cobertura”, conta Carlos Duarte, responsável pelo projeto.

Para atender as necessidades dos clientes, a solução foi determinar uma área a ser coberta para receber a cozinha, a churrasqueira e o estar. A estrutura adotada foi de aço com acabamento corten com vedação de vidro, com aplicação de película para proteger do sol. Para criar barreiras para o vento foram desenhadas janelas laterais com possibilidade de abertura total. “Além do fechamento lateral, adotamos como uma exigência estrutural e de conforto pontos de abertura permanentes superiores, entre o fechamento lateral e a cobertura, para garantir a ventilação do local independentemente do fechamento lateral de vidro que estivesse sendo utilizado”, explica Duarte.

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Pavilhão com estufa para Parque Botânico é tema do Concurso CBCA para Estudantes de Arquitetura 2018

Pavilhão com estufa para Parque Botânico é tema do Concurso CBCA para Estudantes de Arquitetura 2018

O Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA) está com inscrições abertas para a 11ª edição do Concurso de Projeto em Aço para Estudantes de Arquitetura 2018, cujo tema é Pavilhão com Estufa para Parque Botânico. Podem participar equipes de, no mínimo, dois e, no máximo, quatro alunos, além de um professor orientador da sua faculdade.

O objetivo é promover o conhecimento do aço como componente de sistemas construtivos, incentivar a investigação em torno do seu enorme potencial, suas tecnologias e aplicações na construção, tais como em fundações, estruturas, vedações, coberturas, revestimentos e o seu desenvolvimento em uma concepção arquitetônica e estrutural apropriada.

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Siegbert Zanettini, pioneiro na aplicação do aço, fala sobre atividade acadêmica e sua produção como projetista

Siegbert Zanettini, pioneiro na aplicação do aço, fala sobre atividade acadêmica e sua produção como projetista

O sorriso e a simpatia são os mesmos da época em que ele deixou a FAU-USP, após longa e profícua carreira acadêmica, em 2004. Treze anos depois, Siegbert Zanettini continua a todo vapor em seu escritório, no bairro da Vila Olímpia, em São Paulo. Para a comunidade do setor, ele é o projetista da reconhecida Escola Panamericana de Artes, na Avenida Angélica, também na capital paulista. Egresso da mesma instituição onde lecionou durante décadas, Zanettini é filho da escola modernista que consagrou a FAU-USP, mas nunca deixou de criticar o movimento que o formou. Ele quebrou paradigmas e foi pioneiro e inovador ao trabalhar a tecnologia da construção metálica no Brasil.

“Arquitetos não trabalham sozinhos. Se não sabe, pergunte. Se não conhece, busque quem conhece.” Defensor do conhecimento interdisciplinar entre arquitetura e engenharia civil, Zanettini propõe o resgate da formação híbrida e foi ferrenho defensor do curso de dupla formação, com a parceria FAU-USP e Escola Politécnica da USP, num movimento que resgata as origens do curso original. O arquiteto já construía de forma sustentável quando nem se pensava nesse conceito por aqui. Desenvolveu técnicas próprias, chamadas por ele mesmo de “corte e costura do aço”, para produzir, de maneira precursora, perfis metálicos. Hoje, com a construção metálica mais difusa pelo país, ele continua inovando, e quebra paradigmas ao erguer complexos hospitalares 100% de aço em curtíssimo espaço de tempo.

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Editorial: uma questão de equilíbrio

Gustavo Curcio

Ao longo de minha carreira, tive a honra de conviver com grandes mestres da arquitetura. Dentre eles, meu primeiro professor de projeto, Siegbert Zanettini. Pioneiro no emprego do aço como alternativa ao concreto armado, o arquiteto rompeu com a lógica do movimento moderno e desenvolveu, na unha, a tecnologia da construção metálica no país. Zanettini soube, com maestria, equacionar sua expressiva produção como arquiteto com seu profícuo trabalho na academia. Grandes arquitetos, salvo exceções, transitam bem entre a universidade e o escritório. Talvez daí venham a inventividade e a atualização constantes desses profissionais híbridos.

Encontrar Zanettini quase 15 anos depois de ser seu aluno foi uma lição de que se manter ativo é para poucos. No auge de sua produção e inventivo como de costume, o arquiteto reforçou ideias que há tempos são defendidas como modelo de ensino da arquitetura: a reaproximação com as engenharias e a interdisciplinaridade são as chaves para o êxito na profissão.

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