Editorial: uma questão de equilíbrio

Gustavo Curcio

Ao longo de minha carreira, tive a honra de conviver com grandes mestres da arquitetura. Dentre eles, meu primeiro professor de projeto, Siegbert Zanettini. Pioneiro no emprego do aço como alternativa ao concreto armado, o arquiteto rompeu com a lógica do movimento moderno e desenvolveu, na unha, a tecnologia da construção metálica no país. Zanettini soube, com maestria, equacionar sua expressiva produção como arquiteto com seu profícuo trabalho na academia. Grandes arquitetos, salvo exceções, transitam bem entre a universidade e o escritório. Talvez daí venham a inventividade e a atualização constantes desses profissionais híbridos.

Encontrar Zanettini quase 15 anos depois de ser seu aluno foi uma lição de que se manter ativo é para poucos. No auge de sua produção e inventivo como de costume, o arquiteto reforçou ideias que há tempos são defendidas como modelo de ensino da arquitetura: a reaproximação com as engenharias e a interdisciplinaridade são as chaves para o êxito na profissão.

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Ateliê em Harvard: projeto e construção de abrigo em montanha

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Spela Vidernik e Rok Oman são de Ljubljana, na Eslovênia, e cursaram seus estudos de pós-graduação na celebrada Graduate School of Design, a GSD de Harvard. No segundo semestre de 2014, os dois foram os responsáveis por coordenar um ateliê com alunos de mestrado da GSD – em uma prática recorrente da universidade de trazer professores convidados para fazerem ateliês de projeto.

De onde veio a ideia de um ateliê como o Mountain Lodges?
Como a maioria dos estrangeiros que passa pelos Estados Unidos, percebemos que a totalidade das residências construídas naquele país são radicalmente ignorantes a respeito do lugar onde se situam. Percebendo isso, resolvemos fazer deste problema o eixo central do ateliê quando fomos convidados de volta a Harvard em 2014. Como chamar atenção para a necessidade de contextualização da habitação humana? Trabalhando com condições radicais onde o abrigo humano é forçado a adaptar-se ao lugar ou não servir para nada. Daí surgiu a ideia de um abrigo para montanhistas nos Alpes eslovenos. Por ter sido por décadas parte da antiga Iugoslávia e por ter ficado do outro lado da cortina de ferro, a Eslovênia é muito menos conhecida do que seus vizinhos Áustria e Itália, com quem divide os Alpes do leste.

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