Obcecado pela cultura digital, Guto Requena conta seus novos sonhos e projetos – de bancos de praça que revelam segredos a joias desenhadas pelas nossas emoções

Obcecado pela cultura digital, Guto Requena conta seus novos sonhos e projetos – de bancos de praça que revelam segredos a joias desenhadas pelas nossas emoções

Ciborgue vem da união das palavras “organismo” e “cibernético”. Guto Requena se declara um arquiteto ciborgue. Seu esforço consiste em, por meio da arquitetura e do design, buscar o que existe de humano na tecnologia. E vice-versa. Talvez por explorar esses novos campos e romper com antigos paradigmas, ele tenha se tornado um dos mais conhecidos e premiados arquitetos brasileiros no exterior. Representa a geração que deixou o modernismo duro de Oscar Niemeyer para trás.

Requena nasceu em Sorocaba, no interior paulista, no dia 27 de novembro de 1979. É formado em Arquitetura e Urbanismo pela USP, a mesma universidade onde concluiu seu mestrado (tema de sua dissertação: Habitar Híbrido – Interatividade e Experiência na Era da Cibercultura). Seu foco são as tecnologias digitais, os novos modos de vida, a memória afetiva e a compreensão da cultura brasileira.

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Arquiteta Juliana Vasconcellos e designer Matheus Barreto apresentam o aparador Ghost

Arquiteta Juliana Vasconcellos e designer Matheus Barreto apresentam o aparador Ghost

Desde que saiu das pranchetas da arquiteta Juliana Vasconcellos e do designer Matheus Barreto, o aparador Ghost vem excursionando por várias cidades brasileiras, com destaque em mostras de decoração e de design. A peça, de formas fluidas e aspecto escultural, faz parte de uma coleção produzida para a metalúrgica Mekal e que inclui também uma mesa de centro.

O aparador surgiu da necessidade de preencher um ambiente projetado pela jovem dupla de Belo Horizonte para uma mostra de decoração em 2015. O living da ocasião fazia clara referência às linhas orgânicas do modernismo brasileiro, em especial às criações do mestre Oscar Niemeyer. Para esse espaço, Vasconcellos e Barreto quiseram criar um mobiliário impactante, que atingisse a sofisticação por meio da simplicidade. Os croquis feitos à mão e depois renderizados receberam forte influência da escola futurista dos anos 1960 e 1970, movimento artístico associado a nomes como Verner Panton e Eero Saarinen e do qual a dupla é fã.

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Designer norueguês que participou de residência artística em São Paulo revela sua coleção de mobiliário

Designer norueguês que participou de residência artística em São Paulo revela sua coleção de mobiliário

O artista norte-americano Richard Artschwager (1923-2013) disse certa vez: “Se você se senta nela, então é uma cadeira. Mas se você anda ao redor e olha para ela, então é uma escultura”. A afirmação também se aplica ao trabalho do artista norueguês baseado na Dinamarca Magnus Pettersen. Ele esteve no Brasil entre janeiro e março deste ano a convite do re.de.sign, um programa de residência artística idealizado pelo arquiteto Bruno Simões para atrair jovens designers internacionais ao País. Apropriando-se da linguagem arquitetônica, Pettersen explora as qualidades do concreto como matéria-prima e segue uma fórmula de repetições geométricas para criar esculturas cujo aparente rigor minimalista só é interrompido por intervenções coloridas dispostas sobre a superfície de cimento. São justamente essas misturas cromáticas de resultado imprevisível que tornam cada peça única. Deste processo criativo surgem mesas, cadeiras, mancebos e esculturas.

É nesse ponto que a experiência em São Paulo causou uma profunda transformação em sua obra – à brutalidade do concreto se associaram cores ainda mais fortes e desgovernadas enquanto formas orgânicas em aço surgiram de orifícios na estrutura. Nosso tropicalismo e joie de vivre causaram um evidente impacto na mentalidade nórdica do rapaz. As novas peças são reflexo direto da experiência numa cidade caótica e de contrastes onde, sob o horizonte de concreto, pessoas de todos os tipos circulam por calçadas irregulares que mudam a todo instante de cor e textura enquanto árvores rompem ruas e muros numa espécie de batalha por espaço.

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James Delaney, diretor da BlockWorks, fala sobre como o lado lúdico e colaborativo dos games pode ser um caminho para a inovação arquitetônica

James Delaney, diretor da BlockWorks, fala sobre como o lado lúdico e colaborativo dos games pode ser um caminho para a inovação arquitetônica

Videogames já são parte da infância, adolescência e até maturidade de algumas gerações. Mas, quando olhamos para os jogos eletrônicos do ponto de vista arquitetônico, a interface ainda é novidade. Nas últimas décadas, diversos projetistas têm trabalhado para companhias de jogos para desenvolver mapas, edifícios e cidades onde as narrativas dos jogos se passam. O que era uma via de mão única está se transformando em via de mão dupla, com games cada vez mais usados como ferramentas de design e para a produção de espaços da vida real.

O trabalho do escritório internacional BlockWorks é um exemplo de como games podem se voltar à arquitetura e influenciá-la. Baseada em Londres, a empresa participa de projetos em vários países operando no ambiente virtual. Sua especialidade é o Minecraft, game em que o jogador pode se mover livremente e cujas paisagens, objetos e edificações são construídos a partir do uso de blocos. É uma espécie de Lego digital, com a vantagem de que é possível construir de dentro para fora, enriquecendo o projeto a partir de diferentes perspectivas.

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Artesão japonês aplica papel washi em painéis para projeto de Kengo Kuma em São Paulo

Artesão japonês aplica papel washi em painéis para projeto de Kengo Kuma em São Paulo

De aparente delicadeza e fragilidade, o papel washi japonês é uma matéria-prima cheia de potencialidades, capaz de se transformar em resistentes revestimentos e notáveis elementos arquitetônicos. Sua aplicação à arquitetura é uma das principais linhas de trabalho do artesão japonês Yasuo Kobayashi, que há 40 anos se dedica a explorar os limites desse material produzido com as fibras da casca de um tipo de amoreira oriental, o arbusto kozo. Entre julho e agosto, Kobayashi esteve no Brasil para ensinar como produzir painéis baseados no uso desse papel.

Participaram da oficina os trabalhadores envolvidos na construção da Japan House São Paulo, centro de cultura, tecnologia e negócios que será inaugurado na Avenida Paulista, em março do ano que vem. A Construtora Toda do Brasil é a responsável por reformar e adaptar o prédio já existente ao projeto arquitetônico de Kengo Kuma, um dos mais premiados arquitetos japoneses, com coautoria do escritório paulistano FGMF. Ao lado de Kobayashi, os arquitetos visitaram a obra e conversaram com técnicos e jornalistas para explicar os detalhes da parceria.

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Pavilhão de alumínio espelhado brinca com imagem de quem passa por parque público no Chile

Pavilhão de alumínio espelhado brinca com imagem de quem passa por parque público no Chile

Mais fino, mais alto, achatado, estendido. Foi com a incerteza da realidade provocada por meio da distorção do ambiente que Guillermo Hevia García e Nicolás Urzúa Soler quiseram brincar ao usar espelhos côncavos e convexos na instalação Tu Reflexión. Localizada em Santiago, no Chile, a estrutura ganhou o concurso YAP_Constructo 6 e foi erguida no Parque Araucano da cidade.

O YAP Constructo é uma das versões do The Young Architects Program (YAP), que acontece também em Nova York, Istambul, Roma e Seúl, e se trata de uma colaboração anual entre o Museu de Arte Moderna e o MoMa PS1. O objetivo do projeto vencedor dessa sexta edição, um pavilhão de lazer em espaço público, era que os usuários interagissem com o universo gerado pelas imagens distorcidas de pessoas e do lugar originadas a partir do formato dos painéis espelhados e de sua mescla quase plena com o ambiente. “Nós multiplicamos a quantidade de situações de reflexão e deformação para produzir uma interação pertencente ao mundo das ilusões, mais surreal do que real”, dizem os arquitetos. Para isto, o local escolhido também deveria ser minimamente lúdico: ter uma paisagem com vales, vegetação, flores e água, que, além de colaborar para a criação de um ambiente imaginário, naturalmente cativasse o público, já que a estrutura pode também ser suporte para eventos culturais. “Nós pudemos observar que um jeito de se medir uma boa cidade é pela quantidade de atividades e espaços de livre acesso de qualidade que ela oferece a seus habitantes”, completa a dupla, que procurou inserir o pavilhão nessa lógica.

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