Editorial: uma questão de tempo

É fato que o caos político e institucional no Brasil continua. Mas o tal “descolamento” entre economia e política parece dar sinais claros de que o país, independentemente do cenário dantesco de Brasília, tem de continuar a crescer. O setor da construção civil talvez tenha sido o mais judiado entre tantos que sofreram os impactos do torvelinho que assolou o país. É alento andar pelas ruas de São Paulo e enxergar os saudosos tapumes de aço cercando glebas para, enfim, erguer-se novos empreendimentos.

Já falei em edições passadas da oportunidade que nós, arquitetos, perdemos na época áurea do crescimento econômico, já há uns bons dez anos. Tivéssemos aproveitado a injecão sem precedentes de recursos no setor, teríamos revolucionado o mundo com novos modelos de arquitetura inteligente, sustentável, social. O bonde passou,perdemos a chance. Fizemos mais do mesmo.

Gustavo Curcio

“Tivéssemos aproveitado a injeção sem precedentes de recursos no setor, teríamos revolucionado o mundo com novos modelos de arquitetura inteligente, sustentável, social. O bonde passou, perdemos a chance. Fizemos mais do mesmo”.

Esta edição traz uma coletânea de quatro projetos corporativos alinhados ao conceito de Living Office. O desenho de escritórios tem sofrido mudanças na essência das diretrizes de projeto. Espaços compartilhados são coisa do passado. Agora, o espaço é um. O escritório é um. E, assim, a sinergia entre todas as áreas, de maneira simbólica e reunida numa única plataforma espacial ajuda na convergência das intenções e ações das empresas. A coletânea aqui
apresentada na seção Cenário Corporativo, mostra exemplos desse conceito em imóveis de 45 m2 a 200 m2.

Outro destaque da edição é a dupla de projetos residenciais, um em Itajaí (SC), outro em Itatiba (SP) que mostra, de maneiras diferentes, como o repertório faz a diferença para o trabalho do arquiteto. Releituras, muitas vezes, valem mais do que a tentativa frustrada de conceber algo totalmente novo. Todo arquiteto sonha no projeto que lhe dará um tão esperado “pulo do gato”. Mas “pulo do gato” de verdade é reprocessar experiências já testadas por nossos precursores e aprimorá-las. Afinal, a produção de conhecimento em nossa área, uma ciência social aplicada, sem dúvida deve usar lições do passado como base para o desenvolvimento de novos modelos.

Viva o passado, viva o presente, viva o futuro!

Boa leitura.