Palco de festival no Jockey Club de São Paulo tem projeto compartilhado por SuperLimão Studio, Guto Requena e Marko Brajovic

No mês de fevereiro, São Paulo sediou o Dekmantel Festival, um dos mais importantes eventos de música eletrônica do mundo. Após anos organizando festas, seus fundadores Thomas Martojo e Casper Tielrooij decidiram ampliar o amor que têm pela música de qualidade, pouco convencional e dançante, com a criação de um selo em 2009. Quatro anos depois, juntos a um amigo de longa data e então sócio, Matthijs Theben Terville, o trio decidiu expandir suas operações para dentro do universo dos festivais. O evento realizado no Jockey Club de São Paulo atraiu 6 mil pessoas. A ideia geral da cenografia foi a simbiose entre cada um dos palcos e a própria arquitetura do Jockey, cujo projeto data dos anos 1940, do arquiteto francês Henri Sajous.

ARQUITETURA MIMETIZADA

Para a criação da cenografia de três palcos do festival, um time de arquitetos foi convidado para participar do projeto: SuperLimão Studio, Atelier Marko Brajovic e Estúdio Guto Requena. A linguagem e o programa dos palcos seguiram o evento original, desenvolvido pelo holandês Bob Roijen (Light & Stage Designer). O projeto de iluminação é do Sala 28 e a execução da cenografia, da GTM.

O palco principal, Main Stage, se aproveitou da atmosfera do Jockey e do skyline de São Paulo, com suas diversas torres de luzes espalhadas. Por lá se apresentaram grandes nomes da música eletrônica do passado e presente. O cenário foi desenhado com base em uma atmosfera mais próxima a ambientações industriais de cenografia minimalista da música eletrônica. Painéis de madeiras pintadas com textura foram instalados em 8 torres; neles, painéis de Led com projeções de Bob Roijen foram exibidos em sinergia com cada artista que se apresentou. Por entre esses painéis, faixas lineares de luzes se projetaram verticalmente, criando uma atmosfera mística sobre os artistas e o palco. A cobertura, com um grande balanço, seguiu a linguagem da cobertura das arquibancadas do Jockey Club.

Já o Palco Selectors, como o nome diz, foi de onde partiu uma seleção sofisticada e incomum de faixas dos DJs, reproduzindo o ambiente de uma loja de discos vintage. A madeira foi o material escolhido para o contato com as pessoas e o clima do espaço. Foram criados três pórticos que suportavam a cobertura formada pelas vigas, que desciam atrás do DJ, formando o backdrop no mesmo clima. O efeito é de um ponto de fuga que faz convergir todas as atenções, que se voltam para o artista. A escolha da madeira como material predominante na estrutura do Selectors não foi gratuita. “Conseguimos trazer para o Jockey o espírito que há no palco Selectors em Amsterdã, com um clima confortável e aconchegante. Por isso, usamos a madeira, de forma a estabelecer um contato com a natureza e uma relação com as árvores do entorno”, explica Antonio Carlos Figueira de Mello, sócio do SuperLimão Studio.

A MONTAGEM

O prazo curto de apenas 15 dias para a montagem exigiu dos designers uma solução prática e rápida. Assim, surgiu a ideia de revestir estruturas boxtruss – vigas treliçadas metálicas muito usadas em estruturas de shows e eventos – com chapas de compensado. “São três pórticos de boxtruss revestidos de compensado, acabados com seladora. O revestimento foi levado semipronto e finalizado no local. As sapatas têm 40 cm de altura, para que também cumprissem a função de banco, ou para permitir que as pessoas subissem nelas. Algumas terças de madeira no sentido transversal aos pórticos criaram a estrutura para a cobertura e desceram para o backdrop.

A COBERTURA

Parcial, apenas sobre os DJs, equipamentos e parte do público, a cobertura tinha 50 m2 de área projetada. No sentido do pórtico foram dispostos e fixados sarrafos de madeira, também com acabamento em seladora, criando uma espécie de pérgola, o que contribuiu para a sensação de acolhimento e trouxe sombreamento. “Uma lona cristal fez o fechamento sobre a pérgola, dando acambamento ao conjunto”, finaliza Mello.

Por: Gustavo Curcio