Notícias do mundo da arquitetura

Rio de Janeiro ganha primeiro museu dedicado ao mar

Com vista privilegiada tanto para o mar quanto para os monumentos históricos do Rio de Janeiro, o Museu Marítimo Brasileiro 1 será construído onde hoje funciona o Espaço Cultural da Marinha, no centro da cidade. Totalizando cerca de 6 mil m2 de área construída, o projeto é assinado pelo escritório carioca Jacobsen Arquitetura e prevê dois edifícios que se elevam sutilmente do chão como uma rampa – recurso utilizado para permitir o acesso dos visitantes inclusive à cobertura do museu.

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Para criar um clima de aventura, o percurso no local será inesperado e contará com salas de dimensões variadas, com o objetivo de fazer o visitante perder a noção da estreita e longa forma do píer.

O primeiro prédio vai abrigar o hall principal com uma área de acolhimento, bilheteria e loja, além do setor de administração, restaurante e auditório para 180 pessoas – estes dois últimos terão vista para o mar e terão funcionamento independente do horário de visitação das exposições. O segundo edifício será o corpo do museu, com espaço para exposições e recebimento do material expositivo. O acesso a ambos os prédios será controlado a partir de duas guaritas instaladas no passeio público.

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A sala de exposições receberá luz natural, o que reduzirá o consumo de energia elétrica. Além disso, como o projeto arquitetônico prevê acessibilidade total em todas as áreas do museu, os edifícios dispensarão elevadores e escadas rolantes.

Na obra, os arquitetos vão optar pelo uso de material de rejeitos da indústria naval, ou seja, serão reutilizadas peças metálicas como elementos de estrutura e fechamento da construção. O projeto prevê a utilização de sistemas construtivos ou acabamentos de alto custo para reduzir a necessidade de manutenção. A construção envolverá ainda a redução do uso de alvenaria em tijolos cerâmicos e de elementos de concreto armado, trabalhando com chapas de aço cortén nas fachadas e placas de gesso para as paredes internas.

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Vidro inteligente é apresentado em feira hospitalar

Durante a 24a Hospitalar Feira + Fórum, a PKO do Brasil, empresa que atua no mercado brasileiro de vidros, vai apresentar novidade inusitada: um vidro que utiliza tecnologia em cristal líquido (LCD) capaz de transformar o vidro branco translúcido em incolor. Para que isso ocorra, basta acionar um botão. A inovação tem o objetivo de dispensar o uso de cortinas em unidades de terapia intensiva e semi-intensiva, maternidades e quartos de isolamento.

Fernandes Arquitetos assina projeto de hospital no Litoral Norte de São Paulo

Situado em uma zona mista de Caraguatatuba (SP), o Hospital Regional Litoral Norte 2começou a ser construído em julho do ano passado e sua entrega está prevista para o segundo semestre de 2018, atendendo a uma antiga reivindicação de moradores locais. Com projeto assinado pelo escritório Fernandes Arquitetos Associados, o empreendimento terá cerca de 20 mil m2 de área construída. Serão cinco andares e 202 leitos – 40 deles destinados a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

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A partir de um estudo sobre o impacto urbanístico diante das áreas necessárias e da relação entre os diversos setores do hospital, os arquitetos optaram pela implantação dos serviços de maior demanda no pavimento térreo – que concentrará as áreas de emergência, diagnóstico, ambulatório, administração, apoio logístico e áreas técnicas. Já o primeiro e o segundo pavimentos da torre vão abrigar três unidades de internação cada um, com um diferencial: alguns apartamentos serão adaptados para obesos.

Para dar mais conforto aos pacientes internos, os arquitetos projetaram terraços em todos os apartamentos das faces leste e oeste, que dessa maneira vão receber mais luz e ventilação. Segundo o arquiteto Daniel Hopf Fernandes, o projeto passou por algumas alterações já que, no início, a equipe havia pensado em um edifício mais baixo e com as internações distribuídas em um único pavimento. “No entanto, a existência de uma legislação específica e bem restritiva para hospitais no município de Caraguatatuba nos obrigou a seguir na direção de um edifício mais vertical”, explica Fernandes.

Recentemente o pré-projeto e o projeto do hospital receberam o selo Aqua-HQE (Alta Qualidade Ambiental) de sustentabilidade, concedido no Brasil pela Fundação Vanzolini.

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Novo Entreposto de São Paulo pode reunir mais de um projeto

O Novo Entreposto de São Paulo (Nesp), que substituirá a antiga Ceagesp, em São Paulo, contou com quatro projetos finalistas dos seguintes escritórios: Bacco Arquitetos Associados, MV Escritório de Projetos, SG Projetos e Consultoria e TM2 Planejamento e Projeto. O empreendimento será erguido em um terreno de 1,4 milhão de m² em Perus, na Zona Norte de São Paulo. A proposta feita para os concorrentes foi a de criar um centro de distribuição contemporâneo, inspirado em espaços semelhantes em Bolonha e Paris.

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No quesito sustentabilidade, o projeto do SG Projetos e Consultoria 3 propõe reutilização de águas pluviais, geração de energia, reciclagem, tratamento de esgoto e retenção do grande volume de águas pluviais antes de seu lançamento na natureza. A ideia do SG também prevê a separação do fluxo de veículos de passeio e de carga. Os primeiros não terão acesso à área operacional e ficarão limitados aos estacionamentos, e haverá passarelas de interligação com os armazéns.

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Thiago Machado, arquiteto do TM2 Planejamento e Projeto 4 , conta que o projeto apresentado por sua equipe também separou os acessos de pedestres, carros de passeio e veículos de carga. “Limitamos a circulação de carros ao edifício garagem, criamos passarelas para os pedestres e mantivemos a circulação dos veículos de carga no térreo, evitando o cruzamento de fluxos”, detalha Machado. Também faz parte do projeto do TM2 a implantação de oito pavilhões com dois tamanhos, além de um galpão de 22.000 m² (que pode ser modular) e de uma plataforma de transbordo.

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Já o MV Escritório de Projeto 5 propõe seis entrepostos com 32 mil m² de área construída cada um. “Cada entreposto terá boxes, pedras modulares e mezaninos fixos, além de ruas largas, iluminação zenital e artificial em LED”, conta Marcos Vieira, sócio-diretor do MV. O projeto dessa equipe prevê também depósitos para quem necessitar de grandes estocagens no mesmo complexo, evitando deslocamento de veículos na área externa.

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Assim como os demais escritórios, o Bacco Arquitetos Associados 6 apresenta em seu projeto a separação dos segmentos para a otimização de fluxos. “Caminhões e carretas circularão obrigatoriamente pelo térreo, perto da estocagem. Já os consumidores vão chegar a um segundo piso, um pavimento de estacionamento”, afirma Marcelo Consiglio Barbosa, do Bacco.

A decisão dos diretores do novo entreposto, aguardada para fim de maio, pode incluir mais de um escritório nessa vitória. “Não anulamos a possibilidade de serem dois escritórios os vitoriosos. Queremos que o mercado seja útil, acessível, completo e moderno, tornando-se o melhor entreposto do mundo”, pontua Sergio Benassi, presidente do Nesp.

Escritório mineiro projeta loja totalmente inclusiva

Tendência no mercado contemporâneo, as lojas conceito são os estabelecimentos comerciais que oferecem ao público recursos visuais e sensoriais modernos com o intuito de aproximar o cliente da marca. Assim é a nova loja da Cemig 7 (Companhia Energética de Minas Gerais), em Belo Horizonte. O projeto foi desenvolvido pelos arquitetos Júnior Piacesi, Sara Fagundes e Tales Pimenta, do escritório mineiro Piacesi Arquitetos Associados. A equipe criou um espaço totalmente inclusivo e preparado para funcionar pelo sistema do autoatendimento.

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Além das pessoas que possuem alguma limitação física, o projeto dos arquitetos atende a diferentes grupos sociais. “A linguagem arquitetônica do espaço foi criada para surpreender e, ao mesmo tempo, atrair até os clientes mais arredios com as inovações tecnológicas”, define Júnior Piacesi. Dessa forma, ao chegar à loja todos os clientes são levados pela arquitetura do espaço a interagir com os elementos tecnológicos de forma intuitiva e natural.

Um dos destaques do espaço é a originalidade da iluminação: no teto, lâmpadas queimadas se encontram com lâmpadas de LED, refletindo sua luz. Já os recortes em chapas metálicas fazem alusão ao relevo do estado de Minas Gerais; e os bancos de espera, feitos de Corian translúcido, trazem à tona o tema da loja – a luz.

Brasileiro explora o bambu em instalação no Camboja

A utilização do bambu na construção civil ainda é pouco explorada no Brasil, mas há quem tenha interesse – e até se destaque – por essa alternativa sustentável. É o caso do engenheiro Fernando Barth, professor titular do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Em parceria com o professor Roberto Bologna, da Universidade de Florença, e com os arquitetos Denny Pagliai e Chiara Moretti, Barth venceu em primeiro lugar o Concurso Internacional Camboo Design Challenge.

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O projeto 8 do grupo buscou criar um espaço para exposições com uma estrutura levíssima, cuja estabilidade é obtida pela geometria formada por hipérboles e pela grande resistência e flexibilidade do bambu.

Segundo Fernando Barth, a opção pelo material surgiu diante da proposta do concurso: conceber uma construção temporária de material ecocompatível. “O bambu é um material usado há milênios nas construções e tem apresentado uma evolução tecnológica que amplia as possibilidades construtivas para uma arquitetura inovativa e sustentável”, considera Barth.

A obra concorreu com 65 trabalhos inscritos e foi projetada por uma equipe local em Phnom Penh, no Camboja.

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56o Salão do Móvel de Milão repete tendências

No início de abril, arquitetos, designers e decoradores dos quatro cantos do mundo voltaram seus holofotes para uma única cidade: Milão. Durante seis dias, mais de 343 mil visitantes de 165 países puderam conferir o que há de novo – e nem tão novo assim – no 56o Salão do Móvel que neste ano reuniu 2 mil expositores. Em paralelo ao evento, ocorreu ainda a Euroluce, uma feira bienal dedicada exclusivamente ao setor de iluminação que se alterna com a Eurocucina, focada em cozinha e banheiros.

Para o arquiteto e designer brasileiro Guto Requena, o salão deste ano não trouxe nada de revolucionário – mas isso pode ter um viés positivo. “Estamos vivendo um momento de crise global e acho que o mundo não precisa de mais lançamentos de cadeiras, luminárias e sofás que, às vezes, acabam sendo mais do mesmo”, ponderou Requena. “A indústria tenta se reinventar para fazer novos produtos e criar tendências, mas não consegue. Acho que o futuro do design está menos relacionado a produtos e mais a interfaces e a sistemas.”

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No entanto, o arquiteto se encantou com a exposição Excavation: Evicted, do designer inglês Paul Cocksedge. Sua história é curiosa: após descobrir que seu antigo estúdio seria demolido, Cocksedge começou a escavar o piso do lugar de onde extraiu materiais que serviram depois para a criação de mobiliário.

Além da obra de Cocksedge, duas peças de brasileiros chamaram a atenção de Requena: o banco feito de borracha 9 da designer Carol Gay; e o relógio-vaso 10 do marceneiro Lucas Neves, ambos expostos na mostra organizada pela DAMN° Magazine, no Palazzo Lito.

Edição: Lidice-Bá | Reportagem: Allaf Barros