Pedras naturais: resultados únicos na arquitetura

A Vitória Stone Fair – Marmomacc Latin America, a maior feira do segmento de rochas ornamentais das Américas, reúne entre os dias 14 e 17 de fevereiro na capital capixaba expositores de pelo menos 21 países. Apresentar ao mercado variedades de pedras e formas de beneficiamento do material é o foco do evento que em 2016 reuniu cerca de 26 mil visitantes de 60 países, incluindo missões estrangeiras do Irã, Alemanha, Canadá e Polônia.

Não por acaso, Vitória é a sede da feira. O estado do Espírito Santo é internacionalmente reconhecido com um dos principais celeiros mundiais de pedras ornamentais usadas na construção civil. A Vitória Stone Fair antecipa tradicionalmente tendências em mármores, granitos e pedras translúcidas, além de máquinas, insumos e equipamentos para o trabalho com esses materiais.

O evento, que está na 43a edição, já tem confirmados aproximadamente cem compradores da matéria-prima de 20 países. O Buyers Club incentiva a participação de compradores de mercados internacionais expressivos, além de impulsionar as oportunidades de negócios com parceiros comerciais de outras localidades.

NOVIDADES PARA A PREMIAÇÃO 
A feira ocorre em parceria com o MIA (Marble Institute of America), uma das mais renomadas instituições do setor de rochas nos Estados Unidos. Neste ano, será realizada durante o evento a 2ª edição do concurso do prêmio Pinnacle Awards, patrocinado pela Vitória Stone Fair – Marmomacc Latin America, para as categorias Banheiro do Ano e Cozinha do Ano.

A premiação, já consagrada pelo MIA e pela Vitória Stone Fair, traz em 2017 como novidade o uso de pedras brasileiras no projeto agraciado pelo Pinnacle Awards. As rochas nacionais são consideradas as mais exóticas do mundo graças à diversidade de cores e texturas – são mais de 1.200 tipos de mármore e granito catalogados e disponíveis em solo brasileiro.

STONE SQUARE 
Vivian Coser assina o espaço de 650 m², a Stone Square, que dá as boas-vindas aos visitantes da feira. O projeto, executado pela Antolini em parceria com o Grupo Veronafiere do Brasil, é inédito em feiras de mármore e granito da América Latina, e apresenta de cara alternativas da aplicabilidade do material. A praça tem como peças-chave pedras naturais e vegetação numa proposta paisagística que usa espécies brasileiras.

Esta é a primeira vez que a Vitória Stone Fair cria um ambiente-conceito para recepcionar autoridades, arquitetos, compradores e visitantes. “O espaço faz com que os convidados se sintam em um foyer a céu aberto. Para valorizar o ambiente, materiais brasileiros”, explica Vivan.

Logo na entrada, 500 m² de mármore Calacata do Brasil reveste toda a praça. Seis bancos geométricos, em escala urbana, com design exclusivo, elaborados com os materiais Sequoia Brown, Corteccia, Sandalus VC, Fusion Dark, Black Fantasy e Kayrus, compõem o cenário. Já no centro, o destaque são os três blocos de Quartize Michelangelo, Fusion Multicolor e Explosion Blue. As bandeiras dos países participantes também ganham evidência no centro da praça. Todas as pedras utilizadas no local são lançamentos exclusivos da Antolini. “Priorizamos uma arquitetura minimalista e apostamos na utilização de materiais com texturas, cores e formas diferentes em cada detalhe. Todas as pedras estão identificadas para orientar os visitantes”, diz Vivian.

Para valorizar os veios naturais das pedras, a profissional apostou na iluminação indireta, feita com lâmpadas de LED nos bancos, que parecem f lutuar sobre o piso.

Para o diretor da Milanez & Milaneze, Alberto Piz, esse espaço é o início de um novo conceito agregado a partir de 2017 ao evento. “Além do mercado consolidado dos blocos, das chapas, dos pisos e dos revestimentos, a Vitória Stone Fair quer demonstrar as diversas possibilidades da aplicabilidade da pedra também em objetos de design. Nosso intuito é agregar valor a esse material, expandindo os mercados com a diversificação dos produtos tradicionalmente trabalhados no setor,” afirma Piz.

ENTREVISTA: ARQUITETA VIVIAN COSER, RESPONSÁVEL PELO PROJETO DA STONE SQUARE

Quais são os principais usos das pedras naturais atualmente?
Nada tira a nobreza do piso revestido com pedras naturais. Porém, atualmente, o material tem conquistado um espaço expressivo na área do design no Brasil e no mundo. Tom Dixon, Normam Foster e empresas como B&B Italia e Baxter já apresentam peças diferenciadas com a aplicabilidade da pedra.

Há alguma contraindicação do uso das pedras naturais em casos específicos?
Os materiais que são utilizados em áreas externas não devem ser polidos. Também é essencial a impermeabilização da pedra para potencializar a sua durabilidade. Existem muitos produtos no mercado que auxiliam na manutenção e na durabilidade das pedras naturais.

Quais são as vantagens estéticas das pedras naturais se comparadas aos revestimentos industrializados?
Nenhuma pedra é igual a outra. Essa singularidade de texturas, formas e cores transforma o material em algo único. Ao adquirir o produto, o cliente sabe que está obtendo um bem exclusivo e que nunca terá nada igual em outro empreendimento. Outra vantagem é a durabilidade e o valor agregado das pedras naturais. Devido à diversa escala de preços, o material é acessível a todos. Além disso, as sobras dos recortes podem ser utilizadas para o desenvolvimento de outros produtos. Exemplos disso são mosaicos e peças decorativas.

O que há de mais moderno no tratamento dessas pedras no que diz respeito à impermeabilização e à manutenção?
Apesar da grande durabilidade das rochas naturais, a impermeabilização é fundamental para quem deseja usar as pedras como revestimento nos ambientes. O tratamento da superfície protege o material contra penetração de água, surgimentos de manchas, auxilia na durabilidade, além de facilitar a limpeza. Hoje, a empresa italiana Cleandry possui um produto que lavra toda a estrutura da pedra. Seu produto é livre de resíduos tóxicos e inflamáveis.

Quais são os produtos que serão destaque na VSF 2017?
Os destaques são as novas pedreiras de quartzitos e suas colorações. Os materiais superexóticos também têm conquistado um espaço maior no mundo do design em produtos sofisticados e nobres.

“Ao adquirir o produto, o cliente sabe que está obtendo um bem exclusivo e que nunca terá nada igual em outro empreendimento.”

Estande da Antolini na VSF
Ponto focal do estande da Antolini na edição de 2016 da Vitória Stone Fair, os mármores brasileiros Sequoia Brown 1 e Corteccia 2 , exclusivos da marca do Brasil, se destacam pelos veios ritmados e aparentes. Com projeto do arquiteto Sergio Paulo Rabello, o espaço de 380 m² abusou de elementos naturais para equalizar a estética das pedras exóticas. “Os materiais exóticos tornam mais evidentes a paginação dos veios. E daí vem a expertise de quem trabalha a rocha. O openbook – termo em inglês que significa livro aberto – abre a rocha em faces que, polidas alternadamente, dão origem à paginação perfeita”, explica Rabello. Segundo o arquiteto, é exatamente esse aspecto que torna cada ambiente único. “Quando você olha para a recepção do estande, percebe o rigor da paginação em diagonal, que harmoniza piso e parede. Usamos peças grandes, de 1,80 m x 1,50 m”, conta. O projeto do estande teve enorme repercussão que foi até reconstruído para a edição de 2017 da feira. Nele, Rabello combinou às pedras outros materiais naturais, como couro e madeira. “O tronco é de uma jaqueira 2 , que já estava tombada. Foi serrado ao meio para dar origem ao balcão. A alça de aço deu ar de contemporaneidade à peça”, completa o arquiteto.

FICHA TÉCNICA
OBRA
 Estande da Antolini na Vitória Stone Fair
LOCAL Serra (ES) ANO 2016
ÁREA 310 m²
MÃO DE OBRA (construtora): Construtora Peixoto
ARQUITETURA Sergio Paulo Rabello Arquitetura e Interiores
FORNECEDOR DA PEDRA: Antolini do Brasil Pedras Naturais Ltda.

São Paulo Corporate Towers
Vizinho do Parque do Povo, na região do Itaim Bibi, bairro da capital paulista, o São Paulo Corporate Towers é um projeto do Pelli Clarke Pelli Architects, famoso por conceber mundo afora edifícios como o Bloomberg Tower e o Petronas Towers. Nacionalizado pelo escritório Aflalo/Gasperini Arquitetos, o complexo possui pré-certificação Leed Platinum 3.0 – graças à gestão eficiente de energia, água e do bem-estar dos usuários – e está implantando em um lote com saída para as avenidas Juscelino Kubitschek, Chedid Jafet e Rua Funchal. A gleba tem 19.000 m².

Os números do projeto são grandiosos, inclusive quando se trata da quantidade de pedra natural empregada. Na área externa do edifício, 7.000 m² de granito Black Cosmic 3 foram instalados em diferentes formatos, de acordo com a necessidade detalhada pelo projeto arquitetônico.

Nas fontes, o material empregado foi o granito Himalaya White 4 – neste caso com espessura de 30 cm e paginação em forma de raios casados, seguindo o perfil orgânico do mobiliário do pátio externo. Ambos os materiais foram fornecidos pela Brasigran, empresa especializada em pedras exóticas, com sede no município de Serra, no Espírito Santo.

FICHA TÉCNICA
OBRA
 São Paulo Corporate Towers
LOCAL São Paulo (SP)
ANO 2016
ÁREA 257.799 m²
ARQUITETURA Pelli Clarke Pelli Architects
NACIONALIZAÇÃO DO PROJETO: Aflalo/Gasperini Arquitetos
ARQUITETA COORDENADORA Cinthia C. Duclerc Verçosa
FORNECEDOR DE PEDRA Brasigran
INSTALADOR DA PEDRA GMM – Gran Marmetal Granitos Mármores e Metais

Petrópole Tênis Clube
Com cristais translúcidos, o granito exótico Maranello é fornecido pelo Grupo Qualitá. Muito usado no acabamento de lareiras 5 , pode receber iluminação interna ou externa, como na foto. O material é o ponto de destaque do projeto da arquiteta Paula Lino para o Petrópole Tênis Clube, em Porto Alegre.

FICHA
TÉCNICA LOCAL
 Porto Alegre (RS)
ANO 2016 ÁREA 70 m²
ARQUITETURA Paula LIno
MÃO DE OBRA Empreiteira Nunes
FORNECEDOR DA PEDRA Grupo Qualitá
INSTALADOR DA PEDRA Ornamento

Casa Urbana
A Casa Urbana foi pensada para um casal apreciador de arte e exposta na Casa Cor Espírito Santo de 2016. A cozinha integrada aos demais ambientes, concebidos como um estúdio, foi criada pelo Sérgio Palmeira Studio. Balcão, pia e um generoso frontão 6 são feitos com o White Pearl, quartzito escovado fornecido pela Toledo Mineração. “A pedra, além de seguir esteticamente as tendênciais mundiais de cor e textura, é muito resistente”, explica Carol Anderson, arquiteta que integrou a equipe de projeto. Outros espaços que compõem a Casa Urbana também tiveram o White Pearl como destaque: paredes e piso do banheiro receberam a hidromassagem branca e completaram a composição que combina pedra e madeira.

FICHA
TÉCNICA LOCAL
 Casa Cor Espírito Santo
ANO 2016
ÁREA 110 m²
ARQUITETURA Sérgio Palmeira Studio
FORNECEDOR DA PEDRA Toledo Mineração
INSTALADOR DA PEDRA Jair Empreendimentos Imobiliários

Casa Nova Hotel
Localizado no bairro da Lapa, na capital fluminense, o Casa Nova Hotel exibe, logo na recepção do edifício de 12 pisos e 136 apartamentos, uma robusta bancada feita com o granito Alpinus 7 . A pedra usada na composição da peça foi fornecida e trabalhada pela Magban, empresa com três décadas de experiência no trato de pedras ornamentais com sede em Cachoeiro de Itapemirim (ES). O Alpinus é uma rocha exótica, formada por feldspatos (um tipo de rocha que não contém minério) e cristais de quartzo, tem origem na Bahia e grau de dureza 3. Também de origem baiana, o Arabescatus 8 , mármore que apresenta dolomítico em sua composição, foi usado nas paredes do bar, no hall dos elevadores e nas pias dos banheiros das suítes do hotel. A Magban já fornece os materiais resinados, com proteção que dispensa outros tratamentos de impermeabilização.

FICHA TÉCNICA
LOCAL
 Rio de Janeiro (RJ)
ANO 2016
ÁREA 6.000 m²
ARQUITETURA Paulo Luiz Brandão Pontes
ESTRUTURA Pirajar Estruturas Metálicas
FORNECEDOR DA PEDRA Magban

POR: GUSTAVO CURCIO