Editorial: novas gerações

GUSTAVO CURCIO

A arquitetura brasileira está mais pobre. Carlos Bratke, o arquiteto da Avenida Luís Carlos Berrini, em São Paulo, e Haruyoshi Ono, parceiro criativo de Burle Marx, se foram. Com a morte deles, duas marcas da ousadia e do questionamento, ingredientes fundamentais para o êxito em nossa profissão, ficam como exemplo.

Bratke foi um crítico do brutalismo de seu pai, Oswaldo, e firmou-se pela arquitetura de forte apelo comercial. Tecnicamente, soube combinar materiais pós-modernos ao concreto de forma única.

Ono pegou o bastão do escritório de Burle Marx após sua morte, em 1994, e conduziu os trabalhos da equipe no Brasil e no exterior sem perder a essência dos conceitos desenvolvidos ao lado do parceiro. No entanto, soube lidar com maestria com os novos desafios que o mercado impôs.

“Diante dessas duas perdas, engana-se quem pensa que a nova geração de arquitetos brasileiros está aquém de seus antecessores. Prova disso foi a riqueza dos trabalhos apresentados no concurso que escolheu o projeto para a sede do CAU-BR e IAB-DF”

Diante dessas duas perdas, engana-se quem pensa que a nova geração de arquitetos brasileiros está aquém de seus antecessores. Prova disso foi a riqueza dos trabalhos apresentados no concurso que escolheu o projeto para a sede do CAU-BR e IAB-DF (veja mais na abertura da seção Cenário). Na ocasião da entrega da premiação, em Brasília, a comissão julgadora enalteceu a quantidade de jovens arquitetos que apresentou propostas de alto nível como resposta à demanda. “A boa resposta vinda de uma equipe jovem mostra um novo entendimento da arquitetura brasileira contemporânea. Finalmente está se quebrando o cordão umbilical com o modernismo, com a cultura do concreto”, afirmou a arquiteta Elisabete França, jurada do concurso.

A entrega do prêmio ocorreu dias depois da aprovação pelo Senado, em segundo turno, do texto substitutivo do PLS 559/2013, que dará origem à nova Lei de Licitações, substituindo a Lei 8.666/1993. O projeto incorpora a “contratação integrada” na legislação licitatória do país. A modalidade permite que obras públicas sejam licitadas com base apenas em anteprojetos.

A boa notícia é que uma subemenda apresentada pelo senador acreano Jorge Viana reincorporou ao projeto de revisão da lei a modalidade de licitação de projetos arquitetônicos por concurso público.

Alento em tempos difíceis. Hora de redescobrir a verdadeira vocação do arquiteto. Boa leitura!