Prêmio Design MCB chega a sua 30ª edição com 48 trabalhos premiados. Veja os escolhidos em mobiliário

Para a diretora-geral do Museu da Casa Brasileira, Miriam Lerner, a razão de o prêmio existir foi mudando conforme os anos. “Quando a premiação foi criada, não havia uma compreensão [da indústria] da importância do design como possibilidade de agregar valor ao produto”, comenta. No início, eram escolhidos trabalhos que estivessem em linha de produção. Recebiam o troféu o designer e o fabricante. Com o passar dos anos, o museu entendeu sua vocação. Hoje, seleciona com o Prêmio Design os melhores projetos nas áreas de construção, eletroeletrônicos, iluminação, mobiliário, têxteis, transportes e utensílios.

Na categoria Mobiliário, destaque desta reportagem, o júri foi composto por Daniel Candia Alcântara de Oliveira, professor de projeto e expressão e representação da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Edison Barone, professor da graduação do curso de design e da pós-graduação do curso de gestão estratégica de moda, da Fundação Armando Alvares Penteado, e Mauro Claro, professor titular da FAU- Mack. O grupo seleto adotou como critério de avaliação a qualidade projetual e a racionalidade no uso dos materiais, que implicam diretamente a qualidade de uma estética contemporânea que esteja em sintonia com aspectos ambiental e social.

A linha Planos 1 , do designer Guto Indio da Costa, ficou em primeiro lugar nessa categoria. As poltronas e os sofás modulares, em versões simétricas ou assimétricas, são compostos por estruturas modulares de metal. As peças possuem forro de couro natural, com bordas arrematadas artesanalmente com um cordão de couro em tom mais escuro.

Outra opção de acabamento são as chapas laminadas de madeira. Há também com estrutura de aço corten explícito, oxidado e selado. “Ficamos seduzidos pela ideia do projeto, como foi pensada a logística de fácil transporte e o uso alternativo de chapas metálicas”, comenta Barone.

Em segundo lugar, ficou o Aparador Harmonia 2 , de Claudio Corrêa Abreu, criado para acomodar equipamentos como TV, livros, discos, CDs e DVDs, ou servir de apoio ou assento complementar em salas. O principal elemento estrutural – uma base treliçada – é feito com peças de ipê maciço em seção quadrada, com cortes e encaixes produzidos a partir de um gabarito gerado do desdobramento de um único triângulo. O corpo central é feito de compensado naval de pinus, com topos aparentes.

As gavetas, modulares, sem corrediças, têm requadro de madeira maciça de reaproveitamento com puxadores em duas faces, permitindo que sejam usadas como caixas avulsas. Na avaliação do júri, a obra chamou atenção pela preocupação com a realidade ambiental em perfeita sintonia com a estética contemporânea do mínimo.

O terceiro lugar foi para a Escrivaninha São Basílio 3 , de Ronald Scliar Sasson. Criada com marcenaria tradicional associada a detalhamentos feitos com presilhas metálicas, com materiais não ferrosos, e revestimento de couro sintético estendido ao bolso lateral. “No terceiro lugar prezamos pela qualidade da execução da marcenaria, e o cuidado com a produção foi outro ponto avaliado. Entendemos que a peça era mais artesanal”, completa Barone.

Quatro peças receberam menções honrosas na categoria. O banco do museu, de Ivan Rezende 4 , faz parte do Museu do Amanhã, localizado no Rio de Janeiro. O produto foi executado em aço com uma galvanização a fogo para maior resistência, com pintura eletrostática branca e assento de madeira maciça freijó. O júri valorizou a simplicidade formal do banco em oposição à arquitetura do espetáculo, que é uma característica do edifício.

O Banco Stay 5 , de Ibanez Reck Razzera e Ari Guiomar de Almeida, foi confeccionado a partir de um fio contínuo de roving envolto em resina colorida. O resultado do desenho são fios que se cruzam e se unem em um desenho lógico e estrutural, sem nenhum tipo de união ou solda. A obra agradou os jurados por utilizar técnicas provenientes de outros segmentos, conferindo um aspecto inovador.

Outra menção honrosa foi para o mobiliário urbano multiuso Montanha 6 , projeto desenvolvido pelo escritório Erê Lab. A obra é inspirada no relevo do Pico da Neblina, no alto Amazonas. Ela é composta de madeiras de garapeira, roxinho e cumaru. Na avaliação do júri a peça é uma obra de caráter urbano em que as pessoas podem brincar, interagir, socializar ou recostar-se para um descanso.

A última menção honrosa foi para a Mesa Aranha 7 , de Thiago Natal Duarte, João Paulo Daolio e Bruno Chiarioni Thomé. A peça é feita com tampo de compensado naval folheado em lâminas de madeira natural prensadas a quente e chapa de aço, espessura de 12 mm, com pintura eletrostática. Para o produto foram feitos dois acabamentos: folha de freijó e aplicação de seladora à base de água e folha de pau-ferro e seladora PU semifosco. A mesa foi feita para refeições e tem 140 cm de diâmetro e 75 cm de altura. Na avaliação, o júri vê a mesa como estruturalmente sólida e estável, apesar da leveza aparente, resultado do equilíbrio formal existente entre os pés e o tampo.

A categoria premia também protótipos. Nesta edição, ficou em primeiro lugar a mesa 45º, de Hugo Chinaglia dos Santos e Antonio Vespoli. Já a menção honrosa protótipo foi para a Poltrona Angélica, de Betania Miguens e Silvia Muccillo.

POR: ALLAF BARROS FOTOS: DIVULGAÇÃO