Em detalhes: Edifício 1232, de Arquea Arquitetos em Curitiba

CONDICIONANTES E LIMITES FORMAIS

Os objetivos projetuais de um pequeno empreendimento que fosse aconchegante, instigante e que pudesse se destacar pela proporcionalidade da forma e simplicidade arquitetônica foram adotados para a obra do Edifício 1232 do escritório Arquea Arquitetos. A diretriz de se construir de maneira mais gentil, aproximando a vida do prédio e a da cidade por meio da arquitetura também se fez presente.

O edifício resulta dos limites formais de um terreno que está em uma área bem valorizada da cidade, sob zoneamento ZR4. No local, são permitidos apenas empreendimentos residenciais, com coeficiente de aproveitamento máximo de 2 e taxa de ocupação com limite de 50%. Varandas de até 6 m² por unidade não entram no cálculo da taxa de ocupação nem no coeficiente de aproveitamento. Há ainda a exigência de recuo frontal de 5 m e altura menor ou igual a 10 m.

Dessa forma, os projetistas decidiram tirar partido da largura do lote para a concepção de um pavimento térreo livre e contínuo, desde a rua até os fundos, com área construída compacta. O resultado é economicamente eficiente e de esmero projetual, traduzindo a busca de apresentar à prefeitura um projeto que, sem comprometer os limites e restrições, atendesse às demandas existentes. Entre elas, a composição de um edifício com três pavimentos dentro do limite máximo de altura, com térreo como um espaço aberto, dois pavimentos próximos às divisas e circulação aberta, além de coeficiente de aproveitamento efetivo de 1,8, portanto inferior ao limite máximo estipulado pela prefeitura.

Nota-se que a diferença de pé-direito dos andares foi em razão de se atender à legislação que permite circulação vertical aberta. Assim, a distância da soleira do térreo até a soleira do último pavimento limitou-se ao máximo de 6 m. Tal diferença gerou a possibilidade de um pé-direito maior, ampliando o conforto, e a altura total se ajustou à máxima permitida de 10 m.

IMPLANTAÇÃO COMO MORFOLOGIA

O projeto reflete a tendência de se habitar de modo compacto e compartilhável, privilegiando áreas conjugadas e fluxos internos com eficiência. O vazio implantado no térreo tem como princípio a circulação e a transição do nível público ao privado, da rua ao jardim interno. No térreo, também foram definidas a alocação de uma vaga de carro por apartamento.

Observando-se a forma do terreno, nota-se que é um pentágono irregular em que o desafio foi o da composição das plantas, uma vez que o terreno tem 8 m de frente e termina com 4 m de largura.

Em termos geométricos de implantação, a fachada frontal é paralela ao alinhamento da rua. Já a posterior, dada a interseção da face mais inclinada do terreno, conduziu à definição de um chanfro nas varandas dos fundos.

Entre as tecnologias construtivas, foram escolhidas estruturas de concreto armado, vigas e pilares e alvenaria. No caso da subestrutura de piso, optou-se por lajes nervuradas com vigotas pré-fabricadas e apoiadas em uma direção, com enchimento de blocos de isopor.

As instalações hidráulicas ficam embutidas nas vedações. Há iluminação em eletrocalhas no teto dos apartamentos, no térreo, em arandelas próximas ao piso, nas paredes e nas áreas comuns do acesso aos apartamentos, com fita de led junto à borda do piso nas passarelas.

OS APARTAMENTOS

O edifício tem dois apartamentos por pavimento, totalizando quatro unidades compostas por área de estar, dormitório, cozinha, banheiro, churrasqueira e área de serviço. Áreas de serviço e cozinha são voltadas para um átrio central.

Aqueles apartamentos localizados na fachada frontal apresentam ambientes divididos por alvenaria, enquanto os da fachada posterior, por serem mais reservados, têm a configuração de estúdio ou ambiente aberto. A fachada da rua é de vidro transparente, mas brises móveis de madeira garantem a privacidade.

CORTE TRANSVERSAL DAS PASSARELAS

Na laje de cobertura das passarelas está alocada a caixa-d’água, que se aproveita da platibanda em viga invertida para passar despercebida.

As passarelas têm, de um lado, guarda-corpo e, de outro, são fechadas pelo ripado de madeira Tatajuba de 5 cm x 5 cm.

A passarela que cria o acesso às unidades a partir da escada tem como subestrutura de piso a laje nervurada em uma direção composta por treliças pré-fabricadas com blocos de isopor e com capeamento de concreto moldado in loco.

A fixação da ripa junto à laje de cobertura é feita com uma chapa em perfil “L” dobrada com abas de 7 cm x 10 cm e usando parafuso em aço sem cabeça e porca e parabolt. Já na laje de passarela do primeiro pavimento, foi adotado um perfil em aço com seção de duplo “L”. Ali, uma mesa serviu para contenção do revestimento e acabamento e, a outra, de apoio e fixação para a ripa em madeira.

Na laje do segundo pavimento, repete-se a fixação com perfil duplo “L” do ripado de madeira à laje. Por ser um apoio central, há fixação na face inferior da laje com um perfil de aço em seção “Z” pré-furado, além de fixação com parabolt na laje e com parafuso sem cabeça e porca na madeira.

CORTE TRANSVERSAL DAS VARANDAS

Para proporcionar uma construção mais esbelta e leve, vigotas pré-fabricadas foram instaladas paralelamente ao vão da largura do lote, configurando um perfil de menor espessura do que se obteria com uma seção em viga.

Na cobertura, foi realizada uma divisão das áreas do apartamento e das varandas com o assentamento de platibandas de alvenaria.

A divisão entre apartamento e varanda é realizada com uma esquadria de alumínio e vidro laminado duplo (4 mm + 4 mm) com desnível entre piso externo e interno, este de porcelanato de 60 cm x 60 cm. O brise frontal é fixado junto ao teto por meio de trilho com roldana interna padrão pantográfica, e o quadro para fechamento de madeira é com perfil metálico de seção “L”.

Na parte inferior, fixação e deslizamento são proporcionados pela roldana embutida com perfil retangular que se sobrepõe a um trilho metálico de seção circular e diâmetro de 20 mm.

Afastado do brise mais justaposto à borda está locado o peitoril metálico de chapa metálica plana.

O piso da varanda é de cimento queimado alisado com inclinação para a borda externa, aplicado sobre manta de impermeabilização líquida.

POR: SASQUIA HIZURO OBATA