Nova sede da Cetelem em Barueri, São Paulo, com projeto da Arealis

A demanda da direção da Cetelem, instituição financeira do grupo francês BNP Paribas, aos arquitetos foi bem clara: para sua nova sede em Barueri, na Grande São Paulo, queria uma ocupação espacial diferente da que se vê normalmente nos escritórios bancários. A ideia era desconstruir o modelo padrão, de ambientes sempre compartimentados, rígidos, monocromáticos e impessoais. Os arquitetos teriam carta branca para apresentar propostas inovadoras, não apenas em relação a aspectos estéticos, mas também a novas soluções espaciais que poderiam mudar e melhorar a qualidade do trabalho na empresa. O programa era extenso e exigia salas para diretoria e gerência, salas de reunião de várias dimensões, espaços para trabalho em grupo, áreas de descompressão, cafeteria e outros serviços.

O arquiteto Enrico Benedetti, um dos diretores da Arealis, captou as preocupações do cliente e, logo na primeira reunião, seus croquis de sugestão foram aprovados. O desafio do projeto, de acordo com Enrico, foi desenvolver novos conceitos de organização espacial que privilegiam a integração e o trabalho em grupo. As soluções, segundo a direção da Cetelem, influenciaram positivamente a reorganização do trabalho do banco, agora mais fluido e produtivo.

O projeto organiza os vários itens do programa em torno de um percurso criativo: uma via interna parte da recepção e segue pelo interior dos escritórios, permitindo fácil acesso a todos os ambientes. Esse conceito de via interna soluciona o problema dos longos e monótonos corredores que normalmente caracterizam os projetos corporativos. E como as barreiras visuais são mínimas, a estratégia permite ainda um melhor fluxo de informações entre funcionários e diretores.

Na recepção, o destaque é a longa mesa ovalada branca sobre o carpete de peças coloridas, onde o verde da logomarca da empresa se sobressai. Palavras-chave do grupo financeiro se salientam das paredes brancas que conformam o ambiente, enquanto no espaço de espera um sofá embutido na estrutura da parede é realçado por almofadas pretas e iluminação indireta.

Para o melhor aproveitamento da luz natural, espaços abertos de trabalho, salas da direção, gerência, administração e de reunião foram implantados na periferia das lajes. O espaço entre esses ambientes e o core do edifício (que reúne elevadores, escadas, banheiros e serviços) foi ocupado por bancadas altas e ambientes de trabalho em grupo ou reuniões informais (com mesas, sofás, poltronas e aparelhos de TV), espaços de descompressão (com jogos e lousa) e cafeteria. Os dois pavimentos estão ligados por uma escadaria própria, já existente no local. Ambos dispõem, em locais separados, de pontos de cpd, impressora, caixa eletrônico e print-points, também instalados nas extremidades das lajes.

As salas de reunião, de gerência e de diretoria receberam fechamento com painéis de vidro, complementados por placas de painel de mdf de acabamento colorido, com recortes de formatos heterogêneos e singulares. Essas placas são revestidas por fórmica cinza-claro, azul e de diferentes tons de verde. Os mesmos tons de verde e as cores cinza e preta foram incorporados ao mobiliário projetado pelo Arealis, com exceção de mesas de trabalho, cadeiras e sofás industrializados, e ao carpete que recobre o piso de todas as áreas de trabalho. De acordo com Enrico, a escolha dos elementos do projeto parte sempre do estudo e da interpretação do mundo do cliente. “No caso do Cetelem, o verde é uma cor bastante presente, tanto no mascote da empresa, o boneco Creditó, quanto no grupo BNP, do qual o banco faz parte. O verde foi declinado em várias tonalidades e associado a outras cores como o cinza, o preto e o branco”, explica.

No teto, as instalações técnicas e a laje – com jateamento acústico branco – são reveladas pelo forro parcialmente recortado sobre todo o percurso da via interna. Sobre as demais áreas, a laje aparece recoberta por forro de gesso. O projeto de luminotécnica, todo de led com automação, foi desenvolvido por um lighting designer. A combinação de luz natural com artificial visa a proporcionar iluminação discreta, tecnicamente eficaz e de baixo consumo de eletricidade. Como ao longo das áreas de circulação grande parte da estrutura e instalações do edifício foi deixada aparente, a iluminação destacou o limite do forro assimétrico com um sistema linear de lâmpadas para uma iluminação mais indireta. De acordo com o projetista, Rafael Leão, essa solução fortalece a linguagem arquitetônica e promove alta impressão de luminosidade, garantindo boa adaptação visual ao longo dos espaços de transição. As estações de trabalho sob o forro modulado receberam luminárias de embutir, numa paginação mais aleatória, dialogando com o desenho do carpete e criando uma ambientação mais despojada e contemporânea. Pendentes cilíndricos e luminárias de embutir complementam a iluminação das áreas de trabalho nas periferias, enquanto pendentes lineares, para iluminação direta e indireta, destacam o desenho irregular dos balcões de trabalho intermediários.

Durante o desenvolvimento do projeto, o maior já executado pela Arealis no Brasil, o cliente esteve envolvido em todas as etapas para garantir que os valores e a identidade da empresa ficassem refletidos no resultado final, e para que o foco do bem-estar dos funcionários e da facilitação da comunicação interna fosse respeitado.

NEW ATMOSPHERES
The request from the board at Cetelem, a French BNP Paribas Group institution, to the architects was very clear: for their new home office in Barueri, São Paulo, they wanted a spatial occupancy that would improve the quality of work at the company. The sketches of suggestions made by the Arealis office were accepted right away at the first meeting. The project organizes the various items of the program around an internal hallway that departs from the reception area and runs through the interior of the office spaces, affording easy access to all the environments. For the best use of natural light, the open work spaces and the board, management, administration and meeting rooms were implemented on the outer edges of the floor. The space between these environments and the core of the building is occupied by tall work benches and group work or informal meeting environments, decompression spaces and the cafeteria. The two floors are connected by their own stairway, already existing on the location. Both floors afford, in separate locations, a data processing center, a printer, an ATM and print points, installed as well at the outer edges of the floors. The meeting, management and board rooms have received glass-panel enclosures, complemented by colored, medium-density-fiberboard panel finishing with unique, heterogeneous shaped cutouts. The automated, totally LED lighting design combines natural light with artificial light. Since the building structure and installations were mostly left exposed, the adopted solution highlights the ceiling edge with a linear lamp system for more direct lighting. The idea strengthens the architectonic language and promotes the impression of fine lighting, guaranteeing good visual adaptation along the transition spaces.

POR ERIDE MOURA FOTOS MAÍRA ACAYABA