Escola Senai, de NPC Grupo Arquitetura, em São Caetano, SP

IMPLANTAÇÃO EM TERRENO ÍNGREME – ESTUDOS COM MAQUETE FÍISICA

Os desafios colocados para o projeto estão relacionados principalmente à topografia acentuada do terreno e ao extenso programa de 15 mil m². O lote de 18 mil m² possui duas frentes, uma na cota alta e outra 13 m mais baixa. A estratégia dos arquitetos foi usar o modelo físico como ferramenta de projeto para investigar uma implantação que conectasse as ruas em cotas distintas.

Os primeiros estudos partiram de duas condicionantes: o alinhamento da cota mais alta como acesso principal, e a preservação da vegetação natural existente. Uma passarela elevada conformou o acesso aos edifícios ligando o passeio público ao pavimento onde acontece grande parte das atividades didáticas. A implantação dos edifícios transversalmente à passarela acomodou dois blocos na cota do maior platô. No primeiro modelo 1, o bloco principal tem duas aberturas zenitais. A sua evolução resultou em quatro volumes edificados 2, intercalados por pátios que integram as atividades desenvolvidas neste bloco com o bloco menor na cota do térreo inferior. A volumetria recortada também qualifica a iluminação e a ventilação do edifício principal pedagógico.

A evolução do modelo em maquete conduziu à versão final 3 em dois blocos, o principal mais solto do terreno com as salas de aula e as oficinas, e o segundo, térreo, adaptando-se à contenção do talude, cuja morfologia irregular estabelece vazios, pequenas praças ligadas aos pátios internos do bloco principal. A cobertura na área do refeitório e do auditório corresponde à praça elevada à qual se tem acesso na passarela por escada.

SISTEMA CONSTRUTIVO: CONCRETO PRÉ-FABRICADO

O sistema construtivo da estrutura e das vedações é de concreto pré- -fabricado, armado e protendido. Tal escolha partiu da fundamentação de atender à redução de custos e à produtividade na execução das obras. A escolha também visou à correta troca de informações entre responsáveis de cada subsistema construtivo, cobrindo as etapas desde a fundação até a cobertura, sem perder a qualidade estética e adaptando-se à necessidade de licitação. Outro ponto que se destaca é a coordenação modular, que teve como diretriz as dimensões das salas de aula, das vedações, dos revestimentos e dos fechamentos com brises.

BRISES E ABERTURAS

O movimento das aberturas dos brises nas fachadas são resultado dos encontros com elementos de acesso: passarela, rampas, entrada principal ao pátio, e fornecem também um jogo de luz tanto de dia (luz natural) quanto de noite (artificial), entre interior e exterior.

Os fechamentos em brises modulares formam quadros de 1,25 m de largura, com altura delimitada pelo alinhamento junto à placa de fechamento de peitoril e à viga do pavimento – estas alturas são correspondentes à fixação dos perfis nas faces desses elementos de concreto. Os brises são de madeira itaúba, com perfil de 15 mm x 35 mm fixado com parafusos sobre perfil de apoio metálico.

A fixação do quadro se dá por perfil de chapas de 6,3 mm, e o quadro é parafusado a chapas de sustentação por dois pontos com parafusos de 12,5 mm na altura da viga, na altura de delimitação das aberturas de fachada e da viga superior. As chapas de sustentação são soldadas sobre chapas dobradas 100 mm x 20 mm ou 125 mm x 16 mm, que se fixam à laje de concreto por cantoneira com enrijecedores metálicos e por chumbadores que penetram na massa da laje, fornecendo a ancoragem junto ao piso e ao teto. Junto à borda do peitoril a cantoneira é posicionada no topo, cobrindo a viga. Na foto, notam-se as chapas de sustentação dos brises, soldadas junto ao guarda-corpo que alinha a viga de borda em forma de banco.

PISOS SOBRE LAJES E PISOS SOBRE O SOLO MOLDADOS IN LOCO

Nas salas de aula e sanitários do térreo o acabamento foi com placas cimentícias e pisos cerâmicos assentados sobre contrapiso moldado no local. Nas oficinas do andar térreo, a laje é moldada sobre o solo, com piso estrutural de concreto armado com tela de aço sobre sub-base de brita graduada tratada com cimento, para atender a operações com cargas de 500 kgf/m², e nas áreas onde é indicado o tráfego de empilhadeiras, foi considerada uma carga de 750 kgf/m².

No andar térreo e no contorno dos edifícios foram especificadas calhas moldadas in loco de concreto e com superfície impermeabilizada e junto à face superior, grelha metálica para trânsito de uso e para acesso do volume das águas e proteção contra entupimentos.

COBERTURA

É estruturada pela continuidade dos pilares de concreto pré-fabricado. No topo dos pilares foram previstos insertos metálicos para receber a estrutura metálica de cobertura sem solidarização. Os pilares trabalham sustentando as vigas da cobertura como um apoio articulado sem transmissão de momentos para os pilares.

As vigas metálicas da cobertura são de duas tipologias: treliçadas e em perfil “I”. Sob estas vigas se encontram vigas auxiliares transversais para sustentação de forro e instalações elétricas. São de aço com perfil “I” junto às faces externas em platibandas dos edifícios; e de perfil com alma treliçada com base e mesa de chapas maciças para apoio pela base e mesa para suporte das placas de cobertura. As vigas treliçadas estão dispostas junto às laterais das calhas centrais e apoiadas na cota 10,60 m.

ESTRUTURA RETICULADA PRÉ-FABRICADA

Os pilares têm consolos ou apoios curtos, que servem de apoio para vigas. Para o trabalho solidário da estrutura e a conformação do pórtico como subestruturas de contraventamento, a solidarização dos nós dos pórticos foi feita por concretagem. A solidarização das lajes alveolares com as vigas, ambas pré-fabricadas, também é por concretagem e capeamento de regularização da superfície superior dos painéis. As lajes alveolares protendidas são apoiadas sobre vigas (e = 20 cm), capeamento moldado in loco de 7,5 cm e alisado com rodo float. O detalhe da conexão viga/pilar na fachada mostra a montagem da viga com beiral e do painel peitoril solidarizados pelo concreto da capa da laje e pelo graute no espaço entre consolo e dente. A pingadeira é definida pela fôrma de concretagem.

ESCADAS

A escada metálica que dá acesso ao mezanino e ao pavimento superior é composta por dois lances paralelos com patamar e planta em “U”. Os pisos são de chapas de aço revestidas com borracha antiderrapante, e são soldados e sustentados pelas vigas de bordas em perfil “I”. Estas vigas são formadas por soldagem de trechos entre si, formando o eixo poligonal, apoiando-se por insertos metálicos junto às vigas de borda de concreto de acesso no pavimento e em viga metálica atirantada no início do patamar. No encontro entre pisos, por serem entre materiais distintos (aço e concreto), foi especificada a união com junta do tipo jeene. Parte da rigidez do conjunto é dada pelo guarda-corpo e pelas barras dos corrimões, o que garante mais estabilidade pela concepção em chapa de aço contínua e com aberturas junto ao piso dos degraus e patamar, que permite drenagem e esgotamento de águas de chuva por ser sem fechamento nas laterais.

O patamar fica suspenso e sua extensão é em balanço.

CIRCULAÇÃO

O sistema de circulação relaciona o interior e o exterior do edifício, transformando corredores em varandas e halls de circulação vertical em pátios-jardins. Deste modo, o projeto de arquitetura do edifício das oficinas e das salas de aula condensa em um grande volume o programa educativo, desenhando pátios internos como fontes de luz e ventilação, associados ao térreo sobre pilotis.

SASQUIA HIZURO OBATA é engenheira civil pela Faap, com mestrado em engenharia civil pela USP e doutorado em arquitetura e urbanismo pela Universidade Mackenzie. É professora do curso de arquitetura e urbanismo na Faap e na Fatec Tatuapé-Victor Civita. É pesquisadora do programa de pós-doutorado em Sustentabilidade em Sistemas de Produção no LaProma/Unip-SP

MARINA GRINOVER é arquiteta e urbanista, doutora pela FAUUSP (2015), sócia do escritório Base Urbana. Recebeu em 2014 o prêmio APCA pela Urbanização da Favela do Sapé. É professora do projeto na FAUUSP, na Faap e na Escola da Cidade