Com detalhes curvos que aludem a asas, banco Angel é produzido a partir de material termomoldável

Quando desenhou o primeiro banco Angel, depois de uma inspiração surgida a partir de um passeio pelo sítio da família, Tiago Curioni pensou em uma peça de madeira. Àquele tempo, no entanto, o projeto seguiu no papel. Dois anos depois, em 2015, o artista, que além de arquiteto e urbanista é designer de produtos, estabeleceu contato com a Samsung, que acabava de lançar no mercado o staron, material até então pouco difundido. Da conversa, surgiu a oportunidade de lançar o projeto com um material até então nunca usado em móveis.

O staron é 70% mineral e 30% acrílico, produzido a partir de minerais naturais refinados de bauxita fundidos com resina acrílica, o que o torna capaz de voltar à plasticidade após o aquecimento. Até não muito tempo, seu uso era muito comum em bancadas e cubas de cozinhas e banheiros de restaurantes e hospitais. Porém, a maleabilidade permitida pelo aquecimento do material o tornou ideal para as asas que dariam o ar angelical ao móvel.

Foto: Flávio Sampaio

A peça é feita à mão sem qualquer tipo de molde, o que significa que nenhuma unidade sai igual à outra. Para a produção do banco, o staron é inserido no forno no formato de uma placa retangular com as abas previamente cortadas. A peça deve ser aquecida a aproximadamente 250ºC por cerca de meia hora. Depois disso, Tiago retira a chapa do forno e, com o auxílio de luvas de couro, molda-a rapidamente, já que o enrijecimento se dá em menos de um minuto. Caso o resultado não saia esteticamente bem ou de acordo com o esperado, o material é novamente reaquecido e recomeçam os trabalhos.

Três são as chapas componentes do banco, e cada uma vai individualmente ao forno, para que o designer possa moldar uma extremidade de cada vez – portanto, o processo se repete por seis vezes. Depois que as três já têm as asas curvadas dos dois lados, as placas são unidas com uma cola especial de alta resistência. A ideia dos pés, curvos, é que se camuflem com as asas.

O assento é formado por uma chapa metálica também revestida por staron, que se mescla em uma estrutura sem emendas pelo mesmo princípio da termomoldagem. Esse reforço faz com que o banco acomode confortavelmente duas pessoas, mas suporte com rigidez até quatro adultos.

Para finalizar a produção da peça, o designer tem somente de lixá-la e eliminar as junções, o que confere a impressão de uma placa única filetada nas pontas.

Foi a primeira vez que Tiago trabalhou com o material, e a incursão inovadora já foi premiada. O banco Angel recebeu medalha de bronze na categoria Street furniture design do A’Design Award 2016. O segundo banco está sendo produzido e o designer já tem mais dez na lista, que podem ser adquiridos sob encomenda. Tiago pretende ainda retomar a ideia original do móvel e fazê-lo em madeira, e diz que já está estabelecendo contatos para colocar a ideia em prática.

POR GIOVANNA GHELLER FOTOS FLÁVIO SAMPAIO