Em detalhes: Arena da Juventude, no Rio de Janeiro, de Vigliecca & Associados

Vigliecca & Associados . Rio de Janeiro . 2013/2016

IMPLANTAÇÃO
A Arena da Juventude está localizada no Complexo Esportivo de Deodoro, um dos quatro núcleos de instalações para os Jogos Olímpicos de 2016. A área de implantação do complexo é cortada por três vias (avenida Brasil, avenida Duque de Caxias e estrada São Pedro de Alcântara), por uma ferrovia (Ramal Santa Cruz), e por um rio (Marangá), todos paralelos entre si e que colocam um desafio para integração das instalações.

A Arena da Juventude se situa entre a avenida Brasil e o rio Marangá em uma faixa com aproximadamente 130 m de largura, o que não é muito, considerando que a Arena tem mais de 80 m de largura.

O projeto, implantado isolado em uma região plana, aproveita os ventos dominantes para contar com ventilação sem obstáculos. A instalação de lanternins na cobertura permite a saída do ar quente. Essa solução só passará a funcionar depois dos Jogos, uma vez que o edifício terá condicionamento de ar durante a Olimpíada. Os controles lumínico e térmico após o evento serão por controle passivo: o equilíbrio tanto do ruído quanto do ar úmido dependerá do controle das aberturas laterais em placas pivotantes assim como do sistema de exaustão por efeito chaminé dos lanternins.

SUBSISTEMAS CONSTRUTIVOS E FUNCIONAIS
A Arena da Juventude pode ser descrita pelos componentes: vigas treliçadas triangulares principais de apoio com lanternins para iluminação natural e exaustores para efeito chaminé. Entre as vigas treliçadas triangulares estão vigas secundárias que sustentam o sistema de membrana impermeável aplicada sobre o isolante térmico. Como forro, há uma manta acústica sobre chapa de aço perfurada. O sistema de iluminação e de som são fixados nas vigas triangulares. Nas fachadas, há painéis de telha metálica ondulada e membrana de PVC sobre reticulado metálico. Telões e sistema de som e dutos de ar condicionado são fixados nos módulos entre pilares e diretamente nestes, assim como as instalações elétricas e de combate a incêndio. As arquibancadas permanentes são de placas de concreto pré-moldado.

PÓS-OLIMPÍADA
Após as competições, a Arena terá a subtração de alguns componentes: revestimento em membrana de PVC com blackout para garantia de desempenho e parâmetros olímpicos será retirado para permitir iluminação natural e funcionamento dos exaustores; o ar-condicionado será retirado; e os fechamentos em membrana de PVC serão subtraídos, permitindo que as vedações verticais de fachadas sejam como malhas abertas com painéis pivotantes, com a circulação passiva dos ventos.

SUSTENTAÇÃO VERTICAL E COBERTURA
O aço estrutura a sustentação vertical e a cobertura, devido à alta resistência relativa ao seu peso próprio, e da industrialização, com o mínimo de escoramentos e andaimes. Para o núcleo e a configuração do vão principal, foram dispostos nove pórticos de aço, paralelos e equidistantes. Cada pórtico possui tramo horizontal de viga triangular treliçada tridimensional, com sustentação vertical em módulo de quatro pilares contraventados para o vão livre de 66,50 m, além de sete treliças triangulares de 4,30 m de altura apoiadas na fachada reticulada de aço.

AMPLIAÇÃO DO CORTE
Notam-se: o corte da rampa em laje steel deck sobre vigas de perfil “I”; a cobertura nervurada metálica em duas direções. Os painéis pivotantes nas duas primeiras faixas são representados por losangos tracejados sobre os painéis, que gerarão a ventilação cruzada. Sua abertura se dá por barra de deslizamento e são acessados por passarela de serviço.

VEDAÇÕES COM PAINÉIS PIVOTANTES
Os painéis pivotantes estão distribuídos entre os vãos de pilares de sustentação, sendo o vão uniformemente composto por três painéis que giram em torno de si; possui fixação central em seu topo e em sua base em pivot de aço inox.

Cada painel é formado por um quadro em perfil “U”, contornando um módulo termoacústico de telha sanduíche com preenchimento de EPS. O módulo de telha é fixado no quadro em perfil “U” com a aplicação de espuma de PVC expandida e uma face adesivada entre a telha e o quadro.

Os painéis são ligados entre si por uma barra que gera o movimento de rotação e báscula o conjunto de três painéis. Para isso, os painéis são fixados à barra de deslizamento na base dos painéis e em pino basculante e soldado em cada módulo.

A maior abertura é dada pelo deslizamento da barra, e o fechamento total dos painéis é obtido com o contato dos painéis com o perfil batedor (em cantoneira de abas iguais) soldado ao quadro metálico, que se fixa aos pilares por soldas.

DETALHE DO PAINEL PIVOTANTE
Os painéis pivotantes estão protegidos das águas pluviais pela calha coletora, que recebe as águas tanto da cobertura em policarbonato do perímetro de circulação, quanto da cobertura de telha termoacústica metálica da arena com manta TPO.

Sob o perfil metálico da calha, percebe-se que os painéis pivotantes fixam-se entre os alinhamentos verticais dos pilares de seção circular. Paralelamente ao alinhamento dos painéis, um perfil de seção tubular forma o alinhamento de topo dos painéis junto à cobertura e conforma a guarnição contínua de borracha dos painéis.

A guarnição contínua de borracha tem como função vedar o alinhamento de contato com o meio externo, sujeito a penetração das águas.

Ao longo da altura da arena, cada dupla de painéis é intercalada por um perfil de seção circular de ligação com os pilares. A união entre painéis de cada dupla é realizada com uma dupla cantoneira, formando uma seção “I” onde se soldam os quadros dos painéis.

LIGAÇÕES NA BASE
Os pilares metálicos, por serem circulares, são conectados junto à base de concreto por arranques compostos por: chapa de tampão da seção circular, sob seu plano se solda uma chapa trapezoidal com enrijecedores de chapas ortogonais, e, na base da trapezoidal, solda-se uma chapa retangular que gerará a ligação parafusada na base de concreto.

PAINÉIS E EMBASAMENTO
Para fixação dos painéis junto à base foi projetada uma parede de embasamento em concreto, sobre a qual se instala a estrutura auxiliar de fixação em perfil “U” de aço e sobre o qual se solda o quadro metálico em tubo de aço que fixa as placas de fechamento dos painéis. Sob esta estrutura auxiliar de fixação em perfil, há uma guarnição contínua de borracha para evitar a entrada de água. Junto à base, foram projetados contramarcos para compatibilizar as dimensões do embasamento concretado e a precisão milimétrica dos componentes em aço dos painéis e da estrutura em aço.

COBERTURA DE POLICARBONATO
A cobertura perimetral da arena, como grandes beirais que avançam do núcleo, proporciona sombreamento e menor aquecimento das fachadas. É formada por uma grelha ortogonal de perfis metálicos em seção “I”. A grelha é fixada à estrutura do corpo principal da arena no sentido do eixo das nove vigas treliçadas triangulares. A grelha é sustentada por nove colunas frontais e nove colunas na fachada posterior.

Cada grelha – como quadro estrutural – é subdivida ortogonalmente formando o módulo nervurado em duas direções que sustenta as placas de policarbonato. A perspectiva ilustra as camadas que formam a cobertura dos grandes beirais:

1ª camada: grelha em seção “I” com fechamento em nervuras em duas direções com seções em “V” (longarinas e seção “S”) transversinas. A calha de captação das águas pluviais está na cor cinza clara.

2ª camada: barras de fixação das placas de policarbonato sobre as vigas “V”, configurando nervuras em uma direção nos módulos centrais e nos módulos dos cantos como uma espinha de peixe.

3ª camada: placas de policarbonato (fechamento final superior).

Nas vistas em perfil das vigas “V” e “S” nota-se a inclinação para drenagem das águas.

OS MÓDULOS DE COBERTURAS DOS GRANDES BEIRAIS
Neste detalhamento, notam-se as vigas em “V” que partem da estrutura principal e se apoiam nas colunas externas. Em vista, estão soldadas às vigas em “V”, formando uma quadrícula com as vigas em “S”. Sobre as vigas em “V”, nota-se a seção tubular soldada e com pintura eletrostática que serve de base para o perfil de alumínio extrudado em cor natural, que fixa a placa de policarbonato alveolar branco leitoso. Da vista em planta da cobertura de policarbonato, notam-se as camadas, desde o alinhamento dos perfis de alumínio que contêm as placas, até a disposição dos parafusos de fixação dos perfis de alumínio, a seção tubular retangular, as vigas em “V” e, ortogonalmente a estas, as vigas “S”.

Para a adequada vedação do conjunto vê-se as vedações em gaxeta de EPM que confinam cada placa entre os perfis de alumínio. O EPM é resistente ao calor, à oxidação e possui estabilidade de cor.

ALÇAPÃO
Para a manutenção da cobertura e acesso para inspeções, a cobertura foi projetada com um alçapão com abertura de dimensões correspondes ao quadro formado entre duas vigas “V” e duas vigas “S”. De fato, vem a ser uma placa isolada e solta, que pode ser levantada de baixo para cima ou ser levada para baixo. Para a vedação da placa solta e dos módulos laterais, há uma associação de seção “U”, onde uma abertura “U” serve para encaixe do perfil da placa do alçapão e do outro a forma “U”serve para fechar e criar uma ancoragem com o perfil de acabamento do módulo fixo lateral.

Nota-se que o apoio do alçapão nas vigas “V” é em perfil de acabamento “U”, o que difere para as placas fixas e no caso das vigas “S”, há sobre estas uma barra maciça retangular em alumínio de espessura de 9,52 mm na cor natural, como um compensador de espessuras e na qual se dá a fixação por parafuso entre o perfil de acabamento do módulo fixo e sobre o qual o módulo isolado se apoia.

Como se trata de uma placa solta, conta-se em todo o contorno com um filete de neoprene como uma fita adesivada ao perfil, que dá a estanqueidade e a contenção por contato entre placas.

SASQUIA HIZURO OBATA é engenheira civil pela Faap, com mestrado em engenharia civil pela USP e doutorado em arquitetura e urbanismo pela Universidade Mackenzie. É professora do curso de arquitetura e urbanismo na Faap e na Fatec Tatuapé-Victor Civita. É pesquisadora do programa de pós-doutorado em Sustentabilidade em Sistemas de Produção no LaProma/Unip-SP

NUNO DE AZEVEDO FONSECA é professor-doutor (MS-3) RTC da USP e professor titular da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Tem experiência na área de arquitetura e urbanismo, com ênfase em planejamento e projeto do espaço urbano, atuando nos seguintes temas: projeto de equipamento de saúde, projeto de arquitetura e urbanismo, projeto do edifício e projeto de loteamento