Editorial: reenergizar a cidade

Dois escritórios brasileiros se aventuram em outras terras nesta edição. Angelo Bucci (SPBR) projeta um edifício de uso misto em Silves, região turística de Portugal. Longilíneo, marca discretamente a paisagem com suas reentrâncias, balanços e recortes nas fachadas que não revelam o pé-direito nos interiores. Enquanto isso, na América Latina, os arquitetos do porto-alegrense Studio Paralelo se uniram ao montevideano Maam para formar o coletivo binacional Mapa – juntos, projetaram uma residência pré-fabricada no interior do Uruguai. No terreno, foram necessários apenas dois dias para a montagem dos sistemas, que foram detalhados na seção Aulas de projeto desta edição.

“Não existe outra terra, meu amigo, nem outro mar, Porque a cidade irá atrás de ti”
Konstandinos Kavafis
, em A cidade

Em São Paulo, analisamos a transformação de três terrenos onde ficam reservatórios de água da concessionária Sabesp, que em meio a bairros residenciais mantinham grandes lotes fechados e sem cuidados – lotes de 10.400 m² a 37.800 m². Com projeto de Levisky Arquitetos, esses terrenos passaram a ser abertos à comunidade, com áreas de lazer e esportes. Enquanto terminávamos esta edição, o projeto dos parques recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) na categoria Arquitetura – Espaços Públicos, e foi um dos 15 brasileiros selecionados para a 10ª Biau (Bienal Ibero-americana de Arquitetura e Urbanismo), que acontece este ano em São Paulo de 4 a 8 de julho.

A transformação de espaços existentes também é assunto na entrevista desta edição, com o espanhol Juan Herreros. Professor da Universidade de Madri e de Columbia, além de ter um escritório próprio, Juan nos fala sobre o diálogo no ensino e na prática, e sobre a necessidade de reativar edifícios existentes para criar espaços híbridos. “O nosso grande erro é a obsessão por criar novos edifícios”, nos diz em entrevista. “Precisamos redensificar, reprogramar, requalificar, reenergizar. Esses são instrumentos mais ambiciosos que os arquitetos devem sintonizar caso queiramos recuperar um lugar de real responsabilidade na construção da nova cidade”, finaliza.

BIANCA ANTUNES