Editorial: construir mudanças

Quinta Monroy, o conjunto de habitação social em Iquique, Norte do Chile, foi o primeiro projeto de Alejandro Aravena e de seu “do tank”, o Elemental, em que a ideia de construir metade da casa para que o morador construísse o restante foi colocada em prática. Dentro desse sistema, outras variáveis estiveram em jogo, como a participação dos moradores no processo de projeto (a busca pela resposta correta a ser respondida) e a manutenção do grupo de vizinhos no mesmo lote em que moravam há 30 anos. Como primeiro projeto, também pode ser visto, hoje, como um campo de pesquisas sobre erros e acertos, e sobre como os moradores se apropriaram do conjunto. Foi assim que Patricio Mardones Hiche analisou a Quinta Monroy no artigo da Interseção desta edição: 12 anos depois de sua inauguração, conversou com moradores e situou a experiência de Aravena dentro da história da habitação social chilena. As fotos foram feitas por Michael Quezada, fotógrafo de Iquique, em fevereiro de 2016 especialmente para a AU.

“Os livros não foram feitos para serem acreditados, mas para que os questionemos. Quando lemos um livro, devemos perguntar a nós próprios não o que diz, mas o que significa”
Umberto Eco, em O nome da rosa

Nesta edição também fomos a Minas Gerais conhecer o projeto do Museu de Congonhas, de Gustavo Penna, e trazê-lo em detalhes – além da reportagem tradicional, o projeto foi analisado na seção Aulas de Projeto, com um pouco de sua história (foram dez anos de projeto e construção) e detalhes construtivos das soluções empregadas pelo arquiteto. Também no caderno AU Educação, desta vez na seção Plano de Aula, explicamos como foi pensada a disciplina Projeto e Tecnologia, do quinto semestre do Mackenzie, em São Paulo, na qual os professores buscam corrigir um erro de muitas universidades: o de pensar a arquitetura separado da construção. Publicamos uma entrevista com os professores e o plano de aula da disciplina.

Esta edição marca uma mudança importante em AU: seu formato volta às dimensões que teve de 2003 a 2013, e que foi o escolhido em recente pesquisa com os leitores. A qualidade das matérias e a boa leitura das plantas ficam garantidas no formato ainda maior do que o convencional, e conseguimos atender a um pedido dos leitores: a facilidade de carregar a revista na bolsa ou na mochila e consultá-la sempre que necessário.
BIANCA ANTUNES