Proposta de Sergio Camargo para a sede da Viacom, em São Paulo, racionaliza divisórias e cromatismo

Proposta de Sergio Camargo para a sede da Viacom, em São Paulo, racionaliza divisórias e cromatismo

Quem chega à nova sede paulistana da Viacom Brasil em um dia comum de trabalho jamais imagina que, em ocasiões especiais, é possível abrir uma verdadeira clareira no meio do escritório para dar lugar a um confortável salão de eventos, com direito a telão e espaço para mais de uma centena de convidados. A “sala fantasma”, como foi apelidada pela equipe do escritório, é a grande estrela do projeto de interiores criado pelo escritório paulistano SCAA Arquitetura, mas não seu único destaque.

Conglomerado de mídia responsável por operar no país canais como MTV, Nickelodeon, Nick Jr., Comedy Central e Paramount Channel, a empresa buscava um lugar maior e mais moderno para concentrar todas as suas atividades e reunir os seus cerca de 150 funcionários. A escolha do novo endereço – um andar de 1.150 m² em um edifício corporativo no Itaim Bibi – levou em consideração, principalmente, a excelente infraestrutura do prédio, exigência técnica primordial da Viacom. O desejo de um visual estimulante e a necessidade de aproveitar ao máximo a metragem disponível vieram logo em seguida, norteando o trabalho desenvolvido pela equipe de arquitetos.

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Editorial: vida urbana

A cidade que se descortina no vão livre de um edifício revela o quanto a contribuição da arquitetura para qualificar os espaços urbanos pode ir além do perímetro do projeto. Tal inspiração serviu de mote ao Edifício 1232, residencial do escritório curitibano Arquea e que ilustra a capa desta edição. Com o térreo pontuado apenas por uma escada de acesso aos pavimentos superiores, o olhar de quem passa pela calçada atravessa todo o lote, criando um interessante diálogo com a cidade.

A obra confirma o quanto o trabalho do arquiteto se norteia pela ideia de que a vida acontece no tempo e no espaço e de que, se o tempo corre alheio a nós, o mesmo não ocorre com os espaços. Cabe a esses profissionais a função primordial de planejar o que ocorre entre uma construção e outra – mais precisamente, nos lugares onde parte significativa da vida se dá, por onde as pessoas andam, passeiam, chegam ao trabalho, buscam os filhos na escola, compram pão. A partir deste pensamento integrado, que coloca as questões urbanas no cerne da atividade arquitetônica, diluem-se os limites entre espaço público e privado, entre cidade e prédio, proporcionando uma combinação que enriquece a experiência do convívio e o fascínio que a paisagem pode exercer.

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