Em detalhes: Leblon Offices, de Richard Meier, no Rio de Janeiro

Em detalhes: Leblon Offices, de Richard Meier, no Rio de Janeiro

IMPLANTAÇÃO

A locação do empreendimento é privilegiada e de valor imobiliário elevado: é considerado o segundo metro quadrado mais caro do País, cerca de 30 mil reais/m². Está a cerca de duas quadras e meia da avenida beira-mar e, ao fundo, a encosta em alinhamento direto.

O terreno, praticamente plano e resultado de ocupações e construções que foram demolidas, está inserido em ZR-3, ou seja, área mista com vocação comercial e administrativa. O zoneamento dado pelo plano diretor da cidade apresentou restrições em área para construção, resultando em exercícios projetuais, como o atendimento à altura máxima das edificações em 25 m. Os arquitetos projetaram, ainda, um recuo frontal de 5,5 m da rua – gerando mais afastamento das faces dos escritórios em relação à via principal, o que significa mais conforto acústico, mais acesso à luz natural e amplitude no acesso à via, formando praça de acesso que se conecta a uma entrada ampla e a um lobby generoso. Esta solução se contrapôs à diretriz mais comum de ocupação desse tipo de terreno, que é a de adotar pavimentos escalonados. O resultado é que os edifícios existentes e vizinhos, de modo geral, têm maior gabarito de altura em relação ao edifício construído. Obteve-se nesta proposta sobre o terreno de 900 m² dez pavimentos com 6,5 mil m² de área locável para escritórios. Há também três subsolos para vagas de carro.

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Editorial: espaços de trabalho

O quanto a produtividade de uma empresa está relacionada ao layout de seu espaço de trabalho? Por essa questão começam os projetos de interiores corporativos e é essa a pergunta que guia pesquisadores das principais empresas de mobiliário na hora de lançar seu próximo produto. Entender como são as relações de trabalho hoje é imperativo para saber que tipo de mobiliário é necessário produzir – e isso não significa apenas pensar em um novo modelo de estação de trabalho, significa criar novos conceitos.

Designers e a equipe de marketing da Shaw Contract Group reuniram jornalistas na sua sede em Cartersville, nos Estados Unidos. Na mesa, perguntas sobre os projetos de interiores corporativos pelo mundo: acabou a era do escritório-brincadeira com mesas de pingue-pongue? Open space tem futuro? Escritórios de advocacia serão sempre ambientes sérios? Muitas dessas questões são difíceis de prever, mas diante das rápidas mudanças em cenários econômicos ou de tecnologia, há um caminho certo: é preciso oferecer soluções flexíveis. Seja para aumentar ou diminuir o staff, seja na diversidade de usos de um mobiliário. As principais empresas na área de interiores corporativos estão seguindo essa ideia e mostraram na Neocon, feira realizada em Chicago de 13 a 15 de junho, soluções que integram funcionários, lhes dão oportunidade de personalizar seu espaço e de também compartilhá-lo. Alguns desses sistemas estão na reportagem sobre a feira publicada nesta edição.

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Os profissionais que assinaram os projetos publicados na edição

Os profissionais que assinaram os projetos publicados na edição

O projeto e o entorno
Quando cursava FAUUSP no fim da década de 1970, Guilherme Paoliello 1 se uniu a André Vainer e mais um grupo de amigos para fundar um escritório. Alguns se dispersaram durante o percurso, mas Guilherme e André seguiram trabalhando juntos por mais 30 anos, até que a dupla decidiu seguir caminhos separados. Desde 2009, Gui trabalha sozinho – hoje com mais dois colaboradores -, e diz não ter havido nenhuma mudança essencial em seu jeito de fazer arquitetura. O arquiteto, que é um dos fundadores da Escola da Cidade, não se considera um arquiteto estrela. “Não faço trabalhos espetaculares, mas acho que tenho uma coisa de propriedade, de projetos econômicos que têm uma adequação com o lugar, com a paisagem ou com o ambiente urbano em que está colocado”, diz. Hoje tem cerca de 350 projetos construídos, dos quais predomina a área residencial.

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Richard Meier no Rio de Janeiro: conheça o Leblon Offices

Richard Meier no Rio de Janeiro: conheça o Leblon Offices

No Leblon Offices, a implantação contém uma especificidade passível de ser notada ainda quando se está na avenida Bartolomeu Mitre: o recuo de sua fachada em 5,5 m tanto é resposta a uma necessidade imposta pela legislação quanto é um modo como o arquiteto sutilmente destaca seu projeto dos banais edifícios adjacentes. Recuar também é um ajuste do ângulo de visão do pedestre, afinal tal ato contém a intenção de que a frente do prédio seja melhor admirada por quem está na calçada. E não se está em frente de qualquer fachada. Reconhece-se ali a assinatura pessoal de Richard Meier.

Revemos os elementos que compõem um vocabulário pessoal do arquiteto. A fachada é regulada por uma espécie de jogo neoplasticista: tal como em Mondrian, há uma composição de linhas horizontais e verticais. A horizontalidade é marcada por fixos perfis de alumínio anodizados na cor branca (brises), por uma curta marquise entre o primeiro e segundo andares, e por passarelas técnicas que podem passar despercebidas já que são compostas de elementos delgados. Ou seja, as linhas horizontais são eminentemente os elementos extrudados do plano da fachada – obviamente, eles também cumprem uma função de conforto ambiental ao protegerem os espaços internos dos raios solares das tardes cariocas. Por sua vez, a verticalidade é determinada, principalmente, pela caixilharia que estrutura o vidro do plano frontal – um ritmo variável de acordo com o distanciamento entre os perfis verticais brancos.

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