Consórcio Königsberger Vannucchi + Levisky Arquitetos elabora projeto de retrofit do Jockey Club de São Paulo

Consórcio Königsberger Vannucchi + Levisky Arquitetos elabora projeto de retrofit do Jockey Club de São Paulo

O Consórcio Königsberger Vannucchi + Levisky Arquitetos divulgou recentemente o projeto de requalificação urbana e preservação do patrimônio cultural do Jockey Club de São Paulo, elaborado em parceria com a Prefeitura de São Paulo. O projeto visa restaurar e preservar o patrimônio histórico tombado, além da criação de um parque privado de uso público.

Próximo a Marginal Pinheiros, o Jockey Club possui aproximadamente 600 mil m² e receberá intervenções como a retirada de dois quilômetros dos muros existentes; implantação de pistas de caminhada, boulevards e ciclovias de uso público; e conexões diretas as linhas de transporte público da região como as estações de trem da CPTM e de metrô da Linha Amarela.

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Com experiência de quatro décadas na readequação da arquitetura colonial, Renato Tavolaro mostra como intervir — por meio de releitura do patrimônio histórico ou inserção de elementos contemporâneos — de forma coerente

Com experiência de quatro décadas na readequação da arquitetura colonial, Renato Tavolaro mostra como intervir — por meio de releitura do patrimônio histórico ou inserção de elementos contemporâneos — de forma coerente

Formado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie no fim a década de 1970, desde menino Renato Tavolaro se encantou pela estética sui generis do colonial português no Brasil. “Lembro-me, ainda menino, como me espantava com a grandiosidade da arquitetura durante visitas à fazenda com o meu pai”, conta. A carreira iniciada como desenhista, ainda durante a graduação, encontrou caminho na trajetória entre São Paulo e Paraty, celeiro de grande parte da produção de Tavolaro.

Reconhecido pelo estilo e traçado próprios, o arquiteto tem como marca a intervenção consciente, que com maestria vence os desafios da linha tênue da adaptação do colonial aos tempos modernos. O diálogo entre o velho e o novo, para Tavolaro, é primordial. Para isso, avalia com critério o limite da intervenção. A linguagem, a escolha dos materiais e o restauro fiel às origens são alguns dos elementos essenciais à sua arquitetura. Trabalha com a oposição – inserindo elementos completamente “estranhos” à estética original – e a recuperação fiel da planta original. “Assim, deixo claro ao observador o que é intervenção e o que é original”, explica.

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Projeto da nova sede de sala teatral catalã mantém características espaciais da construção original e busca unidade visual entre o antigo e o novo

Projeto da nova sede de sala teatral catalã mantém características espaciais da construção original e busca unidade visual entre o antigo e o novo

Quando o dramaturgo catalão Toni Casares deparou com o antigo edifício da cooperativa de trabalho Paz y Justicia, em Barcelona, na Espanha, sabia que aquela construção seria ideal para acolher a nova sede da Beckett, sala teatral fundada em 1989, e dirigida por ele desde 1997. As dimensões generosas do prédio, situado no bairro de El Poblenou, fascinaram Casares, que não se intimidou com o estado de abandono em que se encontrava a edificação, em desuso desde 1980, quando a cooperativa parou de funcionar. O diretor queria, dentre outras coisas, que a memória do edifício fosse preservada pelo projeto de arquitetura feito pelo escritório Flores y Prats.

Vencedores de um concurso público promovido pela prefeitura de Barcelona para o projeto da Sala Beckett – Obrador Internacional de Dramatúrgia, em 2010, os arquitetos Ricardo Flores e Eva Prats, sócios do Flores y Prats, mantiveram as características espaciais da construção original, erguida em 1924, restaurando elementos como vitrais, cornijas e rosáceas. “As cicatrizes que o tempo havia deixado nas paredes, nos tetos e nos pisos deveriam se somar às ações feitas por nós, numa superposição de elementos de diferentes épocas, sem que houvesse uma distinção nítida entre o que é velho e o que é novo”, afirma a dupla.

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Editorial: um retrofit da profissão

Gustavo Curcio

Trabalhar arquitetonicamente a memória tem sido o desafio de muitos arquitetos no Brasil e no exterior. Embora filhos de um país jovem – que tem dificuldade de lidar com um patrimônio “recente” -, temos visto experiências interessantes de intervenções em edifícios históricos. O trabalho do retrofit em escala monumental parece mais óbvio, como é o caso do Auditório Araújo Vianna, que permanece uma obra aberta em solo gaúcho e ilustra as páginas de uma reportagem desta edição.

“Por muito tempo, perdura entre os homens a postura de lidar livremente com os artefatos arquitetônicos do passado, no sentido de adaptá-los às exigências do presente, sem impor qualquer limitação às alterações ou mesmo às demolições.” (Eneida de Almeida*)

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Ícone do Parque Farroupilha e da arquitetura moderna brasileira, Auditório Araújo Vianna tem retrofit do MooMAA implementado parcialmente

Ícone do Parque Farroupilha e da arquitetura moderna brasileira, Auditório Araújo Vianna tem retrofit do MooMAA implementado parcialmente

De anfiteatro ao ar livre a uma das mais modernas salas de espetáculos da capital gaúcha, o Auditório Araújo Vianna, no Parque Farroupilha, é dono de uma respeitável trajetória de mais de meio século, entrelaçada com a memória da própria cidade.

Concebido durante o movimento de vanguarda da arquitetura moderna brasileira, na década de 1950, o projeto nasceu das pranchetas dos arquitetos Carlos Maximiliano Fayet e Moacyr Moojen Marques, então funcionários da Divisão de Urbanismo da Secretaria de Obras da prefeitura de Porto Alegre. Decretada a desativação da primeira versão do auditório, que ficava na Praça da Matriz (veja a linha do tempo), a dupla teve como missão colaborar com a escolha de um local para a sua implantação, desenvolver o projeto arquitetônico e administrar a obra.

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Editorial: zonas de fronteira

GUSTAVO CURCIO

A clareza com que Jane Jacobs expôs as ideias antimodernas em Morte e Vida das Grandes Cidades – ainda na década de 1960 – parece perfeita meio século depois. “O uso misto é o caminho para garantir a pujança da cidade”, defendeu à época. Jacobs definiu conceitos-chave atemporais para o planejamento urbano, que nasceram da observação das regiões degradas de grandes cidades. Assim, chamou de zonas desertas de fronteira as áreas em torno de linhas que interrompem a conexão da cidade, como trilhos de trem e grandes avenidas.

Basta percorrer a região da Ceagesp, no bairro da Vila Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo, para entender o fenômeno urbano: à beira da Marginal Pinheiros, no perímetro do terreno de 700 mil m2 que abriga o entreposto paulistano, está o “deserto”. A chave para requalificar pontos da cidade como esse é, sem dúvida, a discussão.

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