Editorial: a arte de envelhecer bem

Sempre me pergunto se os grandes expoentes da arquitetura moderna – no Brasil e no mundo – pensaram sobre o envelhecimento dos edifícios saídos de suas pranchetas. Ao caminhar pelo célebre Salão Caramelo, área aberta do icônico edifício criado por Vilanova Artigas para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, é fácil perceber que um remendo de epóxi alemão nos 1.000 metros quadrados não pode ser feito sem deixar marcas. O mesmo vale para as imensas empenas cegas de concreto aparente, tão usadas no apogeu brutalista. As soluções de recuperação adotadas ao longo do tempo contrariam os princípios básicos da escola moderna. Basta observar as estruturas de concreto da capital Brasília cobertas de tinta branca para entender um pouco desse fenômeno.

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Escola Municipal de Astrofísica, em São Paulo: o restauro por Edson Elito em 2004

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O RENASCIMENTO DA ESCOLA MUNICIPAL DE ASTROFÍSICA

O projeto de arquitetura começa por uma pergunta: que partido adotar. Isto é, dadas as condicionantes (programa, sítio, recursos), quais seriam as respostas mais adequadas à solução do problema? Na Escola Municipal de Astrofísica, o arquiteto e professor da FAUUSP Roberto José Goulart Tibau delimitou um território mediante vigas perpendiculares a dois pilares-parede associados a uma planta livre com quatro apoios, enfatizando a transparência e o prolongamento visual determinados tanto pelos vãos estruturais sem laje quanto pela caixilharia das áreas cobertas. Balanços de laje no eixo transversal atenderam ao sombreamento das vedações de vidro. O edifício é um exemplar da arquitetura brutalista paulista, e harmoniza a força dos grandes elementos estruturais à leveza que delimitam.

A ideia de uma Escola de Astrofísica foi do professor Aristóteles Orsini, membro da Associação de Amadores de Astronomia de São Paulo, em 1949. Inaugurado em 1961, o edifício de astrofísica exigiu cuidados com o passar dos anos. Em 1992, foi tombado pelo Condephaat e pelo Conpresp.

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