Ganho urbanístico: projeto do Bloco Arquitetos abre as fachadas de restaurante em Brasília

Ganho urbanístico: projeto do Bloco Arquitetos abre as fachadas de restaurante em Brasília

Cosmopolita e contemporânea. Com essas palavras, o chef André Castro descreveu duas qualidades centrais de sua cozinha que precisavam ser expressas pelo projeto de arquitetura de seu restaurante em Brasília, o Authoral. E, para garantir que a essência de seu trabalho pudesse, de fato, inspirar o desenho do espaço, fez questão de cozinhar para os projetistas do Bloco Arquitetos antes mesmo de começarem a falar sobre ambientes e materiais.

O chef logo apresentou, também, alguns dos elementos que já havia elencado para materializar seu restaurante. Assim, peças cerâmicas sem verniz, pratos de pedra, cestas marajoaras e artefatos de bambu e papelão – além da ausência de toalhas de mesa ou guardanapos de pano – trouxeram à tona outras características de sua cozinha que deveriam informar o projeto arquitetônico: a pluralidade de referências, a informalidade e, sobretudo, a verdade dos materiais.

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Integrada com a área da piscina e solta do terreno, casa em Florianópolis privilegia vista do entorno e soluções da arquitetura sustentável

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Uma residência aberta composta de três volumes prismáticos simples e encaixados, que se desenvolvem ao redor de uma piscina. Assim poderia ser descrita a casa criada pelo escritório Pimont Arquitetura, em Florianópolis (SC), para o cliente que desejava viver em uma construção com atmosfera praiana. A ocupação do terreno em desnível e o partido estrutural que privilegia os grandes vãos favoreceram a integração dos espaços com a área de lazer externa, além da vista do entorno. O projeto também incorpora soluções da arquitetura sustentável, como o teto-verde, sistema de aquecimento solar de água e de captação e uso de águas pluviais.

A entrada acontece por meio de uma passarela de itaúba (madeira densa e resistente), próxima de uma grande árvore com bromélias, que foi mantida no terreno pelo projeto, assim como outras. A passagem suspensa garante acesso dos pedestres ao volume arquitetônico suspenso e solto do terreno. “A implantação tirou partido dos desníveis do terreno para lançar a casa como um volume em balanço sobre a garagem, como se a construção flutuasse sobre aquele espaço”, diz Henrique Pimont, chefe do escritório de arquitetura.

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Reforma em casa modernista, no Recife, valoriza elementos originais da construção e, ao mesmo tempo, atualiza o espaço para receber um restaurante com cardápio e visual contemporâneos

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Herança das décadas de 50 e 60, os casarões modernistas que dominavam o bairro de Graças, na Zona Norte da capital pernambucana, vêm gradualmente perdendo a hegemonia: muitos dão lugar a edifícios, outros passam por intervenções que acabam resultando na total descaracterização de seu estilo arquitetônico. Felizmente, nenhum desses foi o destino deste sobrado, que passou por uma esmerada reforma para abrigar a nova unidade da creperia Anjo Solto, ícone boêmio estabelecido há mais de 20 anos na cidade.

A cargo das arquitetas Ana Luisa Rolim, do escritório Coletivo-rt, e Juliana Santos, a proposta preservou ao máximo os elementos sobreviventes do projeto original, de 1962. “Principalmente no exterior, conseguimos manter a estética modernista que havia resistido ao tempo”, avalia Ana Luisa.

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Ao criar a nova sede do Instituto Brincante em São Paulo, Bernardes Arquitetura opta por um edifício aberto à circulação e à rua

Ao criar a nova sede do Instituto Brincante em São Paulo, Bernardes Arquitetura opta por um edifício aberto à circulação e à rua

Não é de hoje que o Instituto Brincante promove o conhecimento e a assimilação da riqueza cultural brasileira: lá se vão quase 25 anos desde que o casal de artistas Antonio Nóbrega e Rosane Almeida ocupou, com seu teatro-escola, um antigo galpão industrial no coração da Vila Madalena. O risco de ter que deixar a região – tradicionalmente ligada a manifestações artísticas e culturais – veio em 2014, quando o proprietário do imóvel alugado solicitou sua desocupação: o terreno seria vendido a uma construtora. Depois de pleitear na justiça o direito pela permanência e, ainda, levantar um importante debate sobre os edifícios que pouco a pouco tomam nossas cidades, o instituto se viu obrigado a abandonar o endereço.

Começou, então, um novo capítulo nessa história: o da reinvenção. Com o objetivo de arrecadar recursos para a criação de um novo espaço a poucos metros do anterior, foi lançada a campanha #FicaBrincante. Parte da verba veio do Instituto Alana, grande apoiador da causa; outra, do público, captada por meio do site de financiamento coletivo Catarse. O projeto foi assinado e doado pelo escritório Bernardes Arquitetura, que também mobilizou novos parceiros: boa parte das empresas, profissionais e fornecedores envolvidos na obra também não cobrou nada ou apenas o preço de custo.

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Residência em Campos de Jordão tem formato elíptico criado a partir de barras calandradas de eixo curvo e combina estrutura metálica, madeira e vidro

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A BUSCA DA FORMA
A Casa Pinhão está situada na Serra da Mantiqueira, interior de São Paulo, implantada no topo de um morro em terreno de 5.350 m². O projeto, de formato elíptico, apoia-se sobre 25 pilares estruturais que sustentam quatro pavimentos distribuídos em 1.300 m². Para lidar com o clima frio, combinam-se o uso intenso do aço nas estruturas, a madeira como isolante térmico e o uso extensivo do vidro nas faces de maior incidência de sol, proporcionando o aquecimento passivo dos ambientes internos, a compensação do gasto de energia e maior vista para as paisagens. A solução é complementada por formas ativas de calefação, como o forno-lareira italiano da sala e aquecedores de ambientes e de piso, principalmente nos banheiros e no spa pelo uso do piso radiante.

Das araucárias e pinheiros há a aderência morfológica para uma arquitetura que contemplasse pilares esbeltos. Do pinhão, extraiu-se a cor de caracterização e referencial do local e a forma de cone e base circular.

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Residência em Campos do Jordão assume a forma da semente da araucária para se integrar à paisagem e criar ambientes curvilíneos revestidos de madeira e pedra, reforçando a ideia de organicidade e sofisticação

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Em uma região dominada por casas de campo com arquitetura de inspiração alpina, como é Campos do Jordão, na serra da Mantiqueira paulista, os arquitetos do escritório carioca Mareines+Patalano optaram por fugir totalmente desse padrão arquitetônico. Buscaram projetar uma residência de 1.300 m² em um terreno de 3.100 m² que tirasse proveito das particularidades da natureza local, marcada pela combinação de altitude elevada, relevo acidentado, céus de tonalidades singulares e clima frio. “Nossa primeira atitude frente ao desafio de projetar essa casa foi não repetir a arquitetura utilizada na região. Nossa concepção era outra: entender o que nos pede a terra, com suas plantas, clima e figuras humanas”, explica Rafael Patalano, sócio-titular do escritório.

Os arquitetos partiram então para um desenho que reverencia a paisagem local. O ponto central da criação foi o pinhão, semente bojuda de um lado e pontiaguda de outro que nasce da araucária, espécie de pinheiro símbolo das serras do Centro-Sul do País. “A forma da casa brotou naturalmente, como os pinhões que se soltam das pinhas”, revela o arquiteto. Ele conta que os pinheiros existentes no terreno e na natureza característica da serra da Mantiqueira definiram profundamente o projeto, inspirando a concepção da silhueta do telhado superior da casa, em formato do pinhão. “Essa forma de geometria complexa, com curvatura em duas direções, reforça a ideia de organicidade e pertencimento”, salienta Patalano. O volume final, cuja configuração é a de uma mansão que parece surgir de dentro da colina, cria uma atmosfera de refinamento com estética urbana, integrada ao cenário local.

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