Intervenções de Giancarlo De Carlo em Urbino, na Itália

GIANCARLO DE CARLO NA INAUGURAÇÃO DA FACULDADE DE ECONOMIA , URBINO (2000)

MÔNICA MASCARENHAS GRANER
Arquiteta, desenvolve projetos na área de arquitetura e urbanismo, com mestrado em Projeto de Arquitetura pela FAU-USP. Pesquisadora de espaços universitários contemporâneos e da obra de Giancarlo De Carlo, é membro da Fondazione Ca’Romanino

Este artigo apresenta o caráter multidisciplinar da obra de Giancarlo De Carlo, um dos arquitetos italianos mais importantes do século XX. Seu dinâmico percurso profissional, suas viagens, seus projetos e suas reflexões o colocam como figura particular do Movimento Moderno e da arquitetura contemporânea. O texto evidencia seu engajamento em defesa da cidade, considerada por ele o instrumento educativo mais importante no processo evolutivo da sociedade contemporânea. Tal perspectiva conduziu sua trajetória projetual, tornando a cidade histórica de Urbino, no centro-oeste da Itália, o seu mais importante e duradouro laboratório, no qual materializou hipóteses e as verificou por meio dos cenários de transformação da realidade. Um percurso por seus projetos mais significativos – Università degli Studi di Urbino, o Plano Regulador de Urbino e a residência Lívio Sichirollo (hoje, Fondazione Ca’Romanino) – comprova a essência e a atualidade de suas reflexões como contribuição para a arquitetura contemporânea.


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Com projeto de Vazio S/A antigo sótão de teatro se transforma em local de encontro, em Belo Horizonte

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Em uma série de dar orgulho ao Eupalinos de Paul Valéry, Carlos Teixeira projetou plataformas dentro da subestrutura de edifícios medíocres em áreas de topografia acidentada, as famosas palafitas de concreto do bairro Buritis em Belo Horizonte. Denominadas Amnésias topográficas, as instalações de 2001 e 2004 foram suporte para peças de teatro que chamavam a atenção para esses vazios urbanos. Vazios que foram o cerne do primeiro livro do arquiteto em 1999 e que se desdobram nos Espaços colaterais, o segundo livro de 2008 – depois ainda viriam o Condomínio absoluto (2009) e Entre (2010).

Os livros e as experimentações em torno dos vazios urbanos são os precursores dessa instalação no sótão do Cine Brasil Vallourec. Inaugurado em 1932 na praça Sete de Setembro, a principal de Belo Horizonte, o edifício sóbrio de linhas decò foi restaurado pela siderúrgica Vallourec-Manesmann e reinaugurado em 2013. Situado em uma esquina de 45 graus tão típica do projeto original de Aarão Reis para Belo Horizonte, o edifício dispõe o grande teatro de 1 mil lugares aproveitando o ângulo agudo, com a tela/palco na esquina. Enquanto a entrada do público se dá por um luxuoso hall por detrás da tela, o acesso aos pavimentos superiores – incluindo o novo terraço/salão de festas de 900 m² – se faz pelo fundo do edifício, no que seria a base do triângulo. Leia mais