Habitação social na área central da cidade de São Paulo

Habitação social na área central da cidade de São Paulo

Desde o fim dos anos 1980, o poder público, a sociedade civil e os movimentos de moradia têm se dedicado a estudar e propor novas ideias para as áreas centrais da cidade, na tentativa de reverter o processo de deterioração de um patrimônio construído através de décadas e até de séculos da construção do território urbano.

No Brasil, a adoção do modelo modernista de produzir cidades resultou na implantação de moradias localizadas em bairros distantes da área central e da oferta de empregos. No dia a dia da cidade, o fluxo casa/trabalho/casa obrigou à construção de avenidas expressas, viadutos, passagens em nível, ou seja, toda uma infraestrutura que facilitasse o transporte dos trabalhadores com a rapidez demandada pelas tarefas diárias.

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Habitação social no Brasil e os desafios gerados pelo déficit habitacional

Habitação social no Brasil e os desafios gerados pelo déficit habitacional

Os desafios gerados pelo déficit habitacional atravessam a história moderna e contemporânea do Brasil. No entanto, alguns momentos parecem ser mais propícios (ou urgentes) para tratar desse assunto. As questões sociais da arquitetura atualmente assumem uma posição destacada na crítica e na mídia especializadas da área: em meados de 2015, a Bienal de Veneza consagra como curador o arquiteto chileno Alejandro Aravena (AU 259), cuja principal produção centra-se na habitação popular (AU 264) e que colocou como foco para esta bienal a busca de práticas que enfrentem desigualdades sociais, precariedades técnicas e outros desafios de caráter similar. No começo de 2016, este arquiteto foi laureado pelo prêmio Pritzker.

São reflexões que atestam que a questão da habitação permanece passível de múltiplas entradas e aproximações, e que certamente permanecerão em pauta. Um balanço dos fenômenos e das transformações ocorridas nos últimos anos faz-se necessário para continuarmos enfrentando os problemas sociais que ainda afligem o Brasil.

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Como trabalhar com projeto de baixa renda

Como trabalhar com projeto de baixa renda

No Brasil, principalmente entre famílias da classe baixa, é comum que os moradores acabem reformando ou construindo suas próprias casas apenas com a ajuda de mestres de obra ou de pedreiros, segundo pesquisa divulgada pelo CAU/ BR em 2015 (AU 259). Para grande parte dos brasileiros, contratar um arquiteto custa caro. Além disso, para Caio Santo Amaro, arquiteto da Peabiru e professor da FAUUSP, a profissão e toda a formação do arquiteto são baseadas em um trabalho mais voltado para a elite, o que acaba afastando os profissionais da população mais carente. “No próprio curso de graduação ainda há a imagem de que um arquiteto bem-sucedido é aquele que pode manter um escritório, que desenvolve projetos autorais. Isso, além de ser uma ideia falsa, afasta a profissão das reais demandas e necessidades da sociedade”, afirma o arquiteto. Leia mais

Editorial: construir mudanças

Quinta Monroy, o conjunto de habitação social em Iquique, Norte do Chile, foi o primeiro projeto de Alejandro Aravena e de seu “do tank”, o Elemental, em que a ideia de construir metade da casa para que o morador construísse o restante foi colocada em prática. Dentro desse sistema, outras variáveis estiveram em jogo, como a participação dos moradores no processo de projeto (a busca pela resposta correta a ser respondida) e a manutenção do grupo de vizinhos no mesmo lote em que moravam há 30 anos. Como primeiro projeto, também pode ser visto, hoje, como um campo de pesquisas sobre erros e acertos, e sobre como os moradores se apropriaram do conjunto. Foi assim que Patricio Mardones Hiche analisou a Quinta Monroy no artigo da Interseção desta edição: 12 anos depois de sua inauguração, conversou com moradores e situou a experiência de Aravena dentro da história da habitação social chilena. As fotos foram feitas por Michael Quezada, fotógrafo de Iquique, em fevereiro de 2016 especialmente para a AU. Leia mais