Encravado no topo de um mirante entre verdes montanhas da capital mineira, complexo cervejeiro se destaca pelo traçado arquitetônico inventivo e envolvente de Gustavo Penna

Encravado no topo de um mirante entre verdes montanhas da capital mineira, complexo cervejeiro se destaca pelo traçado arquitetônico inventivo e envolvente de Gustavo Penna

No princípio, eram dois elementos primordiais: um cenário de tirar o fôlego e um briefing que apontava para a criação de um ambiente propício tanto à produção quanto ao consumo de cervejas artesanais de alta qualidade. Entrelaçar essas duas pontas e amarrá-las com o desejo de surpreender os visitantes com uma miríade de experiências sensoriais foi o trabalho empreendido pelo arquiteto Gustavo Penna (GPA&A) ao projetar o Ateliê Wäls, novo complexo da cervejaria mineira que firmou parceria com a Ambev em 2015.

O local escolhido para a implantação do espaço foi um antigo galpão fabril, acomodado no topo de um dos idílicos morros do bairro Olhos D’Água, em Belo Horizonte, razão pela qual privilegiar a paisagem foi o ponto de partida. “A cidade, vista assim do alto, mais parece um céu no chão”, pontua o arquiteto, citando a canção de Paulinho da Viola para justificar o fechamento envidraçado que envolve a construção de 1.900 m² distribuídos em três pavimentos.

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Em detalhes: Museu de Congonhas, de Gustavo Penna

Em detalhes: Museu de Congonhas, de Gustavo Penna

Gustavo Penna Arquitetos & Associados . Congonhas, MG . 2005/2015

IMPLANTAÇÃO
Um dos principais propósitos do projeto Museu de Congonhas relaciona-se com a sua implantação, que ocupa o declive do Morro Maranhão entre o Conjunto do Santuário de Bom Jesus do Matozinhos e o edifício da Romaria, patrimônio setecentista mineiro. Pautado pela discrição e neutralidade, a obra distribuída em três níveis encontra-se incrustrada delicadamente no terreno. Leia mais

Lajes inclinadas e paredes diagonais revelam os traços de Gustavo Penna em residência de 736 m2 em Nova Lima, MG

Lajes inclinadas e paredes diagonais revelam os traços de Gustavo Penna em residência de 736 m2 em Nova Lima, MG

O terreno de 20 m de frente e o programa de 736 m² foram os primeiros desafios para o arquiteto Gustavo Penna no projeto desta residência no município de Nova Lima, MG. Para garantir sua marca no terreno enxuto, o arquiteto saiu do lugar-comum: em lugar de adotar para a estrutura envolvente o desenho tradicional – laje plana, vigamento linear e pilares equidistantes -, optou por proporcionar a esses componentes uma configuração mais dinâmica.

O pretendido movimento na laje se dá pela sua decomposição em um conjunto de triângulos com inclinações variadas, o que facilita o escoamento das águas da chuva, enquanto as arestas da dobradura – em uma espécie de origami – aumentam a rigidez do conjunto, eliminando a presença de vigas internas aparentes. Leia mais

Com pedra sabão e muxarabi metálico, Gustavo Penna inaugura Museu de Congonhas em Minas Gerais

Com pedra sabão e muxarabi metálico, Gustavo Penna inaugura Museu de Congonhas em Minas Gerais

“Todo escritor começa barroco e busca não a simplicidade, que é desimportante, mas sim uma contida e modesta complexidade.” Com essa frase de Graciliano Ramos, pode-se explicar muito da procura arquitetônica que Gustavo Penna vem refinando nos 40 anos de atuação de seu escritório. Com linhas contidas, reverência ao passado e ideais contemporâneos, Gustavo Penna propõe um museu em Congonhas, Minas Gerais, para reverenciar outro museu, a céu aberto, idealizado por Aleijadinho: o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos. O conjunto com seis capelas, um adro com esculturas em pedra sabão e a igreja no topo do morro Maranhão foi construído em meados do século 17 e hoje é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Mundial. Leia mais

Editorial: construir mudanças

Quinta Monroy, o conjunto de habitação social em Iquique, Norte do Chile, foi o primeiro projeto de Alejandro Aravena e de seu “do tank”, o Elemental, em que a ideia de construir metade da casa para que o morador construísse o restante foi colocada em prática. Dentro desse sistema, outras variáveis estiveram em jogo, como a participação dos moradores no processo de projeto (a busca pela resposta correta a ser respondida) e a manutenção do grupo de vizinhos no mesmo lote em que moravam há 30 anos. Como primeiro projeto, também pode ser visto, hoje, como um campo de pesquisas sobre erros e acertos, e sobre como os moradores se apropriaram do conjunto. Foi assim que Patricio Mardones Hiche analisou a Quinta Monroy no artigo da Interseção desta edição: 12 anos depois de sua inauguração, conversou com moradores e situou a experiência de Aravena dentro da história da habitação social chilena. As fotos foram feitas por Michael Quezada, fotógrafo de Iquique, em fevereiro de 2016 especialmente para a AU. Leia mais

Os profissionais que assinaram os projetos publicados na edição

Os profissionais que assinaram os projetos publicados na edição

Encaixe perfeito
No primeiro dia de aula da Universidade Santa Úrsula, no Rio de Janeiro, Flavia Quintanilha e Rodrigo Fernandes 1 já haviam se tornado amigos. Passado um tempo, além de se unirem como casal, decidiram começar a trabalhar juntos, e em 1999 fundaram o Architectare. Os arquitetos se enveredaram naturalmente para a categoria residencial, para a qual comentam não haver uma fórmula fixa – apenas buscam integração e flexibilidade dos espaços para que “a arquitetura possa ser movimentada, mexida e usada de diversas maneiras” sem comprometimento do ambiente. Premiados pelo Retiro do Escritor, apresentado nesta edição, Flavia e Rodrigo continuam a trabalhar com projetos de casas em diversos lugares do País.

Maíra AcayabaCabeças criativas
Superlimão Studio 2 é um escritório paulistano comandado pelos sócios Thiago Rodrigues, Lula Gouveia e Antonio Carlos Mello, que trabalham junto a outros sete arquitetos na criação de espaços, móveis e produtos. Desde 2002 o desafio contínuo, segundo a equipe, é de decifrar a leitura de comportamentos e buscar a excelência de interação entre o indivíduo e o mundo materializado à sua frente. Os profissionais do estúdio, que se valem da experimentação de formas e materiais em suas obras, enxergam os espaços e fluxos como uma extensão dos indivíduos. Os ambientes e objetos da equipe caminham do criativo ao incomum dentro de um recorte preciso e bem demarcado do tema e se baseiam em conceitos e valores do cliente para sintetizar todas essas informações nos trabalhos apresentados.

O desenho me desenha
Ana ValadresA casa número 414 da avenida Álvares Cabral é uma das mais antigas de Belo Horizonte, e há mais de 40 anos emprestou sua biblioteca para o arquiteto Gustavo Penna 3 fazer do cômodo um local de trabalho. A oficialização da atividade que começou com pequenas reformas aconteceu com a formalização do escritório em 1974. A própria casa, em que hoje trabalham 25 arquitetos, também o move: “A construção é um ser vivo que respira, abre janelas e as pessoas passam por ela e ela vai ganhando a pátina do tempo, acumulando histórias, referências e simbologias”, comenta. “Se você fizer uma arquitetura e ela não for interpretada, incorporada e assumida como verdadeira, não adianta você ter feito a coisa mais bonita do mundo – ela deixou de ter validade.” Gustavo acredita que nenhum produto arquitetônico ou urbanístico seja isento das influências de quem o faz. Desde o início dos trabalhos do arquiteto, mudaram as linguagens, mas não o que o move a trabalhar – a crença no ser humano e o gosto pelo desenho à mão, que num duplo sentido abre espaço para correr o risco.

Interior em foco
Bruna CicarelliFoi com a ideia de trabalhar com interiores que Dante Della Manna 4 fundou seu escritório em 1998 em São Paulo. O local, que desde 2001 é também dividido com o primo e sócio Antonio Mantovani Neto 5 , realiza projetos nas áreas corporativa, comercial e educacional com foco em design específico moldado para o cliente. Enquanto Dante é responsável pela área de criação, consultoria estratégica e programas de ocupação, fica nas mãos de Antonio os certificados Leed e PMP, o atendimento aos clientes e o gerenciamento dos times de desenvolvimento de projeto e implantação. Desde a escolha de materiais até o tipo de iluminação valorizado, tudo passa por critérios rigorosos e característicos de sustentabilidade, um dos pilares em que se apoiam os profissionais. O escritório atualmente desenvolve o projeto de interiores de uma escola de 40 mil m² e está na etapa de finalização do projeto de interiores do Yahoo.

IMAGENS 1 arquivo pessoal 2 Maíra Acayaba 3 Ana Valadres 4/5 Bruna Cicarelli