Edifício JCândido, concebido pela OCA em Porto Alegre, é exemplo no tratamento variado de fachadas

Edifício JCândido, concebido pela OCA em Porto Alegre, é exemplo no tratamento variado de fachadas

Um prédio de arquitetura autoral que se erguesse como um sopro de novidade em meio à paisagem do tradicional bairro Higienópolis na capital gaúcha. Eis o principal pedido da incorporadora MKS Empreendimentos à equipe de profissionais da Oficina Conceito Arquitetura (OCA). Já nas primeiras conversas sobre aquele que viria a se tornar o JCândido, edifício residencial com seis andares de estilo contemporâneo, o que se descortinava era o estabelecimento de um diálogo franco e fértil entre o discurso lógico do mercado imobiliário e a vibrante possibilidade de a arquitetura contribuir ativamente no desenho de cidades mais vivas, abertas e generosas.

Iniciada a fase de projeto, o primeiro desafio foi conceber o programa de acordo com as limitações do lote, de boa profundidade (45 m), porém com testada bastante reduzida (apenas 13,5 m). Levando em conta o desejo de que a edificação tivesse recuo suficiente para permitir aberturas em toda a extensão das fachadas laterais – o que impactaria consideravelmente nos ganhos de iluminação e ventilação cruzadas das unidades –, a largura disponível ficava ainda mais restrita. Chegou-se então ao traçado de um corpo de prédio com 7 m de largura e 32 m de profundidade, mantendo uma boa proporção estética com relação à sua altura, de 17,5 m.

Leia mais

Ganho urbanístico: projeto do Bloco Arquitetos abre as fachadas de restaurante em Brasília

Ganho urbanístico: projeto do Bloco Arquitetos abre as fachadas de restaurante em Brasília

Cosmopolita e contemporânea. Com essas palavras, o chef André Castro descreveu duas qualidades centrais de sua cozinha que precisavam ser expressas pelo projeto de arquitetura de seu restaurante em Brasília, o Authoral. E, para garantir que a essência de seu trabalho pudesse, de fato, inspirar o desenho do espaço, fez questão de cozinhar para os projetistas do Bloco Arquitetos antes mesmo de começarem a falar sobre ambientes e materiais.

O chef logo apresentou, também, alguns dos elementos que já havia elencado para materializar seu restaurante. Assim, peças cerâmicas sem verniz, pratos de pedra, cestas marajoaras e artefatos de bambu e papelão – além da ausência de toalhas de mesa ou guardanapos de pano – trouxeram à tona outras características de sua cozinha que deveriam informar o projeto arquitetônico: a pluralidade de referências, a informalidade e, sobretudo, a verdade dos materiais.

Leia mais

Projeto de reforma para a nova sede de agência de viagens em Minas Gerais revela design criativo de fachada, identidade visual e missão corporativa

Projeto de reforma para a nova sede de agência de viagens em Minas Gerais revela design criativo de fachada, identidade visual e missão corporativa

O edifício escolhido pela Trade Turismo em Uberlândia (MG), na principal via comercial da cidade, era uma verdadeira caixa de vidro exposta à avenida, submetida a forte insolação sobre todas as suas faces, das primeiras horas da manhã até o final da tarde.

Para as equipes do Aguirre Arquitetura e do Studio Porto Arquitetura, que trabalharam em conjunto na reforma, o primeiro grande desafio era propor uma solução de fachada que contornasse o efeito estufa e os gastos excessivos com refrigeração – inevitáveis – que o uso comercial geraria.

Leia mais

Casal de arquitetos constrói casa para morar e lança mão de um amplo painel de cobogós como recurso estético, anteparo visual e quebra-sol

Casal de arquitetos constrói casa para morar e lança mão de um amplo painel de cobogós como recurso estético, anteparo visual e quebra-sol

A casa Cobogó recebeu este nome em função da franca aplicação de blocos vazados de concreto ao longo de toda a fachada do piso superior. Há muitas décadas, esses elementos são utilizados na arquitetura moderna brasileira, especialmente no Nordeste, como recurso de proteção solar. A residência foi projetada pelos arquitetos Emerson Hungaro e Luciana Hungaro, do Estúdio Hungaro Arquitetura, para servir de residência ao casal.

Algumas particularidades influenciaram a concepção desta residência, situada no bairro do Tremembé, ao sopé da serra da Cantareira, na zona Norte de São Paulo. A principal diz respeito ao curto prazo disponível para a conclusão da obra – apenas quatro meses – dada a urgência de mudança do casal. Daí a opção por executá-la a partir de uma estrutura metálica, empregando perfis laminados tipo “W”. Trata-se, conforme esclarecem os autores, “de uma construção racional, 40% industrializada”, que praticamente dispensou a necessidade de movimentar terra, uma vez que o terreno de 10 m x 35 m é plano.

Leia mais

BBVA Bancomer, na Cidade do México: edifício corporativo assinado por Richard Rogers (RSH+P) e Legorreta + Legorreta

BBVA Bancomer, na Cidade do México: edifício corporativo assinado por Richard Rogers (RSH+P) e Legorreta + Legorreta

A nova sede do banco BBVA Bancomer afirma-se como um marco na paisagem da Cidade do México. O projeto, com 188.777 m² em um terreno de 6.620 m², elaborado pelo escritório de Richard Rogers, RSH+P, em parceria com os mexicanos Legorreta + Legorreta, está localizado na avenida Paseo Reforma aos pés do Bosque de Chapultepec – um dos pontos mais valorizados da cidade.

A implantação do conjunto é concisa: na esquina do Paseo Reforma com a Calle Lieja, é disposta uma torre de 50 andares (a área para escritório soma 78.800 m²), de matriz geométrica quadrada com duas quinas chanfradas, de maneira a criar visuais alinhadas a eixos da malha urbana; ao lado desta, no Paseo Reforma, é locado um volume de 12 andares em formato curvo; e adjacente à torre na Calle Lieja, há um prisma regular, também de 12 pavimentos.

Leia mais

Editorial: reportagens exclusivas e casa lotada

Faltam três meses para a Olimpíada e temos mais quatro equipamentos finalizados e publicados em AU com exclusividade. Desta vez, todos são assinados pelo escritório Vigliecca & Associados no Complexo Esportivo de Deodoro – arquitetos também responsáveis pelo plano diretor do complexo, com projeto vencedor de concurso. As especificidades dos edifícios se uniram ao desenho cuidadoso de Vigliecca para transmitir emoção e oferecer conforto durante e após os Jogos. Os detalhes das soluções são esmiuçados nas reportagens e na seção Aulas de projeto desta edição, recheada de desenhos técnicos da Arena da Juventude, espaço no Deodoro que irá reunir basquete feminino e esgrima (pentatlo moderno) e esgrima na cadeira de rodas na Paralimpíada. Também exclusiva é a singela casa do quarteto do UNA Arquitetos em Florianópolis, de frente para o mar. A estrutura de madeira, com três pilares em “V” e precisão milimétrica, foi resolvida com o mínimo de chegadas no chão e recebe quem chega do mar. Os arquitetos utilizaram revestimentos simples para garantir um custo baixo da obra, mas o fizeram com inteligência – caso dos painéis de PVC perfurados no volume superior que transformam a casa em um farol de noite. O UNA propõe uma maneira descontraída de passar o tempo na casa de veraneio, aberta ao entorno: sem muros nem grades, é uma continuação das camadas naturais de mar, areia e vegetação.

“Se não te matar, então você não é boa. É isso, de verdade: você deve se dedicar integralmente. Você não pode arcar com idas e voltas. Quando as mulheres param para ter filhos é muito difícil para elas se reconectar com a grande escala. E quando elas fazem sucesso, a imprensa, mesmo a especializada, perde muito mais tempo falando sobre como nos vestimos, que sapatos estamos usando, como devemos ser vistas”. 
Zaha Hadid (1950/2016), em entrevista ao The Guardian

Por fim, foi um sucesso o debate organizado pela AU e realizado aqui na editora PINI sobre vidros para fachada: com 13 participantes, a conversa sobre a especificação do sistema foi aprofundada trazendo profissionais de todas as pontas, o arquiteto, o pesquisador e o fornecedor. O resultado está relatado em reportagem desta edição.

BIANCA ANTUNES