Despretensiosa na linguagem arquitetônica e construída com materiais baratos e simples, casa projetada para ambulante mobiliza comunidade paraguaia para ser erguida

Despretensiosa na linguagem arquitetônica e construída com materiais baratos e simples, casa projetada para ambulante mobiliza comunidade paraguaia para ser erguida

Luis Villasanti, conhecido como Lui, vende chicletes há 45 anos na saída dos colégios de Mariano Roque Alonso, no Paraguai. Falante, alegre e brincalhão, sempre com uma anedota para contar, é querido por toda a comunidade. Tão querido que, quando falou a um amigo que precisava de uma casa própria, cerca de 1.500 pessoas da cidade se mobilizaram para ajudá-lo a erguer sua residência. Projetada pelo escritório Oficina Comunitaria de Arquitectura (OCA), a Vivienda Lui, como foi apelidada a sua casa, de linguagem arquitetônica despretensiosa, foi erguida com a menor quantidade de elementos arquitetônicos e construtivos possível.

“Os materiais são simples e facilmente encontrados no mercado: piso cerâmico e de cimento, tijolos cerâmicos, telhado de zinco e estrutura metálica”, afirma o arquiteto Luis Godoy, diretor do escritório OCA. Ele conta que a busca do essencial acabou se refletindo na casa, materializada pela arquitetura singela. “É uma linguagem que determina uma riqueza no simples, no humano, no local e no necessário”, conta o arquiteto. Leia mais

Leo Romano explora a plasticidade do concreto armado para criar casa de formas ousadas e espaços interligados em Goiânia

Leo Romano explora a plasticidade do concreto armado para criar casa de formas ousadas e espaços interligados em Goiânia

Ao projetar a Casa da Escalada, em Goiânia (GO), Leo Romano explorou as potencialidades plásticas do concreto armado para criar uma residência de “espírito livre”, com espaços sociais interligados e descontraídos, conectados à varanda e ao jardim. O caráter escultural de elementos como pilares e laje e a relação de “simbiose” que a residência tem com a topografia e a paisagem remetem ao moderno brasileiro e às casas de Oscar Niemeyer, que serviram de inspiração para Romano criar a Casa da Escalada.

A implantação em “L” decorre da junção de dois volumes arquitetônicos arrojados, dentre eles o prisma retangular que parece alçar voo no terreno em declive, apoiado em dois pilares em “Y”. A solução estrutural lembra os apoios em “V” de clássicos da arquitetura moderna brasileira, como o MAC-USP, de Oscar forma quanto nas vantagens trazidas, sendo a principal delas a liberação do térreo para múltiplos usos.

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Em condomínio horizontal de casas geminadas em São Paulo, a privacidade é garantida por muxarabiês de madeira, que se sobressaem na composição arquitetônica

Em condomínio horizontal de casas geminadas em São Paulo, a privacidade é garantida por muxarabiês de madeira, que se sobressaem na composição arquitetônica

Erguido no bairro do Brooklin, na Zona Sul de São Paulo, o Vila Sagres é um condomínio horizontal de casas geminadas que se distribuem ao longo de uma rua de pedestres sobreposta a um estacionamento subterrâneo. A decisão de construir casas ligadas entre si, sem recuos laterais, trouxe ganho de área útil para as unidades, além de um melhor aproveitamento do terreno, da mesma forma que a opção pela garagem no subsolo. Da busca pela privacidade dos moradores surgem elementos arquitetônicos como os muxarabiês de madeira nas fachadas frontais, um dos destaques do projeto de arquitetura criado pelo escritório Pessoa Arquitetos. As tramas de madeira comuns na arquitetura colonial portuguesa são herança das invasões mouras na Península Ibérica.

O estudo de viabilidade feito pelo arquiteto Jorge Pessoa para o cliente – incorporador e construtor – indicou a possibilidade de inserir até 12 unidades residenciais de 250 m2 cada no lote. No entanto, optou-se por fazer duas casas maiores como estratégia para acelerar as vendas, o que, segundo o arquiteto, mostrou-se eficiente.

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Integrada com a área da piscina e solta do terreno, casa em Florianópolis privilegia vista do entorno e soluções da arquitetura sustentável

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Uma residência aberta composta de três volumes prismáticos simples e encaixados, que se desenvolvem ao redor de uma piscina. Assim poderia ser descrita a casa criada pelo escritório Pimont Arquitetura, em Florianópolis (SC), para o cliente que desejava viver em uma construção com atmosfera praiana. A ocupação do terreno em desnível e o partido estrutural que privilegia os grandes vãos favoreceram a integração dos espaços com a área de lazer externa, além da vista do entorno. O projeto também incorpora soluções da arquitetura sustentável, como o teto-verde, sistema de aquecimento solar de água e de captação e uso de águas pluviais.

A entrada acontece por meio de uma passarela de itaúba (madeira densa e resistente), próxima de uma grande árvore com bromélias, que foi mantida no terreno pelo projeto, assim como outras. A passagem suspensa garante acesso dos pedestres ao volume arquitetônico suspenso e solto do terreno. “A implantação tirou partido dos desníveis do terreno para lançar a casa como um volume em balanço sobre a garagem, como se a construção flutuasse sobre aquele espaço”, diz Henrique Pimont, chefe do escritório de arquitetura.

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Sutil jogo entre transparência e opacidade, criteriosa escolha de matérias-primas e volumetria baseada em planos bem demarcados são as apostas preponderantes de residência voltada para o mar no litoral catarinense

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O desejo dos clientes era que os materiais usados na construção desta casa em Itajaí, SC, se apresentassem sem disfarces: “Eles queriam que cada elemento revelasse sua aparência original, com o mínimo possível de revestimentos”, conta o arquiteto Marcos Jobim, sócio do escritório Jobim Carlevaro Arquitetos, de Florianópolis, responsável pela elaboração do projeto. A partir dessa ideia, a proposta pautou-se pela busca de beleza estrutural e pela objetividade do uso de materiais – quase nada além de concreto, vidro e madeira.

Outra solicitação foi que as principais aberturas dos quartos e da sala fossem orientadas para o oceano, a cerca de 600 metros dali. As construções do entorno barram a vista, mas não a brisa do mar, propiciando uma agradável experiência sensorial e ventilação natural. A valorização da face leste, que recebe sol pela manhã, foi a responsável pela conquista de luz e calor na medida exata do conforto.

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Paisagem e o pôr do sol são os elementos visuais preponderantes de residência suspensa projetada por Barbara Becker Atelier de Arquitetura em Pato Branco

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Os dois volumes suspensos sobre o aclive que a topografia local impõe chamam atenção pelo paralelismo das linhas da fachada – a Mondrian, numa referência subliminar a Ville Savoye (1931) de Le Corbusier – na rua Francisco Xavier, em Pato Branco (PR). Branca e cinza, a edificação foi inaugurada há um ano pelos moradores, um casal com filhos já adultos que havia decidido encerrar suas atividades profissionais para curtir a maturidade. Por essa razão, o projeto arquitetônico coloca em evidência três ambientes: sala, cozinha e sala de jantar. “A casa reflete o estilo de vida contemplativo e de grande atividade social dos clientes. Por estarem em uma nova fase, diferentemente das famílias que estão começando, a casa permitiu uma certa flexibilidade no programa”, pontua a arquiteta curitibana Barbara Becker, autora do projeto.

Com 326 m² de área construída – em um terreno acidentado de 600 m² – a obra foi batizada de Casa da Vista por uma razão “poética”: nos finais da tarde, o pôr do sol invade toda a área social do espaço, convidando habitantes e visitantes à contemplação.

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