Editorial: a arte de envelhecer bem

Sempre me pergunto se os grandes expoentes da arquitetura moderna – no Brasil e no mundo – pensaram sobre o envelhecimento dos edifícios saídos de suas pranchetas. Ao caminhar pelo célebre Salão Caramelo, área aberta do icônico edifício criado por Vilanova Artigas para a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, é fácil perceber que um remendo de epóxi alemão nos 1.000 metros quadrados não pode ser feito sem deixar marcas. O mesmo vale para as imensas empenas cegas de concreto aparente, tão usadas no apogeu brutalista. As soluções de recuperação adotadas ao longo do tempo contrariam os princípios básicos da escola moderna. Basta observar as estruturas de concreto da capital Brasília cobertas de tinta branca para entender um pouco desse fenômeno.

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Eleições definem o destino da profissão. Veja entrevista com Haroldo Pinheiro, presidente do CAU/BR

Eleições definem o destino da profissão. Veja entrevista com Haroldo Pinheiro, presidente do CAU/BR

No dia 31 de outubro, cerca de 150 mil arquitetos e urbanistas vão escolher os novos profissionais para compor o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal (CAU/UF), para o mandato 2018-2020. Na entrevista a seguir, o arquiteto e urbanista Haroldo Pinheiro, que cumpre o segundo mandato na presidência do CAU/BR, fala das expectativas para essas eleições, dos desafios dos próximos gestores e do legado que ele deixará.

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Editorial: reconhecimento e valorização

GUSTAVO CURCIO

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo das Unidades da Federação (CAU/UF) foram criados pela Lei 12.378, de 31 de dezembro de 2010. Apenas um ano depois, em 15 de dezembro de 2011, nasceu o corpo que regula o exercício de nossa profissão no país. Consolidado, o CAU/BR desempenha papel fundamental para a valorização de arquitetos e urbanistas. Dentre os pleitos junto ao Congresso Nacional está a recém-apresentada proposta de criação de lei específica para contratação de projetos e obras públicas – apresentada no dia 5 de julho em conjunto com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). A ideia é tratar de forma diferenciada a compra de produtos como materiais de expediente, serviços intelectuais e serviços de arquitetura. “Estamos propondo um passo mais largo, para além da revisão da Lei de Licitações. É preciso uma lei própria para projetos”, afirmou o presidente do CAU/BR, Haroldo Pinheiro, durante o I Fórum de Desenvolvimento Urbano, realizado em uma parceria do CAU/BR e da Câmara dos Deputados.

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Arquiteto, designer, cenógrafo, Felippe Crescenti é o retrato perfeito da formação interdisciplinar da FAUUSP e há quase 40 anos carrega consigo ensinamentos de mestres como Eduardo Almeida

Roupa suja se lava em casa. Numa conversa descontraída, Felippe Crescenti falou sobre o legado da formação ímpar da FAU-USP, marcada, segundo ele, por uma ‘superficialidade típica do modelo interdisciplinar’. O arquiteto que acumula premiações nos mais variados segmentos do trabalho criativo – cenógrafo teatral e cinematográfico, expositor, designer e arquiteto – assina projetos icônicos como a megaloja da Tok&Stok na Marginal PInheiros, em São Paulo, e o Bar Astor, na boêmia Vila Madalena, também na capital paulista.

‘Generoso na composição de seus cenários efêmeros para o teatro, as festas e os eventos – em que explora com ousadia os brilhos, os contrastes, as cores e a diversidade de materiais -, o arquiteto Felippe Crescenti vai se distanciar tanto da exuberância e da dramaticidade dos recursos cênicos quanto das sisudas lições da sua escola brutalista de origem’ (Cecília Rodrigues Santos, ‘Exercícios de cenografia e projeto’, introdução do livro Felippe Crescenti, publicado em 2015).

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Arquitetos e programadores compõem o DUS, responsável pela fabricação digital de fachada do Europe Building, em Amsterdã

Arquitetos e programadores compõem o DUS, responsável pela fabricação digital de fachada do Europe Building, em Amsterdã

As impressoras 3D e diversos setores da indústria – entre eles, a arquitetura, o design e a engenharia – vivem um início de namoro que promete ser longo e frutífero. A fabricação digital de produtos tem favorecido a liberdade dos profissionais de criação, assim como a utilização da tecnologia na modelagem de maquetes ajuda a identificar e solucionar erros de projetos que, de outro modo, seriam descobertos somente em estágios bem mais avançados da construção. Há também um campo bastante ambicioso, que diz respeito à impressão de casas e de outros tipos de edificações – em geral erguidos em algumas horas e extremamente baratos, se comparados às construções com métodos convencionais.

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