Entrevista

Arquiteto, designer, cenógrafo, Felippe Crescenti é o retrato perfeito da formação interdisciplinar da FAUUSP e há quase 40 anos carrega consigo ensinamentos de mestres como Eduardo Almeida

Roupa suja se lava em casa. Numa conversa descontraída, Felippe Crescenti falou sobre o legado da formação ímpar da FAU-USP, marcada, segundo ele, por uma ‘superficialidade típica do modelo interdisciplinar’. O arquiteto que acumula premiações nos mais variados segmentos do trabalho criativo – cenógrafo teatral e cinematográfico, expositor, designer e arquiteto – assina projetos icônicos como a megaloja da Tok&Stok na Marginal PInheiros, em São Paulo, e o Bar Astor, na boêmia Vila Madalena, também na capital paulista.

‘Generoso na composição de seus cenários efêmeros para o teatro, as festas e os eventos – em que explora com ousadia os brilhos, os contrastes, as cores e a diversidade de materiais -, o arquiteto Felippe Crescenti vai se distanciar tanto da exuberância e da dramaticidade dos recursos cênicos quanto das sisudas lições da sua escola brutalista de origem’ (Cecília Rodrigues Santos, ‘Exercícios de cenografia e projeto’, introdução do livro Felippe Crescenti, publicado em 2015).

Crítico da pasteurização e do uso indiscriminado das ferramentas digitais – não é avesso, mas defende um traço limpo focado na função -, ele chama de barroco digital o resultado do projeto adereçado e kitsch que toma conta das prateleiras, inclusive de marcas reconhecidas pela forma.

Design

Arquitetos e programadores compõem o DUS, responsável pela fabricação digital de fachada do Europe Building, em Amsterdã

As impressoras 3D e diversos setores da indústria – entre eles, a arquitetura, o design e a engenharia – vivem um início de namoro que promete ser longo e frutífero. A fabricação digital de produtos tem favorecido a liberdade dos profissionais de criação, assim como a utilização da tecnologia na modelagem de maquetes ajuda a identificar e solucionar erros de projetos que, de outro modo, seriam descobertos somente em estágios bem mais avançados da construção. Há também um campo bastante ambicioso, que diz respeito à impressão de casas e de outros tipos de edificações – em geral erguidos em algumas horas e extremamente baratos, se comparados às construções com métodos convencionais.

É justamente nessa trilha que avança o DUS, estúdio holandês que tem marcado seu espaço não apenas como referência em arquitetura pensada para ganhar vida por meio da impressão 3D, mas também como uma espécie de laboratório experimental que visa agregar estética e outras nuances conceituais do design a esse nicho promissor. Com sede em Amsterdã, o time do DUS é composto de arquitetos, programadores de software, inventores e, claro, especialistas em design paramétrico e impressão 3D. Dessa combinação de talentos têm nascido projetos que merecem um olhar cuidadoso, como o Europe Building, um edifício temporário erguido no coração da capital holandesa, na região de seus famosos canais, com a finalidade de sediar um evento temporário da União Europeia que teve duração de seis meses, no primeiro semestre de 2016.